é um livro de literatura clássica japonesa escrito durante o Período Heian da história do Japão. Com um total de 54 capítulos, a obra foi finalizada em 1008 e posteriormente ilustrada no emakimono "O Conto de Genji Emaki", no final do período Heian. O Conto de Genji é atribuído à poetisa e dama de companhia da corte Murasaki Shikibu. É considerado o primeiro romance literário do mundo.
Detalhes técnicos O Genji foi escrito capítulo por capítulo, por partes, enquanto Murasaki entregava o conto para as mulheres da aristocracia (o yokibito). Ele tem muitos elementos encontrados em um romance moderno: um personagem principal e um número muito grande de personagens principais e secundários, com uma caracterização bem desenvolvida de todos os personagens centrais, uma seqüência de eventos que acontecem ao longo de vida do personagem principal e mais além. O trabalho não faz uso de um enredo; em vez disso, assim como na vida real, eventos acontecem e os personagens evoluem simplesmente com o passar do tempo. Uma característica notável do Genji, e da habilidade de Murasaki, é sua consistência interna, apesar de um dramatis personae (quantidade total de personagens) de cerca de 400 pessoas. Por exemplo, todos os personagens envelhecem à mesma velocidade e toda a família e as relações feudais são consistentes em todos os capítulos.
Uma complicação para os leitores e tradutores do Genji é que quase nenhum dos personagens no texto original recebe um nome explícito. Os personagens são, ao invés disso, chamados por sua função ou papel (por exemplo, Ministro da Esquerda), um título honorífico (por exemplo, Sua Excelência), ou sua relação com outros personagens (por exemplo, Herdeiro natural), que podem mudar completamente à medida que o romance progride. Esta falta de nomes decorre dos costumes da corte do período Heian, que considerava inaceitável mencionar livremente o nome de um personagem de forma familiar . Leitores modernos e tradutores têm, em maior ou menor grau, usado vários apelidos para acompanhar as ações dos personagens.
Relevância Genji Monogatari é uma obra importante da literatura japonesa, e inúmeros autores modernos a têm citado como inspiração. Ele é conhecido pela sua consistência interna, descrição psicológica, e caracterização dos personagens. O romancista Yasunari Kawabata disse em seu discurso de aceitação do Prêmio Nobel: "Genji Monogatari é, em particular, o ponto mais alto da literatura japonesa. Até hoje não existiu uma peça de ficção comparável a ele ". thumb|Nota de 2 mil ienes com Genji Monogatari e Murasaki Shikibu no canto direito.
Genji Monogatari também é muitas vezes chamado de "o primeiro romance", embora haja muito debate sobre isso – inclusive a controvérsia se Genji Monogatari pode ser considerado um "romance". Alguns levam em consideração o insight psicológico, a complexidade e unidade da obra para qualificá-lo com o status de "romance", ao mesmo tempo desqualificando obras anteriores de ficção em prosa.Ivan Morris, The World of the Shining Prince (1964), p. 277 Outros vêem esses argumentos como subjetivos e poucos convincentes. Alegações parecidas, talvez em uma tentativa de contornar esses debates, dizem que Genji Monogatari é o "primeiro romance psicológico" ou "romance histórico", "o primeiro romance continua a ser considerado um clássico" ou outros termos mais qualificados. No entanto, os críticos têm quase sempre descrito Os Contos de Genji como o mais antigo, o primeiro e/ou maior romance da literatura japonesa,Bryan (1930), 65.Kokusai Bunka Shinkokai (1970), 37. apesar de defensores entusiasmados poderem ter negligenciado a categoria qualificada na literatura japonesa, levando a debates sobre a importância do livro na literatura mundial. Mesmo no Japão, os Contos de Genji não são uma unanimidade; o menos conhecido Ochikubo Monogatari tem sido proposto como "primeiro romance completo do mundo", mesmo que seu autor seja desconhecido .Kato (1979), p.160, 163. Apesar destes debates, O Conto de Genji goza de sólido respeito entre as obras de literatura e sua influência na literatura japonesa tem sido comparado a Arcadia, de Philip Sidney, da literatura inglesa.
