James "Jim" Alvin Palmer (Nova Iorque, 15 de outubro de 1945) é um ex-jogador profissional de beisebol norte-americano que atuou como arremessador por 19 temporadas na Major League Baseball (MLB), todas pelo Baltimore Orioles (1965–1967 e 1969–1984).
Palmer foi o arremessador com mais vitórias da MLB na década de 1970, com 186 triunfos. Nesse período, também venceu pelo menos 20 partidas em oito temporadas diferentes, além de conquistar três Prêmios Cy Young e quatro Prêmios Gold Glove. Suas 268 vitórias pelo Orioles são o maior número da história da franquia. Seis vezes selecionado para o All-Star Game da Liga Americana, Palmer também foi um dos poucos arremessadores que jamais permitiram um grand slam em uma partida das grandes ligas.
Palmer disputou a pós-temporada em oito ocasiões e foi peça importante de três equipes campeãs da World Series, seis campeãs da Liga Americana e sete vencedoras da Divisão Leste. É o único arremessador da história a conquistar uma vitória em um jogo da World Series em três décadas diferentes. Também é o jogador mais jovem a lançar um jogo completo sem sofrer corridas em uma World Series: alcançou o feito em 1966, nove dias antes de completar 21 anos, ao derrotar Sandy Koufax naquela que seria a última partida da carreira do astro. Palmer integrou ainda a rotação de arremessadores do Orioles em 1971, a última da história a contar com quatro arremessadores que venceram pelo menos 20 jogos na mesma temporada. Em 1990, foi eleito para o Hall da Fama do Beisebol em seu primeiro ano de elegibilidade.
Após encerrar a carreira como jogador, em 1984, Palmer passou a trabalhar como comentarista esportivo nas transmissões de partidas da MLB pela ABC e pela ESPN, além das transmissões dos jogos do Orioles por outras emissoras. Também se tornou um conhecido garoto-propaganda, principalmente da Jockey International, para a qual trabalhou por quase 20 anos. Na década de 1960, recebeu o apelido de "Cakes" por seu hábito de comer panquecas no café da manhã nos dias em que iria arremessar.
Primeiros anos James Alvin Palmer nasceu em Manhattan, Nova Iorque, em 15 de outubro de 1945. Seus pais biologicos entregaram o filho recém-nascido para adoção e ocultou informações no registro de nascimento. No documento, Palmer aparece como “Baby Boy Kennedy”, com o pai registrado como Maroney e a mãe como Kennedy. Dois dias após seu nascimento, Palmer foi adotado por Moe Wiesen e sua esposa, Polly, respectivamente um rico estilista de vestidos de Manhattan e proprietária de uma boutique. O casal morava na Park Avenue. O mordomo da família ensinou o jovem Jim a lançar uma bola de beisebol no Central Park. Depois que seu pai adotivo morreu de um ataque cardíaco, em 1955, Jim, então com nove anos, mudou-se com a mãe e a irmã para Beverly Hills, Califórnia, onde começou a jogar beisebol em ligas juvenis. Em 1956, sua mãe se casou com o ator Max Palmer, mas Jim continuou usando o nome Jim Wiesen até o ano seguinte. Em um banquete da Little League, pouco antes de receber um prêmio, pediu aos técnicos que o apresentassem como “James Alvin Palmer”. “Durante todos esses anos, aquela noite foi o momento mais importante de toda a minha vida”, recordou Max.
Jim jogava beisebol pelo Beverly Hills Yankees, como arremessador e também como jogador de campo externo, posição em que rebatia home runs. A família acabou se mudando para Scottsdale, Arizona, onde Jim praticou beisebol, basquete e futebol americano na Scottsdale High School. Recebeu honras de All-State em cada um desses esportes e se formou em 1963. A Universidade do Sul da Califórnia, a UCLA e a Arizona State ofereceram-lhe bolsas de estudos integrais, enquanto Stanford também lhe ofereceu uma bolsa parcial.
