O Chevrolet Opala é o primeiro automóvel de passeio desenvolvido e fabricado pela General Motors do Brasil, de 1968 a 1992.
Lançado como concorrente do Ford Galaxie e do Dodge Dart, o Opala foi apresentado ao público brasileiro na edição de 1968 do Salão do Automóvel de São Paulo. Sua carroceria foi inspirada no alemão Opel Rekord, mas com estilo e mecânica do norte-americano Chevrolet Impala, o que fez a montadora batizá-lo com o acrônimo Opala (Opel+Impala). De forma rápida foi aceito pelo público, tornando-se um modelo consagrado.
Teve diversos usos, como veículo particular e viatura de polícia. Após mais de trinta anos do fim de sua fabricação, o modelo ainda é utilizado como carro diário, também atingindo o prestígio de objeto de coleção.E se a GM produzisse o Opala novamente?. Revista Auto Esporte.
História Projeto esquerda|miniaturadaimagem|Opel Rekord, que teve sua parte dianteira utilizada no projeto do Opala Enquanto a Ford planejava, desde 1965, um sedã de luxo com base no Galaxie americano, a General Motors só reagiu após o lançamento do Galaxie brasileiro, no V Salão do Automóvel de São Paulo, em 1966.
Para acelerar seu desenvolvimento, o novo modelo, denominado projeto 676, foi baseado no Opel Rekord Série C lançado na Alemanha em 1967. No entanto, o primeiro problema do projeto alemão foi o uso de unidades de medida do sistema métrico, enquanto no Brasil a General Motors empregava o sistema imperial. Para aproveitar o conjunto mecânico e motorização existentes no país, a fábrica adotou uma configuração incomum no novo modelo, com a metade traseira baseada no Rekord, com peças construídas no sistema métrico, enquanto a metade dianteira aproveitou projetos do Chevrolet Impala americano, feito no sistema imperial. A adoção dos dois elementos em um projeto obrigou a General Motors a manter duas linhas de montagem para o Opala, problema sanado apenas em 1979, com a unificação para o sistema métrico. esquerda|miniaturadaimagem|Chevrolet Impala dos anos 1960, cuja projeto da parte traseira foi utilizada no Opala A motorização escolhida foi uma adaptação do Chevrolet Stovebolt, utilizado inicialmente em 1929 e obsoleto à época. Algumas versões do Opala passaram a oferecer como opcional o novo motor Chevrolet Turbo-Thrift. Os motores de seis cilindros foram adaptados na carroceria do Rekord, com peças do Impala. Durante toda sua vida útil, o motor sofreu um problema crônico de vazamento de óleo. Como o custo de resolução era próximo ao do desenvolvimento de um novo propulsor, a General Motors preferiu ignora-lo até o final da produção do Opala. Outros problemas estavam relacionado ao consumo excessivo, vibrações do motor de quatro cilindros e problemas de equalização do conjunto de cilindros.
O projeto 676 levou cerca de dois anos para sua conclusão e foi apresentado na abertura do VI Salão do Automóvel de São Paulo, num sábado, dia 23 de novembro de 1968, já como linha 1969.
Foi fabricado ao longo de vinte e três anos e cinco meses, na cidade paulista São Caetano do Sul, localizada na Região Metropolitana de São Paulo, passando por atualizações estéticas e mecânicas, sendo mantido o projeto original até ao dia 16 de abril de 1992. Tinha duas opções de motorização, com quatro ou seis cilindros, sempre carburados, tanto para as versões básicas, luxuosas ou esportivas. É considerado um veículo robusto e confortável, com um bom espaço aos ocupantes.Opala: 40 anos de história. Auto Esporte, Editora Globo, Rio de Janeiro, RJ.
Nunca sofreu grandes mudanças, mantendo a mesma linha de cintura (desenho lateral) e motorização. Foi eleito pela Revista Autoesporte o Carro do Ano de 1972, prêmio vencido também pela Caravan, versão station wagon do Opala, em 1976.
Mais de um milhão de unidades foram produzidas. O veículo foi sucedido pelo Omega, também projeto da Opel.
