thumb|right|200px|Empresa do rei D. Manuel I de Portugal (esfera armilar), exibida na fachada da Igreja Matriz da Golegã. No âmbito da heráldica, uma empresa ou divisa constitui uma fórmula emblemática constituída por uma imagem (designada "corpo") e por um lema (designado "alma"). Se a empresa contém corpo e alma é considerada "perfeita", mas se contém apenas um daqueles dois elementos é considerada "imperfeita".AMARAL Jr., Rubem, Emblemática Lusitana e os Emblemas de Vasco Mousinho de Castelbranco (Edição 2005), Lisboa: Centro de História da Universidade de Lisboa, 2005

As empresas surgiram inicialmente como símbolos pessoais, por vezes circunstanciais, por oposição aos brasões de armas que eram símbolos familiares e hereditários. Algumas empresas acabaram contudo por se tornarem hereditárias. O desenho da parte figurativa das empresas não está tão rigidamente sujeito às regras da heráldica, como o dos brasões, sendo aquelas por isso frequentemente consideradas como emblemas para-heráldicos. A moda do uso de empresas, sobretudo no seio das classes altas europeias, teve ou seu auge nos séculos XV e XVI.AMARAL Jr., Rubem, Emblemática Lusitana e os Emblemas de Vasco Mousinho de Castelbranco (Edição 2005), Lisboa: Centro de História da Universidade de Lisboa, 2005SEIXAS, Miguel Metelo de, Quinas e Castelos, Sinais de Portugal, Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2019SOBRAL, J. "Divisas reais portuguesas", Audaces, 2009SEIXAS, Miguel Metelo de, "As armas e a empresa do rei D. João II. Subsídios para o estudo da heráldica e da emblemática nas artes decorativas portuguesas", in MENDONÇA, Isabel (coord.), As Artes Decorativas e a Expansão Portuguesa. Imaginário e Viagem, Lisboa: FRESS/ESAD, CCCM, 2010

Empresa vs. emblema Ainda que coloquialmente o termo "emblema" seja frequentemente usado como referência a uma "empresa", conceitualmente os dois termos referem-se a realidades distintas no âmbito da emblemática. Assim, um emblema é definido como a representação de uma ideia ou conceito universal, sendo constituído por três elementos: um lema, uma gravura e uma glosa ou comentário. Já a empresa é definida como a representação de um objetivo, vontade ou linha de conduta individual, sendo apenas constituída por figura e lema. O termo "divisa", que no seu sentido original é equivalente a "empresa", acabou contudo por passar a ser frequentemente usado, num sentido mais restrito, para designar apenas o lema ou seja a alma de uma empresa.

Origem thumb|right|200px|O duque João I da Borgonha, o Temerário, ostentando plainas douradas (a sua empresa pessoal) bordadas na roupa. As empresas começaram a surgir provavelmente quando os brasões de armas se fixaram como símbolos hereditários de linhagem, perdendo assim o seu caráter original de emblemas individuais, livremente escolhidos como forma de expressão identitária pessoal. ORCEL, Michel, PÉRÈS, A., Dictionnaire raisonné des devises, tome I, Nice: Arcades Ambo, 2017

Neste contexto, os titulares de brasões de armas, começando pelos filhos segundos das casas reinantes, embora originários de linhagens soberanas, sentiram a necessidade de se demarcar dos ramos principais das mesmas e de afirmarem as suas particularidades. É assim que a moda das empresas conhece o seu maior esplendor a partir do início do século XV, começando pela França, onde os diversos ramos secundários da casa real capetiana afirmam, num último florescimento, a sua autonomia face a uma monarquia muito enfraquecida. Isto justifica o intenso uso de empresas pelos membros das cortes de Borgonha, de Bourbon e de Valois-Anjou, cujos príncipes são filhos segundos ou descendentes de filhos segundos dos reis de França, mas que encabeçam agora verdadeiros principados territoriais que se pensavam então como eternos e em via de se estabelecerem como verdadeiras monarquias.

Através do efeito de emulação das elites, as empresas difundem-se, passando dos príncipes para os restantes membros da aristocracia e para todos os membros da sociedade que dispõem de poder e fortuna suficientes para empreender uma política de ostentação.

Empresas célebres Titular Corpo Alma Casa de BragançaCordas com nósDepois de vós, nós Casa de SabóiaLaço de amorFERT InglaterraRosa de TudorAfonso de Bragança, marquês de ValençaDois guindastes afrontados ligados por uma cordaNeminis João I da Borgonha Plaina com cavacos de madeiraJe le tiens / Ik Houd Luís I de OrleãesCajado nodosoJe l'ennuie Carlos VI da FrançaVagem de giestaJamais Filipe III da BorgonhaFuzil com pederneira e faíscasAultre n'auray Maria de Borgonha Cordeiro branco Carlos V da AlemanhaColunas de HérculesPlus ultra Galeácio Maria SforzaDois baldes de água pendentes de braços de suporte em brasaÀ bon droit João II de PortugalPelicano alimentando suas crias com o seu próprio sanguePola lei e pola grei Carlos III de BourbonUma espada nua ardenteSpes / Espérance Ana da BretanhaArminho brancoÀ ma vieManuel I de PortugalEsfera armilarSpera mundiHenrique, o infante de SagresRamos de carrasqueiroTalant de bien faireLeonor de Viseu, rainha de PortugalCamaroeiroPreciosior est cumctis opibusLeonor de Portugal, imperatriz da AlemanhaLírio brancoPer bom amorLuís XII da FrançaPorco-espinhoPríncipes de GalesCoronel e três penasIch dienAfonso V de PortugalRodízio aspergindo gotasJamaisLuís XIV de FrançaSolNec pluribus imparFrederico Guilherme I da PrússiaÁguia voando e mirando o SolNon soli ceditNEUBECHER, Ottfried, HARMIGNIES, Roger (adap. francesa), "Les devises figurées", Le grand livre de l'Héraldique, Paris: Bordas, 1995

Bibliografia LÓPEZ POZA, Sagrario, "La base de datos Symbola de divisas o empresas históricas. Planteamiento y diseño conceptual", Corunha: Studia Aurea, 2017

Ver também Emblema Insígnia Distintivo Marca Sinal (semiótica) Símbolo

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