Cœlogyne é um gênero de plantas com aproximadamente 202 espécies que pertence à família das orquídeas, ou Orchidaceae. São facilmente reconhecidas por sua robustez e abundantes flores, intrigantes e delicadas, frequentemente de cor creme, mas também brancas, verdes ou alaranjadas, muitas das quais perfumadas durante o dia e que geralmente duram semanas.

Originárias de ampla área do Sudeste Asiático, e Sudoeste do Pacífico, a variedade deste gênero é muito grande. Há espécies grandes e pequenas, algumas têm pseudobulbos espaçados em vários centímetros, outras os têm amontoados, sempre com uma ou duas folhas. Suas flores crescem tanto do ápice dos pseudobulbos como de um broto novo e podem ser pendentes ou em inflorescências eretas. Em todas as estações há espécies floridas, porém a maioria floresce durante a primavera.

Algumas espécies são amplamente cultivadas em todo o mundo; entretanto, como a maioria delas cresce rapidamente, logo se transformam em um problema para colecionadores de orquídeas com espaço insuficiente. De modo geral os cultivadores escolhem umas poucas espécies para ter em suas coleções, mas elas estão sempre presentes.Williams, Bryan (1980). Orchids. Salamander.

Existem registros da antiga utilização dos pseudobulbos de algumas espécies para fins medicinais na China, entretanto modernamente sua utilidade é exclusivamente ornamental.Pridgeon, Alec M.; Cribb, Phillip; Chase, Mark W.; Rasmussen, Finn N. (2005). Genera Orchidacearum: Epidendroideae vol. 4. OUP Oxford ISBN 978-0198507123

Etimologia O nome deste gênero "Cœlogyne" (Cœl.) deriva da latinização de duas palavras gregas: κοῖλος (koilos), que significa cavidade, côncavo, profundo; e γυνή (gyné), que significa mulher, fêmea, numa referência à profunda cavidade estigmática do gênero, bem semelhante à genitália feminina.

Sinônimos:

Bolborchis Chelonanthera Bl. (1825) Gomphostylis Wall ex Lindley 1836 Hologyne Pfitz. (1907) Ptychogyne Pfitz. (1907)

Distribuição thumb|left|Monte Kinabalu: Um importante centro de biodiversidade em Borneu onde encontram-se diversas espécies endêmicas de Coelogyne.Woods, J.J.,Beaman, R.S. e Beaman, J.H. (1993). The Plants of Mount Kinabalu: Part 2. Orchids. Kew Publishing. ISBN 0 947643 46 XAs espécies de Coelogyne são originárias de ampla área do Sul e Sudeste Asiáticos, estendendo-se desde o Himalaia, Índia e Sri Lanka, ocorrendo em todos os países continentais entre estes e a Península da Malásia, e também em quase todas as ilhas do Sudoeste do Pacífico, chegando até as Ilhas Fiji, Nova Caledônia e Ilhas de Reunião.

Apresentam dois pontos principais de dispersão, a cadeia de montanhas do Himalaia e duas ilhas do sudeste do Pacífico, especificamente BornéuWood, J.J. (2004). Orchids of Borneo, Vol. 4: Revised Classification & Selection of Species Sabah Society and Kew Publishing. ISBN 967 99947 5 9 e Sumatra.Comber, J.B. (2001); Orchids of Sumatra; Ed.:Royal Botanic Gardens, Kew Publishing. ISBN 1842460277. Pelo fato de estarem dispersas por tantas ilhas o número de espécies endêmicas, que só ocorrem em um local específico, é muito elevado, ultrapassando 70% das espécies.

Cerca de 30% das espécies são bem conhecidas e comuns em cultivo, outros 30% são espécies conhecidas mas raras em cultivo, 30% são espécies muito raras tanto na natureza como em cultivo; e os 10% restantes são espécies conhecidas somente pela sua publicação original, as quais nunca foram registradas novamente, permanecendo como espécies duvidosas ainda por serem esclarecidas, plantas aberrantes, extintas, ou possíveis sinônimos das espécies conhecidas.Clayton, Dudley (2002). The genus Coelogyne - a synopsis. Natural History Publications (Borneo), Kota Kinabalu in association with Royal Botanic Gardens, Kew. ISBN 983 812 048 0

Bornéu é o local onde é registrada a ocorrência de mais espécies,Wood, J.J. and Cribb, P.J. (1994). A Checklist of the Orchids of Borneo. Kew Publishing. ISBN 0 947643 59 1 65, a grande maioria endêmica. O Himalaia registra 43 espécies, seguido por SumatraComber, J.B. (2001). Orchids Of Sumatra. Kew Royal Botanic Gardens. ISBN 1842460277 com 40, Tailândia e Indochina com 34 e a Península da Malásia com 24.

