Alberto Granado Jiménez (Córdoba, 8 de agosto de 1922 — Havana, 5 de março de 2011) foi fundador da Escola de Medicina de Santiago de Cuba e escritor, era filho de um imigrante espanhol que trabalhava como condutor de trem, foi o companheiro de Che Guevara (1928-1967) em uma viagem pela América Latina em 1952. Percorreram 10 mil quilômetros a bordo de uma antiga motocicleta inglesa de Alberto (Norton de 500 cc), batizada de "La Poderosa II" em homenagem a uma velha bicicleta da sua juventude, a "La Poderosa I".

Biografia Na época da viagem com Che Guevara, Alberto era um jovem bioquímico de 29 anos, amante das farras, literatura e medicina. Seu apelido era "Petiso" (Baixinho) porque tinha menos de 1,52 de altura. Adorava dançar, beber vinhos, organizar times de futebol e de rúgbi e escrever para um jornal. Para ele, o mais importante era ter uma família, conhecer o mundo e fazer pesquisa em sua área médica. Sonhava ser um pesquisador.

Aos 20 anos, quando cursava o primeiro ano de bioquímica e farmacologia na Universidade de Córdoba, Alberto conheceu Ernesto Guevara, então com quatorze anos, num treino de rúgbi. Alberto era o treinador do time local de rúgbi, o Estudiantes, e o aceitou na equipe. Eles se tornaram amigos íntimos. Alberto ganhou de Ernesto o apelido de Mial, que significa mi Alberto.

Em novembro de 1943, Alberto Granado foi preso na penitenciária central de Córdoba, localizada na Plaza San Martín, junto com estudantes e professores que protestavam nas ruas da cidade contra as medidas repressivas adotadas pelo Ministro da Guerra General Pedro Ramírez. Na cadeia, recebia as visitas do amigo Ernesto e de seus irmãos que levavam comida. A libertação aconteceu no início de 1944.

Quatro anos depois, formou-se em medicina e passou a se dedicar à pesquisa científica. Em 1950, trabalhava no leprosário José J. Puente, em San Francisco del Chanar, onde fazia pesquisas sobre as susceptibilidades imunológicas dos leprosos.

A viagem pela América Latina aconteceu dois anos depois e é descrita no filme Diários de Motocicleta (2004), do brasileiro Walter Salles. Para escrever o roteiro do filme, Salles contou com o apoio de Alberto e seus relatos no livro Travelling with Che Guevara: The Making of a Revolutionary, originalmente publicado em espanhol em Cuba em 1978. A primeira tradução em inglês foi publicada pela Random House UK em 2003.

A ideia de viajar pelo continente sul-americano partiu de Alberto. Há anos ele sonhava com a viagem, mas até então não tinha tomado nenhuma iniciativa. Sua família considerava "a viagem de Alberto" como uma fantasia. No entanto, com quase 30 anos de idade, Alberto convidou Ernesto para a aventura. O jovem Che, então com 23 anos, estava cansado da rotina de aulas e prova da faculdade de medicina e aceitou na hora.

A viagem aconteceu na improvisação. Em 4 de janeiro de 1952, os dois jovens argentinos saíram de Córdoba, passaram pelo Chile, Peru, Colômbia e, oito meses depois, no dia 26 de julho, separaram-se na Venezuela. Eles viveram experiências cruciais, entre elas a passagem por uma colônia de leprosos de San Pablo, no Peru, e só voltaram a se encontrar depois de 8 anos.

Depois da viagem com Ernesto, Alberto radicou-se em Caracas, na Venezuela, onde se casou em 1955 com a venezuelana Delia. O casal ficou menos de cinco anos na Venezuela e teve três filhos.

O reencontro com Che Guevara aconteceu no dia 24 de julho de 1960, no Banco de Cuba. Alberto chegou ao local com sua família e decidiu abandonar seu trabalho na faculdade na Venezuela e ficar de vez no país. Chegou a ensinar bioquímica na Universidade de Havana e ocupou uma posição no Ministério da Saúde.

Uma vez em Cuba, Alberto não pegou em armas. Segundo o livro Che Guevara, uma biografia, escrito por Jon Lee Anderson, suas discussões de mudar o mundo eram apenas teóricas. "Se olhasse pela luneta de um fuzil para um soldado, Alberto veria um homem com mulher e filhos – enquanto Che, puxava o gatilho porque, ao matá-lo, estava ajudando a diminuir a repressão."

Ainda segundo a obra de Anderson, ele era "uma das poucas pessoas que podiam criticar Che na sua frente sem que nada acontecesse". Ele o contestava sobre excesso de rigidez na sua personalidade e seu desprezo pelos "covardes", mentirosos e puxa-sacos.