Bobby Winkles, de Arizona State, sugeriu que Palmer adquirisse mais experiência durante o verão. Palmer então foi para Dakota do Sul, onde se juntou ao Winner Pheasants, da Basin League. A equipe chegou à final da liga, e Palmer chamou a atenção do olheiro do Baltimore Orioles, Harry Dalton, ao atuar como arremessador no segundo jogo da decisão. Segundo Palmer, 13 equipes da Major League Baseball (MLB) tentaram contratá-lo depois do fim da temporada, mas Jim Russo, o olheiro que também havia contratado Dave McNally e Boog Powell, e Jim Wilson, dos Orioles, causaram a melhor impressão em seus pais graças à educação e às boas maneiras. Palmer assinou com Baltimore por US$ 50.000.
Em sua autobiografia Super Scout: Thirty-five Years of Major League Scouting, publicada em 1992, Russo relatou que Jim Wilson foi o primeiro integrante da organização dos Orioles a observar Palmer, que ainda jogava no ensino médio no Arizona. Segundo ele, Wilson pediu que Palmer fosse incluído na equipe do Winner, na Basin League, algo incomum para um jogador ainda no ensino médio. Russo então orientou o técnico Harry Wise a colocá-lo no elenco. Ao ver Palmer arremessar pela primeira vez, em agosto de 1963, Russo ficou impressionado: “Palmer era tão bom que me deu arrepios”.
Russo escreveu que se aproximou de Palmer quando o jovem o levou de carro ao aeroporto depois daquela visita. Pouco depois, Palmer disse a Wilson que queria assinar com os Orioles. Quando Russo e Wilson foram à casa da família Palmer, em Scottsdale, para conversar sobre a contratação, descobriram que Jim havia sofrido uma lesão no joelho em um acidente de carro e precisaria passar por cirurgia. Russo, porém, continuou determinado a contratá-lo e decidiu não informar Harry Dalton, diretor do sistema de ligas menores, sobre a lesão. Naquela mesma noite, a família Palmer havia se encontrado com Paul Richards, técnico do Houston Colt .45s e antigo chefe de Russo nos Orioles, e considerou sua postura ofensiva. Em contraste, Russo e Wilson foram cordiais, educados e respeitosos, e Palmer e seus pais decidiram assinar com os Orioles. Russo e os Palmers acertaram um bônus de US$ 40.000, além do compromisso de que os Orioles pagariam as mensalidades de Palmer na faculdade que ele escolhesse. Mais tarde, Russo afirmou: “Um olheiro pode passar a vida inteira esperando para ver um Jim Palmer”.
Carreira no beisebol
Década de 1960 Conhecido por levantar bastante a perna durante o movimento e pela mecânica de arremesso excepcionalmente fluida, Palmer conquistou sua primeira vitória nas grandes ligas em 16 de maio de 1965, contra o New York Yankees, no Memorial Stadium. Aos 19 anos, entrou em relevo no terceiro inning, substituindo Dave McNally, e permaneceu no jogo por 3⅔ entradas, permitindo uma corrida. Os Orioles venceram por 7–5, e Palmer recebeu a primeira vitória de sua carreira. Na mesma partida, rebateu seu primeiro home run nas grandes ligas, um home run de duas corridas contra o arremessador dos Yankees, Jim Bouton. Palmer terminou sua primeira temporada na liga principal com campanha de 5–4 e ERA de 3,72.
Em 1966, Palmer passou a integrar a rotação de titulares. Baltimore conquistou o título da Liga Americana, com Frank Robinson tendo uma temporada em que foi eleito MVP e conquistou a Tríplice Coroa. Palmer venceu sua última partida da temporada, contra o Kansas City Athletics, garantindo o título da Liga Americana para Baltimore. No segundo jogo da World Series, disputado no Dodger Stadium, tornou-se o arremessador mais jovem, aos 20 anos e 11 meses, a lançar um shutout, derrotando por 6–0 os então campeões. O shutout de Palmer fez parte de uma sequência recorde de 33⅓ entradas consecutivas sem permitir corridas pelos arremessadores dos Orioles na World Series. A última corrida dos Dodgers havia sido anotada contra Moe Drabowsky na terceira entrada do primeiro jogo. Palmer, Wally Bunker e Dave McNally lançaram shutouts nos três jogos seguintes.
