miniaturadaimagem|Eutênia, daimon da prosperidade
Na mitologia e filosofia gregas, daimon ou daímon (do From Bonbon to Cha-cha: Oxford Dictionary of Foreign Words and Phrases, p. 90. Oxford University Press, 2008 ; plural δαίμονες, translit. daímones) é geralmente identificado como um ser espiritual pertencente a uma categoria intermediária divino-humana. Originalmente, daimon se referia a uma divindade menor ou a um espírito orientador, como os daimons da religião grega antiga e da religião e filosofia helenística posteriores.<ref>daimōn “δαίμων”. A Greek-English Lexicon.</ref> Segundo os antigos gregos, os daimones faziam a mediação entre os deuses e os humanos. Um conceito especial é o do daimon "pessoal", a personificação do destino de uma pessoa. O daimon grego corresponde em grande parte ao gênio romano.
Na mitologia grega, os daimones ou daímones podiam representar determinadas entidades ligadas à natureza humana (como a Loucura, a Ira, a Tristeza, etc.), ao elemento natural ou à vontade divina que os origina. Não se fala em "bem" ou "mal". Um mesmo daimon pode apresentar-se "bom" ou "mau" conforme as circunstâncias do relacionamento que estabelece com aquele ou aquilo que está sujeito à sua influência. Xenócrates associava os deuses ao triângulo equilátero, os homens ao escaleno, e os daimons ao isósceles.
No plano teleológico, os gregos falavam de eudaímon (εὐδαίμων, significando daímon favorável) e cacodaímon (κακοδαίμων, significando daímon não favorável). Assim, a palavra grega que designa a felicidade é Eudaimonia (εὐδαιμονία). Ser feliz é viver sob a influência de um bom daímon — assim Sócrates se refere a seu daimon.
Etimologia A palavra é derivada do proto-indo-europeu *déh₂i-mō , 'provedor', 'divisor' (de fortunas ou destinos), da raiz *deh₂-- 'dividir', 'compartilhar'.term=demon “Demônio”, Etymology Online Na Era de Ouro de Atenas, os daimones eram possivelmente vistos como as almas dos homens, deidades tutelares ou como as forças do destino.2323243 Perseus Digital Library Consultado em 2017-05-05 Sócrates referia-se ao seu daímon pessoal ao justificar por que, diferentemente dos sofistas, não transmitia seus ensinamentos por dinheiro. O filósofo dizia que apenas falava em nome do seu daímon. Também Marco Aurélio usou extensivamente o termo, em suas Meditações.
Em latim a palavra foi traduzida como daemonĭum, com o sentido de 'espírito do mal', diferentemente do sentido grego, que não se restringia aos seres malfazejos, sendo aplicado a todos os daímones. O sentido negativo dado em latim foi transmitido às demais línguas românicas, inclusive ao português, demônio.Kardec, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro da 3ª ed francesa, revista, corrigida e modificada pelo autor em 1866. Brasília, FEB. 2012. "Introdução", p.35.
Lista de daimones
Segundo o conceito grego original, os daimones podem ser identificados com: Elementos da natureza, surgidos em seguida aos deuses primordiais: assim, há daimones do fogo, da água, do mar, do céu, da terra, das florestas, etc. Espíritos que regem ou protegem um lugar (uma cidade, fonte, estrada, etc.) Afetações humanas, de corpo e de espírito, tendo sido estes daímones criados depois: Sono, Amor, Alegria, Discórdia, Medo, Morte, Força, Velhice, Ciúmes etc.