O romance e outras obras novas de Murasaki são material de leitura básico nos currículos das escolas japonesas. O Banco do Japão emitiu a nota de dois mil ienes em sua homenagem, com uma cena do romance baseado no rolo ilustrado do século XII.
Autoria thumb|Murasaki Shikibu, ilustração de Tosa Mitsuoki, que fez uma série sobre Genji Monogatari (século XVII) Apesar de não haver provas concretas a respeito da autoria desta obra, uma mulher que fazia parte da corte da imperatriz em finais do Século X e princípios do Século XI, chamada Murasaki Shikibu (紫 式部, em japonês), geralmente é considerada a autora do livro. Sabe-se o nome da autora somente indiretamente. Muitos literários acreditam que várias pessoas participaram de sua construção, especialmente na parte final da obra. Vários estudiosos atestam que existem vários indicadores de descontinuidade de autoria, principalmente nos últimos dez capítulos. Somam-se a isso recentes estudos computacionais que confirmam tais observações, oferecendo um número ainda maior de discrepâncias no escrito.
O debate sobre quanto do Genji foi realmente escrito por Murasaki Shikibu já dura séculos e é provável que jamais será resolvido, a menos que alguma grande descoberta arquivística seja feita. É geralmente aceito que o conto foi concluído em sua forma atual de 1021, quando a autora do Sarashina Nikki escreveu um diário famoso sobre sua alegria em adquirir uma cópia completa do conto. Ela escreve que existem mais de cinqüenta capítulos e menciona uma personagem introduzida perto do fim dos trabalhos, por isso, se outros autores além de Murasaki Shikibu trabalharam no conto, o trabalho foi feito muito próximo da época de sua escrita. O próprio diário de Murasaki Shikibu inclui uma referência ao conto: o apelido para ela própria de 'Murasaki', em alusão ao personagem principal do sexo feminino. Esse registro confirma que uma parte, senão a totalidade, do diário estava pronta em 1008, quando evidência interna sugere que a passagem foi escrita.The Diary of Lady Murasaki, ed. Richard Bowring, Penguin Classics 2005, p. 31, nota 41. Em sua introdução ao texto, Bowring discute sua referência às datas, que, em qualquer caso, é geralmente aceita pela maioria das autoridades. Royal Tyler, em sua edição do Genji citada abaixo, também chama a atenção para o registro no diário de Murasaki Shikibu: ver a edição Penguin Books, 2003, Introdução, p. XVII.
Fala-se que Murasaki escreveu sobre o personagem Genji baseado no Ministro da Esquerda na época em que ela estava na corte. Outros tradutores, como Tyler, mencionam o fato de que o personagem Murasaki no ue, que Genji, posteriormente, lhe faz sua esposa é baseado na própria Murasaki Shikibu. Curiosamente Murasaki Shikibu começou a escrever o romance a partir do Suma-capítulo 12 e Akashi-capítulo 13, antes de ela escrever o resto do livro.
Yosano Akiko, o primeiro autor a fazer uma tradução moderna do Genji Monogatari, acreditava que Murasaki Shikibu tinha apenas escrito os capítulos 1 a 33, e que os capítulos 35-54 foram escritos por sua filha Daini no Sanmi.Outros estudiosos também duvidaram da autoria de capítulos 42 a 54 (particularmente o 44, que contém raros exemplos de erros de continuidade).
Enredo thumb|Cap. 15 – 蓬生 Yomogiu ("Desperdício de ervas"). Cena do rolo ilustrado do século XII Genji Monogatari Emaki guardado no Museu de Arte de Tokugawa. thumb|Cap. 16 – 関屋 Sekiya ("Na passagem"). Museu de Arte de Tokugawa. thumb|Cap. 37 – 横笛 Yokobue ("Flauta"). Museu de Arte de Tokugawa. thumb|Cap. 39 – 夕霧 Yūgiri ("Névoa Noturna"). Museu de Arte de Tokugawa. thumb|Cap. 48 – 早蕨 Sawarabi. Museu de Arte de Tokugawa. thumb|Cap. 48 – 宿り木 Yadorigi ("Hera"). Museu de Arte de Tokugawa.