Nas duas temporadas seguintes, Palmer sofreu com lesões no braço. Ele havia machucado o braço em 1966 enquanto usava um rolo de pintura em sua nova casa, em Baltimore. Injeções de cortisona permitiram que continuasse arremessando pelo restante da temporada e na World Series, mas, em 1967, seu braço continuava apresentando uma sensação de peso. Em 12 de maio, lançou uma partida de apenas uma rebatida contra o Yankees, mas foi enviado às ligas menores depois de uma atuação ruim contra o Boston Red Sox, cinco dias mais tarde. Enquanto tentava retornar às grandes ligas pelo Rochester Red Wings, em Rochester, Nova York, Palmer sofreu o único grand slam de toda a sua carreira profissional, rebatido por Johnny Bench, do Buffalo Bisons. Ele fez apenas mais três partidas pelos Orioles em 1967. Em 1968, ficou limitado a dez jogos nas ligas menores e não atuou nenhuma vez pelos Orioles. A situação de sua carreira parecia tão ruim que Palmer chegou a considerar abandonar o beisebol para cursar a faculdade ou tentar atuar como jogador de posição. Em setembro de 1968, foi colocado na lista de waivers e, um mês depois, ficou desprotegido no draft de expansão para o Kansas City Royals e o Seattle Pilots, mas não foi selecionado. Depois de atuar por uma equipe da Liga Instrucional, os Orioles o enviaram para jogar pelo Santurce Crabbers na Liga de Inverno de Porto Rico. Antes de viajar para Santurce, Palmer foi a um jogo do Baltimore Bullets, onde se sentou ao lado de Marvin Foxman, representante de uma empresa farmacêutica. Foxman sugeriu que ele experimentasse o Indocin, medicamento recém-aprovado para aliviar dores, inchaços e rigidez nas articulações. Em Santurce, as dores no braço desapareceram e sua bola rápida voltou a atingir cerca de 95 mph. Anos depois, Palmer descreveu o efeito do tratamento como “um milagre”.
Palmer retornou saudável em 1969, reintegrando uma rotação dos Orioles que também contava com os vencedores de 20 partidas Dave McNally e Mike Cuellar. Ele perdeu todo o mês de julho, passando seis semanas na lista de lesionados, mas a lesão era uma ruptura de um músculo das costas, e não um problema no braço. Em 13 de agosto, apenas quatro dias depois de deixar a lista de lesionados, Palmer lançou um no-hitter contra Oakland. Foi o único no-hitter de sua carreira. Terminou a temporada com campanha de 16–4, 123 strikeouts, ERA de 2,34 e porcentagem de vitórias de 80%. Os Orioles, amplamente considerados favoritos, foram derrotados pelo New York Mets na World Series de 1969, com Palmer sofrendo a derrota no terceiro jogo.
Década de 1970 Em 1970, Cuellar teve campanha de 24–8, McNally de 24–9 e Palmer de 20–10. Em 1971, o trio terminou, respectivamente, com campanhas de 20–9, 21–5 e 20–9, enquanto Pat Dobson teve campanha de 20–8. Apenas uma outra equipe na história da MLB, o Chicago White Sox de 1920, teve quatro arremessadores com pelo menos 20 vitórias. Palmer venceu 21 partidas em 1972 e, em 1973, terminou com campanha de 22–9, 158 strikeouts e ERA de 2,40, conquistando seu primeiro Prêmio Cy Young. Em 16 de junho de 1973, Palmer esteve perto de lançar um jogo perfeito contra o Texas Rangers, mas permitiu uma rebatida simples de Ken Suarez, no campo externo esquerdo, com um eliminado na nona entrada, na vitória por 9–1 em Baltimore.
Seu bom momento foi interrompido em 1974, quando seu braço começou a apresentar problemas durante os treinamentos de primavera. Posteriormente, ficou afastado por oito semanas devido a problemas no cotovelo. Palmer havia perdido sete partidas consecutivas quando foi colocado na lista de lesionados, em 20 de junho. Ele foi diagnosticado com uma lesão no nervo ulnar, e o cirurgião ortopédico Robert Kerlan recomendou repouso, terapia com água quente e fria e medicamentos. A cirurgia chegou a ser considerada, mas a dor diminuiu e Palmer conseguiu voltar a arremessar em agosto. Terminou a temporada com campanha de 7–12.