Habitat e hábito thumb|left|Vista no Monte Bukit Terisek: Situado no parque Nacional Taman Negara, Malásia, coberto por floresta tropical úmida. Desde as florestas tropicais quentes do litoral até às florestas chuvosas das montanhas frias do Himalaia, do nível do mar até três mil metros de altitude. Há espécies de clima frio, intermediário ou quente, seco ou úmido, sombrio ou luminoso. De modo geral são epífitas, ocasionalmente rupícolas ou terrestres em locais mais frios e abertos.Labe,Phillippe (2002). Les Coelogyne. Boletim da OCP francesa.

A diversidade das espécies aumenta com a altitude, através de seus quatro principais habitats:

Florestas perenes litorâneas úmidas até 1,5 mil metros de altitude, onde a chuva e a temperatura são mais uniformes ao longo do ano e esta raramente baixa de 21 °C. Nesta área geralmente são epífitas e com folhas largas pois a luminosidade é baixa. Não são comummente encontradas próximas ao solo, a menos que estejam em escarpas ou áreas muito íngremes. A popular Coelogyne mayeriana habita este tipo de floresta.O'Byrne, Peter (1994). Lowland orchids of Papua New Guinea. SNP Publishers ISBN 978-9810060824 Florestas tropicais de monções, também até 1,5 mil metros de altitude. As espécies desta área estão mais acostumadas a certa sazonalidade, enfrentando clima seco durante parte do ano e, conforme a altitude, frio moderado também. Algumas das espécies encontradas aqui estão entre as mais comuns em cultivo, tais como Coelogyne cristata, Coelogyne flaccida e Coelogyne nitida.Comber, J.B. (1990). Orchids Of Java. Kew Royal Botanic Gardens. ISBN 947643214 Florestas tropicais de altitude, entre 900 e 1,8 mil metros, principalmente em três das grandes ilhas do Pacífico, Bornéu, Sumatra e Java, onde o clima é similar ao das florestas perenes, porém diminui a temperatura com a altitude. A espécie mais comum aqui é a Coelogyne tomentosa, mas é uma das áreas com maior número de espécies.Wood, J.J. (1997). Orchids Of Borneo. The Sabah Society and Kew: Bentham-Moxon Trust, Volume 3. ISBN 967 99947 5 9 Florestas tropicais de altitude, entre 1,5 mil e 2,9 mil metros, com temperaturas ainda mais frias, encontram-se espécies vivendo epífitas ou sobre as rochas e amontoados de folhas secas entre a densa camada de arbustos e ervas que cobrem o solo destas matas. Nesta área poucas espécies existem, vale notar a Coelogyne mooreana.Chan, C.L. (1994). Orchids Of Borneo. The Sabah Society and Kew: Bentham-Moxon Trust, Volume 1. ISBN 967 99947 3 2

Descrição thumb|right|Coelogyne fuscescens: Vista mostrando os pseudobulbos alongados e inflorescência proteranta dessa espécie. thumb|right|Coelogyne pulchella: Uma espécie raramente vista em cultivo, mostrando a inflorescência ereta e vistosas flores de tamanho médio. thumb|right|Coelogyne tomentosa: Detalhe das calosidades presentes no labelo das flores dessa espécie que no Brasil é erroneamente conhecida como Coelogyne massangeana. Sempre crescendo de modo simpodial, tanto cespitoso como escandente ou pendente, com rizomas que podem chegar a mais de 15 cm de comprimento, as Cœlogyneces (plural de Cœlogyne) são plantas invariavelmente robustas. São consideradas grandes entre as orquídeas, como a Coelogyne rumphii e a Coelogyne trinervis, que podem atingir até 70 centímetros de altura, ou pequenas, como a Coelogyne ovalis e Coelogyne miniata, que não passam de 20 centímetros, porém, quando bem cultivadas, sempre crescem profusamente, tornando-se touceiras de tamanho considerável.

As principais características que diferenciam as Cœlogyneces dos outros gêneros de sua subtribo estão principalmente no labelo e coluna de suas flores. O labelo é sempre livre, nunca em formato de saco; sempre com três lobos mais ou menos evidentes, os laterais eretos ao lado da coluna; apresenta calosidades simples ou complicadas, com verrugas, papilas ou pêlos e pode conter diversas lamelas paralelas que se estendem por sob a coluna, a qual é sempre é alada ou espatulada.