Em sua campanha publicitária de lançamento, nos comerciais televisivos, personalidades de época, como o jogador de futebol Rivelino, o cantor Jair Rodrigues e a atriz Tônia Carrero, testavam o veículo e anunciavam as qualidades que ele oferecia, enquanto a propaganda impressa dava destaque para a robustez e performance.
Versões Standard / Especial Com o lançamento da linha Opala, em novembro de 1968, foram disponibilizadas duas versões, a básica, denominada Standard, que a partir de 1971 teve o nome alterado para Especial, e a Luxo.
Luxo A versão Luxo era a mais cara, com acabamento superior e cromados exteriores, sendo ofertados como opcionais freios a disco, teto de vinil e motor 3800. Posteriormente foi lançada uma versão superior, deixando esta como intermediária.
Gran Luxo Lançada em 1971, a Gran Luxo era posicionada como a versão topo de linha, com acabamento superior ao Luxo. Poderia-se optar pela versão coupé ou sedan, duas opções de motor, sendo a de quatro cilindros 2500 e a seis cilindros 3800, logo substituído pelo 4100, que antes era exclusividade da versão SS, e câmbio no assoalho.
Opala SS miniaturadaimagem|Opala SS 1978 Em 1971, a versão esportiva SS, na carroceria quatro portas, foi lançada para disputar o mercado de carros esportivos, vindo com acabamento diferenciado, como volante de 3 raios, rodas esportivas, painel com conta-giros de escala até 6 mil rpm e faixas esportivas com a inscrição SS nos para-lamas, tendo como destaque o então novo motor 4100, bancos individuais e câmbio de quatro marchas no assoalho.
A denominação original para SS é Super Sport, mas criou-se uma lenda que dizia ser as iniciais de Separated Seats, já que foi a primeira linha a sair de fabrica com dois bancos na frente, ou até mesmo Super Star, porém a GM nunca confirmou nem desmentiu tais afirmações.
No ano seguinte, com o lançamento da carroceria duas portas, quase todas as unidades SS foram montadas nesta configuração, havendo mínima produção na carroceria quatro portas, sendo logo retirada de oferta. Em 1973, com a crise do petróleo, a Chevrolet lançaria a versão SS4 do Opala, para 1974, com motor de quatro cilindros. Em 1975 o motor 250-S, o mesmo 4100, mas com tuchos mecânicos, seria lançado para rivalizar com os modelos Maverick GT, da Ford, e Charger R/T, da linha Dodge, ambos com motores V8.Clássicos: grandes brasileiros – Opala SS . Quatro Rodas, Editora Abril, São Paulo, SP.
Os modelos SS foram oferecidos até 1980, com alguma produção para 1981, sofrendo modificações conforme os anos, como a disposição das faixas e demais adereços.
Caravan miniaturadaimagem|Opala Caravan, utilizada como ambulância Desde o lançamento do Opala, a Chevrolet já pensava numa versão perua, conhecida por Caravan, o que ocorreu apenas em 1975, quando a linha Opala recebeu uma reestilização mais abrangente. Ela oferecia as mesmas opções de motores e acabamento, inclusive a esportiva SS, lançada em 1978. Ao contrário dos modelos de duas e quatro portas, a Caravan não recebeu a versão Diplomata, em 1980, quando esta fora lançada, mas apenas cinco anos depois.
Cogitou-se ainda a versão quatro portas, que nunca foi produzida em série, porém, a indústria de cabines duplas Sulam, em conjunto com a Concessionária Guaporé, desenvolveu uma reestilização com quatro portas, porém poucas unidades foram montadas. Nessa época seu concorrente direto era a Volkswagen Santana Quantum.