A seguir são apresentados os daímones, cuja antropomorfização personifica a sua essência: Cacodaímones (Κακοδαίμονες) é um grupo de espíritos maus que personificavam todos os males que devastam a humanidade.Agatodaímones (Ἀγαθοδαίμονες) ou Eudaímones (Εὐδαίμονες) é um grupo de espíritos bons que personificavam as virtudes, que acompanham os homens como seus guardiões durante toda a vida.Daímones Criseus (Δαίμονες Χρύσαιοι) ou Hagnos (Ἁγνοί) ou Epictônios (Ἐπιχθόνιοι) eram os espíritos bem-aventurados da Idade de Ouro, eram trinta mil espíritos habitantes dos céus, que vigiavam os atos dos homens e recompensavam os justos com prosperidade agrícola.Daímones Argireus (Δαίμονες Ἀργύραιοι) ou Macaros (Μακαροί) ou Hiperctônios (Ὑπερχθόνιοι) eram os espíritos bem-aventurados da Idade de Prata, espíritos habitantes das profundezas da terra, que vigiavam os atos dos homens e recompensavam os justos com prosperidade agrícola.Acrateia (Ἀκράτεια), a personificação da intemperança.Adefagia (Ἀδηφαγία) era a personificação da gula, da prosperidade agrícola e da fartura no lar.Adikia (Ἀδικία) era a personificação da injustiça, companheira de Oizus, a miséria.Aergia (Αἐργία) era a personificação da preguiça e da indolência, e habitava junto de Hesiquia, a quietude, no palácio de Hipnos.Agon (Ἀγών) era a personificação dos concursos, desafios e disputas solenes, presente nos Jogos Olímpicos, nas peças teatrais e também nos debates e discussões filosóficas.Aidós (Αἰδώς) ou Aísquine (Αἰσχύνη) era a personificação da vergonha, da humildade e do pudor, representava o sentimento da dignidade humana, tendo como qualidade o respeito ou a vergonha que reprime aos homens do inapropriado.Alalá (Ἀλαλά) era a personificação do grito de guerra. Fazia parte do séquito de Ares, cujo grito de guerra era seu nome. Filha de Polemos.Alastor(Ἀλάστωρ) era a personificação da punição contra a descendência daqueles que cometeram crimes contra a família. Era companheiro das Erínias.Alcé (Ἀλκή) era a personificação da força, da valentia e da coragem, e que acompanhava Ares, o deus da guerra, em suas batalhas.Aléteia (Ἀλήθεια) era a personificação da verdade, da honestidade e da sinceridade. Seus opostos eram Dolos, a trapaça, Apate, o engano, e Pseudos, a mentira. Criada por Prometeu.Alexiares (Αλεξιάρης) e Anicetos (Ανίκητος) eram dois deuses menores do Olimpo, que presidiam sobre a defesa de cidades fortificadas e cidadelas. Filhos de Héracles e Hebe.Algos (Ἄλγος) ou as Algea (Ἄλγεα) era uma daímon ou um grupo de daímones que personificavam o sofrimento e a dor, tanto física quanto emocional, que traziam aos homens os lamentos e as lágrimas.Acos (Ἄχος) era a dor física, a dor do corpo causada pelas doenças, pelos venenos e pelas feridas que podem levar à morte;Ania (Ἀνία) era a dor psicológica, a dor da mente causada pelo estresse, os problemas e as aflições da vida;Lipe (Λύπη) era a dor emocional, a dor do coração causada pelo sofrimento, pela tristeza e pelos problemas da vida sentimental;Amecania (Ἀμηχανία) ou Aporia (Ἀπορία) era a personificação da impotência, da dificuldade, do desamparo e da falta de meios, era companheira de Penia, a pobreza, e Ptoqueia, a mendicidade.
As Anfilogias (Ἀμφιλογίαι) eram a personificação dos conflitos, das disputas e das contendas realizadas fora dos campos de batalha, na vida cotidiana.Anaideia (Ἀναίδεια) era a personificação da crueldade, do despudor, e do imperdoável, ela era uma companheira de Hibris, o orgulho, e Coros, o desdém.
As Androctasias (Ἀνδροκτασίαι) eram a personificação das matanças e dos homicídios ocorridos durante as guerras. Filhas de Éris.Anesiquia (Ἀνησυχία) era a personificação da ansiedade e da aflição, era uma das servas pessoais de Afrodite, junto de Sineteia, os costumes, e Melancolia, a tristeza.Angelia (Ἀγγελία) era a personificação das mensagens, das notícias e das proclamações. Ela era companheira de Arete, a virtude, e Eucleia, a excelência.Anoia (Ἄνοια) era a personificação da demência, companheira de Lissa, a fúria, de Mania, a loucura, e de Coalemos, a estupidez.Anteros (Ἀντέρως) era o deus do amor não correspondido. Ele punia os que desprezavam o amor e os cortejos do outro, portanto era o vingador do amor. Filho de Ares e Afrodite.Apate (Ἀπάτη) era a personificação da malícia, do engano, do ardil, da fraude e da traição. Era companheira de Ate, a ruína, e de Dolos, a astúcia.Apiles (Ἀπειλαί) era a personificação das ameaças.Afeleia (Ἀφέλεια), era a personificação da humildade e da simplicidade. Afeleia era companheira de Aedos, a modéstia, e de Eulabeia, a discrição.