Muitas das espécies emitem forte perfume e são polinizadas por abelhas, vespas e besouros.

Os pseudobulbos Apresentam formatos e tamanhos variadíssimos, ovais, fusiformes, tetragonais, medindo de 3 a 20 cm de comprimento, comportando uma ou duas folhas de formatos e tamanhos variados, mais ou menos coriáceas com uma ou diversas nervuras pelo verso.

A inflorescência Têm comprimentos e aparências variadas, retas ou em zig-zag, podem ser pendentes (Coelogyne flaccida) arqueadas (Coelogyne mayeriana) ou eretas (Coelogyne calcicola e a raríssima Coelogyne pulchella), apresentando poucas ou muitas flores, e brotam de quatro modos diferentes denominados:

Histerantas, quando a inflorescência brota do ápice de um pseudobulbo maduro, por exemplo na Coelogyne lawrenceana; Sinantas, quando a floração ocorre ao mesmo tempo em que cresce um novo pseudobulbo (ex.: Coelogyne speciosa e Coelogyne parishii); Proterantas, quando a inflorescência nasce junto com as folhas mas antes do desenvolvimento do pseudobulbo (ex.: Coelogyne lentiginosa, Coelogyne fuscescens e Coelogyne cristata); Heterantas, quando cresce de um broto basal, onde nunca desenvolver-se-ão as folhas e pseudobulbo novos (ex.: Coelogyne flaccida).

As flores Abrem simultaneamente (Coelogyne trinervis e Coelogyne suaveolens) ou em sucessão rápida (Coelogyne lawrenceana) ou durante meses (Coelogyne bilamellata e Coelogyne speciosa) e podem apresentar brácteas persistentes ou caducas. São pequenas como na Coelogyne miniata e Coelogyne ovalis, médias (Coelogyne viscosa e Coelogyne tomentosa) ou grandes (Coelogyne lawrenceana). Podem ser vistosas (Coelogyne cristata e Coelogyne barbata) ou discretas (Coelogyne bilamellata e Coelogyne speciosa). A cores variam entre amarelo, verde, alaranjado, salmão e marrom claro, porém as mais comuns apresentam cor creme ou branca, quase sempre com labelo de cor contrastante ou com vistosa mácula. A coluna contém dois pares de polínias abrigadas por antera ventral na extremidade da coluna.

Taxonomia thumb|left|175px|John Lindley: Botânico inglês que estabeleceu o gênero Coelogyne e descreveu grande número de suas espécies.

Coelogyne Lindl., Coll. Bot.: t. 33 (1824), está subordinado à subtribo Coelogyninae, tribo Arethuseae da subfamília Epidendroideae de Orchidaceae. A espécie tipo é a Coelogyne cristata Lindl..Etimologia: O nome do gênero vem do grego Kailus, que significa oco, e gyne que significa fêmea, referindo-se à grande cavidade estigmática existente na coluna de suas flores.Sinônimos: Hologyne Pfitzer,Pfitzer em H.G.A.Engler (ed.), Pflanzenr., IV, 50(32): 131 (1907). espécie tipo Hologyne miniata (Blume) Pfitzer; e Ptychogyne Pfitzer,Pfitzer em H.G.A.Engler (ed.), Pflanzenr., IV, 50(32): 18 (1907). espécie tipo Ptychogyne flexuosa (Rolfe) Pfitzer.

Histórico No decorrer de suas expedições pelo sudeste asiático o explorador dinamarquês Nathaniel Wallicch enviou do Nepal três espécimes de plantas então desconhecidas da ciência ao botânico inglês John Lindley. Em 1821 Lindley afirma estar em posse de três espécies de orquídeas diferentes de qualquer outro gênero então conhecido; distintas pela sua peculiar cavidade estigmática, posicionamento da antera, formato da coluna e modo de crescimento, concluindo então tratar-se de um gênero novo ao qual chamou Coelogyne. Eram estas espécies a Coelogyne cristata, Coelogyne punctulata e Coelogyne nitida. Logo depois acrescenta mais duas, a Coelogyne fimbriata, e a Coelogyne speciosa.Lindley, John (1821). Collectanea botanica, or, Figures and botanical illustrations of rare and curious exotic plants, London, printed by Richard and Arthur Taylor, Shoe-Lane.