A obra narra a vida de um filho de um imperador japonês, mostrado para os leitores como Hikaru Genji, ou "Genji Brilhante". Por razões políticas, Genji é relegado ao status de cidadão (ao receber o sobrenome Minamoto) e começa uma carreira como um oficial imperial. O conto se concentra na vida romântica de Genji e descreve os costumes da sociedade aristocrática da época. Muito se fala da boa aparência de Genji.
Genji era o segundo filho de um certo imperador antigo e uma concubina de baixa patente (conhecido pelos leitores como Senhorita Kiritsubo). Sua mãe morre quando Genji tem três anos de idade, e o Imperador não pode esquecê-la. O Imperador, em seguida, ouve sobre uma mulher ("Fujitsubo"), antigamente uma princesa do imperador anterior, que se assemelha a sua concubina falecida e mais tarde se torna uma de suas esposas. Genji a ama primeiro como uma madrasta, mas depois como uma mulher. Eles se apaixonam um pelo outro, mas esse amor é proibido. Genji fica frustrado por causa de seu amor proibido em relação a Fujitsubo e fica em condições ruins com sua esposa (Aoi no Ue). Ele também se envolve em uma série de casos amorosos mal sucedidos com outras mulheres. Na maioria dos casos, seus avanços são rejeitados, sua amante morre subitamente durante o relacionamento, ou ele passa a achar sua amante maçante. Em um caso, ele vê uma bela jovem por uma janela aberta, entra em seu quarto sem permissão, e começa a seduzi-la. Reconhecendo-o como um homem de poder incontestável, ela não resiste.
Genji visita Kitayama, a área rural montanhosa no norte de Kyoto, onde ele encontra uma linda menina de dez anos de idade. Ele fica fascinado por essa menina ("Murasaki"), e descobre que ela é uma sobrinha de Fujitsubo. Finalmente, ele a sequestra, leva-a a seu próprio palácio e a educa para ser sua mulher ideal; igual a Fujitsubo. Durante este tempo Genji também encontra-se com Fujitsubo secretamente, e ela leva o seu filho. Todos, exceto os dois amantes, acreditam que o pai da criança é o Imperador. Mais tarde, o menino torna-se o Príncipe herdeiro e Fujitsubo torna-se a Imperatriz, mas Genji e Fujitsubo juram para manter seu segredo.
Genji e sua esposa Aoi se reconciliam e ela dá à luz um filho, mas ela morre logo depois. Genji fica triste, mas encontra consolo em Murasaki, com quem ele se casa. O pai de Genji, o Imperador, morre e os seus inimigos políticos, o ministro da Direita e a mãe do novo Imperador ("Kokiden") tomam o poder na corte. Em seguida, outro dos relacionamentos secretos de Genji fica exposto: Genji e uma concubina de seu irmão, o Imperador Suzaku, são descobertos quando se encontravam em segredo. O Imperador confessa seu contentamento pessoal em descobrir Genji com a mulher ("Oborozukiyo"), mas tem o dever de punir seu meio-irmão. Genji é, portanto, exilado na cidade de Suma-ku, na zona rural da província de Harima (agora parte da cidade de Kobe, província de Hyogo). Lá, um homem próspero de Akashi, na província de Settsu, (conhecido como o Iniciante de Akashi) cuida de Genji, e ele passa a ter um caso amoroso com a filha de Akashi. Ela dá à luz uma filha. Esta filha única de Genji, que mais tarde, torna-se a Imperatriz.
Na Capital, o Imperador fica perturbado por sonhos com seu falecido pai e algo começa a afetar seus olhos. Enquanto isso, sua mãe adoece, o que enfraquece a sua influência sobre o trono. Assim, o Imperador ordena o perdão de Genji e ele retorna a Kyoto. Seu filho com Fujitsubo torna-se o imperador e Genji termina sua carreira imperial. O novo imperador Reizei sabe que Genji é seu verdadeiro pai, e eleva o status de Genji para o mais alto possível.