Em outubro de 1961, Alberto mudou-se com sua família de Havana para Santiago com a intenção de instalar uma escola de pesquisas biomédicas na universidade da cidade. Um ano depois, ajudou Che a recrutar argentinos para participar de uma guerrilha.

Os velhos amigos se viram pela última vez durante um jantar no restaurante Fontana de Trevi, na companhia das suas mulheres, Aleida e Delia, respectivamente. Che tinha, a essa altura, pedido a Fidel Castro a demissão do Ministério da Indústria para dar início a sua viagem ao exterior, iniciada em dezembro de 1964.

Especialista em genética molecular, Alberto aposentou-se em 1994. Antes de falecer, morava em Cuba com a família, mantinha seu gosto por rum e tango e costumava viajar pelo mundo fazendo palestras sobre o amigo Che e as experiências que compartilharam. Ele falava do Che médico, do Che esportista e do Che ideólogo. Publicou alguns livros sobre seu relacionamento com ele. Conserva-se um entusiasta da revolução organizada por Fidel Castro.

Morte Granado morreu de causas naturais em 5 de março de 2011, aos 88 anos de idade. De acordo com a rede de televisão cubana, Granado desejava que seu corpo fosse cremado e suas cinzas espalhadas em Cuba, Argentina e Venezuela.

Sua morte ocorreu coincidentemente no 51º aniversário da famosa foto de Che Guerrillero Heroico tirada por Alberto Korda.

Família Com sua esposa venezuelana Delia Maria Duque (casou-se em 1955), ele teve três filhos (Alberto, Delita e Roxana). Um de seus filhos, também chamado Alberto Granado, é dono da Cuba's Africa House, um centro em Havana que celebra a cultura africana.

Itinerário da viagem com Che pela América Latina Argentina Córdoba, dezembro de 1951 Buenos Aires, saída em 4 de janeiro de 1952 Villa Gesell, 6 de janeiro Miramar, 13 de janeiro Necochea, 14 de janeiro Bahia Blanca, chegada em 16 de janeiro e partida no dia 21 do mesmo mês Caminho para Choele Choel, 22 de janeiro Choele Choel, 25 de janeiro Piedra del Águila, 29 de janeiro San Martín de los Andes, 31 de janeiro Nahuel Huápi, 8 de fevereiro Bariloche, 11 de fevereiro

Chile Peulla, 14 de fevereiro Temuco, 18 de fevereiro Lautauro, 21 de fevereiro Los Angeles, 27 de fevereiro Santiago do Chile, 1º de março Valparaíso, 7 de março A bordo do San Antonio, 8 a 10 de março Antofogasta, 11 de março Baquedano, 12 de março Chuquicamata, 12 de março Iquique, 20 de março Arica, 22 de março

Peru Tacna, 24 e 25 de março Puno, 26 de março Velejam do lago Titicaca, 27 de março Juliaca, 28 de março Sicuani, 30 de março Cuzco, 31 de março a 3 de abril Machu Picchu, 4 e 5 de abril Cuzco, 6 e 7 de abril Abancay, 11 de abril Huancarama, 13 de abril Huambo, 14 de abril Huancarama, 15 de abril Andahuaylas, 16 a 19 de abril Ayacucho, 22 de abril La Merced, 25 e 26 de abril Entre Oxapampa e San Ramón, 27 de abril San Ramón, 28 de abril Tarma, 30 de abril Lima, 1º a 17 de março Cerro de Pasco, 19 de maio Pucallpa, 24 de maio A bordo do La Cenepa, rio Ucayali, 25 a 31 de junho Iquitos, 1º a 5 de junho A bordo do Cisne, 6 a 7 de junho San Pablo, colônia de leprosos, 8 a 20 de junho A bordo do Mambo-Tango, no rio Amazonas, 21 de junho

Colômbia Leticia, 23 de junho a 1º de julho Em trânsito em Tres Esquinas, 2 de julho Madri, aeroporto militar a 30 km de Bogotá Bogotá, 2 a 10 de julho Cúcuta, 12 e 13 de julho

Venezuela San Cristóbal, 14 de julho Entre Barquisimento e Corona, 16 de julho Caracas, 17 a 26 de julho Fonte: De Moto pela América do Sul, de Ernesto Che Guevara (Sá Editora, 2003);

Bibliografia De Moto pela América do Sul, de Ernesto Che Guevara (Sá Editora, 2003). Che Guevara, uma biografia, de Jon Lee Anderson (Editora Objetiva, 2005). Travelling with Che Guevara: The Making of a Revolutionary, de Alberto Granado. Back on the Road: A Journey Through Latin America, de Alberto Granado (Editora Grove Press, 2002). Con El Che Guevara de Cordoba a la Habana, de Alberto Granado (Editora Op Oloop Ediciones, 1995).

Ver também Che Guevara Che Guevara (foto) Fidel Castro Comunismo Diarios de motocicleta

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