Manuel Rio (nascido Manuel Coelho da Silva, em 1937), também referido bibliograficamente como Manuel Coelho da Silva Rio, é um escritor, dramaturgo e editor português, autor de obras em português e em francês. Instalado em França em 1966, dirigiu as publicações bilingues antifascistas Portugal Livre (1967–1975) e Portugal Enchaîné (1969–1973), ligadas ao Comité Portugal Livre e dedicadas à oposição ao Estado Novo.

Durante o exílio, a sua atuação foi contestada por outros setores da oposição portuguesa, alguns dos quais suspeitavam que fosse informador ou provocador da PIDE. Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, foi detido em Portugal durante algumas semanas sob suspeita de colaboração com a polícia política; depois de libertado, regressou a França.

Biografia e atividade editorial

Segundo o historiador Victor Pereira, Manuel Rio — cujo nome de nascimento era Manuel Coelho da Silva — estabeleceu-se em França em 1966. A Bibliothèque nationale de France descreve-o como militante antifascista exilado naquele país e como autor dramático, assinalando que escreveu também em francês.

Em Paris, Rio esteve ligado ao Comité Portugal Livre. Dirigiu Portugal Livre, uma publicação bilingue, em francês e português, editada pelo comité entre 5 de outubro de 1967 e 10 de dezembro de 1975. O periódico, proibido em Portugal durante a ditadura, publicou textos de oposição ao regime salazarista e marcelista.

Dirigiu igualmente Portugal Enchaîné, suplemento de Portugal Livre publicado, de forma irregular, entre setembro de 1969 e junho de 1973. Também bilingue, a publicação apresentava-se como um órgão de combate ao salazarismo. Além dos periódicos, Rio publicou numerosos livros, folhetos e textos em que denunciava a ditadura portuguesa e defendia a luta armada contra o regime.

Restrições administrativas e campanha contra a expulsão

Em maio de 1972, um apelo publicado em Le Monde libertaire noticiou que o Ministério do Interior francês proibira Rio de entrar e permanecer nos departamentos de Altos do Sena, Seine-Saint-Denis, Vale do Marne e Essonne. O texto sustentava que as restrições comprometiam a sua atividade de escritor e jornalista, bem como a continuidade de Portugal Livre, e as equiparava a uma expulsão.

Nesse ano, a eventual expulsão de Manuel Rio de França motivou igualmente diligências internacionais. Uma carta conservada na Fundação Mário Soares regista uma representação do Comité Venezuelano Pró-Democracia e Liberdade de Portugal perante a comissão francesa competente para os recursos de refugiados.

No ano seguinte, o próprio Portugal Livre publicou o artigo «Contra a expulsão de Manuel Rio». O jornal atribuía a iniciativa ao governo de Marcello Caetano e afirmava que as autoridades francesas ainda não a tinham executado.

Controvérsias e detenção em 1974

A visibilidade pública de Rio e as advertências que recebeu das autoridades francesas alimentaram desconfianças entre opositores portugueses ao Estado Novo. Segundo Victor Pereira, vários militantes suspeitaram que Rio fosse informador da PIDE ou um provocador; o historiador refere essas acusações como suspeitas que circulavam nos meios da oposição.

Depois do 25 de Abril de 1974, Rio foi detido em Portugal durante algumas semanas por suspeita de colaboração com a polícia política. Libertado, regressou a França, onde passou a denunciar aquilo que qualificava como uma «ditadura social-comunista» em Portugal e continuou a publicar.

Obra

O catálogo da Bibliothèque nationale de France associa Manuel Rio a dezenas de obras, além dos dois periódicos que dirigiu. A sua produção inclui teatro, poesia, ensaio político, textos sobre religião e filosofia e, numa fase posterior, livros sobre o cancro. Entre os seus títulos encontram-se:

O Ingénuo Henrique (1968), comédia; Afrodite no altar (1969); Este Portugal (1970); Portugal oprimido (1971); Anos proibidos (1972); Como vencer o fascismo (1972); Crime au Vatican (1972); Cartas ao Papa (1974); Confidências (1974); Dieu est une femme (1975); O Futuro de Portugal (1977); Sayonara: poèmes japonais (1977); Amours et révoltes (1978); Japon, un autre monde (1979); De la nature et des mécanismes de la pensée (1980); La Fin du cancer (1984).

Espólio e documentação

O Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra conserva o fundo «Manuel Coelho da Silva Rio», com documentação datada sobretudo de 1967 a 1979. O conjunto inclui monografias, periódicos, cartazes, comunicados e panfletos relativos à oposição democrática portuguesa em França e ao Comité Portugal Livre. A Bibliothèque nationale de France conserva igualmente uma coleção de folhetos e documentos sobre Rio datados de 1973.

Bibliografia sobre o autor

Ver também

Oposição à ditadura portuguesa Emigração portuguesa em França Revolução dos Cravos

Referências

Ligações externas

Categoria:Nascidos em 1937 Categoria:Escritores de Portugal Categoria:Dramaturgos de Portugal Categoria:Editores de Portugal