Comodoro miniaturadaimagem|Opala Comodoro 1978 No ano de 1975, somado à remodelação visual da linha e do lançamento da Caravan, houve a entrada de uma nova versão de luxo, em substituição à Gran Luxo, batizada de Comodoro, que trazia diferenciais como o interior com apliques de jacarandá, meio teto de vinil Las Vegas (exclusivo para o modelo coupé) e um filete pintado na linha de cintura da carroceria. Em 1980, a versão Comodoro seria reposicionada como opção intermediária na linha Opala (permanecendo até o encerramento desta) em função do lançamento da versão Diplomata, mas como versão topo de linha para a station wagon Caravan, esta lançada na versão Diplomata somente em 1986. Com o advento da linha 1988, a versão Comodoro seria rebatizada para Comodoro SL/E. Algumas edições especiais do Comodoro, na época sem distinção documentada, tinham teto vinílico, rodas esportivas de magnésio ou ainda teto solar. Essas versões, assim como a versão caminhonete (inspirada no V-8 El Camino) que teve apenas alguns poucos exemplares fabricados, são motivo de muitas discussões entre os especialistas em carros antigos.
Diplomata Para o ano de 1980, a linha Opala passou por uma remodelação mais profunda, assumindo formas mais retangulares nas lanternas dianteiras e traseiras. Embora recebesse uma reformulação externa, o interior do veículo só foi alterado na linha 1981, também com desenho retangular, com exceção do painel de instrumentos, que manteve relógios circulares, junto com um novo volante e novo acabamento. Quanto ao reposicionamento da alavanca do freio de estacionamento, esta veio nos modelos de 1979.esquerda|miniaturadaimagem|Opala Diplomata 1987 Nos modelos de 1980 surgiria também a nova versão topo-de-linha denominada Diplomata, mantendo como opcionais o revestimento de vinil, total ou parcial e oferecidos opcionalmente até 1982, e outros itens de conforto.
Em 1985 ocorrereu uma leve reestilização da linha Opala, como novas lanternas traseiras tricolores, atendendo a resolução do CONTRAN, e a incorporação faróis de milha aos faróis principais. O destaque maior foi nos itens de conforto oferecidos, como vidros, travas e retrovisores elétricos, assim como itens funcionais melhorados, como o desembaçador traseiro e direção ajustável.Clássicos: grandes brasileiros — Opala Diplomata . Quatro Rodas, Editora Abril, São Paulo, SP.
Na linha 1988, as versões foram renomeadas para SL, Comodoro SL/E e Diplomata SE. Havia ainda a versão L, restrito às frotas de pessoas jurídicas e governamentais. Recebeu modificações mais significativas na frente e na traseira, com poucas alterações no interior. Toda linha tem faróis trapezoidais, grade prateada, ou preta no modelo SL, lanternas traseiras coloridas e com nova disposição das luzes e apliques na seção central, onde fica a placa de licença, com exceção dos modelos SL, escondendo o bocal de combustível, e com diferentes cores, conforme a versão, sendo "Rubi" no Comodoro e "Fumê" no Diplomata.
No interior as novidades, como volante e grafismos nos instrumentos, agora com iluminação indireta, e alguns recursos então raros para o mercado nacional: ajuste de altura da coluna de direção de sete posições, ar condicionado com saída para os passageiros no banco traseiro, alarme sonoro para faróis ligados e temporizadores de faróis, da luz interna e dos controles de vidros. A partir daí, se seguiram vários retoques em detalhes estéticos e aprimoramentos mecânicos, elétricos e de conforto até o fim da sua produção. Para a linha 1989 deixava de ser produzida a versão duas portas.
Para o segundo semestre de 1990, o Diplomata SE deixou de contar com a motorização quatro cilindros, ao passo que o velho 4100 ganhou aprimoramentos visando economia. Na potência declarada, contudo, houve um acréscimo de 3 cv, tanto nas versões a álcool, quanto a gasolina. Os exemplares dessa safra, com motor "biela-longa" e demais aprimoramentos, no entanto, sem os para-choques envolventes, diferenciavam-se dos demais pela ausência de frisos no entorno da lanterna traseira. Vale lembrar que, os motores 4100 deixaram de ser oferecidos na versão movida a álcool a partir de 1990.
Fim da produção O último exemplar do Opala foi fabricado no dia 16 de abril de 1992, quando foi produzida a unidade número um milhão. A ocasião de seu encerramento mobilizou vários entusiastas e fãs do automóvel, que saíram em carreata nos arredores da fábrica em São Caetano do Sul, como protesto pela retirada do modelo de linha.