Ali Haidar Paxá (; Constantinopla, – Beirute, ) foi um xarife dos Du Zaíde, estadista otomano e emir de Meca de 1916 a 1919. Neto do emir Abede Almotalibe ibne Galibe, desenvolveu sua carreira em Constantinopla, onde integrou o Conselho de Estado e o Senado otomano, foi ministro das Fundações Pias e exerceu a vice-presidência do Senado. Durante a Revolta Árabe, foi nomeado emir de Meca pelo governo otomano em julho de 1916, em substituição a Huceine ibne Ali, que se rebelara contra o Império. Sua nomeação representou a restauração dos Du Zaíde em oposição aos Du Aune de Huceine. Ali Haidar dirigiu-se ao Hejaz, mas o avanço da revolta impediu-o de alcançar Meca, então controlada pelas forças haxemitas.
Estabeleceu-se em Medina, onde procurou conquistar o apoio das tribos e da população para a causa otomana, mas sua autoridade efetiva permaneceu limitada à cidade e seus arredores. Ali Haidar deixou Medina em março de 1917 e retirou-se para Damasco, embora continuasse oficialmente a portar o título de emir de Meca. Em 8 de maio de 1919, depois da derrota otomana na Primeira Guerra Mundial e da perda definitiva do Hejaz, o governo imperial suprimiu o título, encerrando formalmente o Emirado de Meca sob soberania otomana. Ali Haidar viveu posteriormente fora do Hejaz e morreu em Beirute em 1935.
Vida
Ali Haidar era filho de Ali Jabir Paxá e neto do emir Abede Almotalibe ibne Galibe, pertencendo aos zaídidas (Du Zaíde), ramo dos catádidas da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Os zaídidas haviam exercido o governo de Meca antes da consolidação dos aúnidas (Du Aune). Sua linhagem era Ali Haidar ibne Ali Jabir ibne Abede Almotalibe ibne Galibe ibne Muçaíde ibne Saíde ibne Sade ibne Zaíde. Nasceu em Constantinopla em 1865. Em 1881, ingressou na escola destinada aos príncipes imperiais criada durante o governo do sultão . Em 1890, foi nomeado membro da seção judicial do Conselho de Estado. Depois da restauração constitucional de 1908, passou a integrar o Senado otomano em 27 de dezembro daquele ano. Em 12 de janeiro de 1910, foi nomeado ministro das Fundações Pias, cargo do qual se demitiu nove meses depois, e exerceu posteriormente a vice-presidência do Senado. A oportunidade para assumir o Emirado de Meca surgiu durante a Revolta Árabe de 1916. Depois que Huceine ibne Ali se rebelou contra o governo otomano e assumiu o controle de Meca, a Sublime Porta destituiu-o e nomeou Ali Haidar para substituí-lo em 2 de julho de 1916. A escolha restaurava nominalmente os Du Zaíde no emirado, depois de mais de três décadas de predominância dos Du Aune.
Ali Haidar recebeu a dignidade de vizir e deixou Constantinopla acompanhado de sua comitiva e de forças destinadas ao Hejaz. Seguiu por Damasco e chegou a Medina em 26 de julho, sendo recebido pelas autoridades otomanas. A revolta, contudo, impediu que prosseguisse até Meca, e Medina tornou-se a sede de sua atuação como emir. Em Medina, Ali Haidar procurou contrapor sua legitimidade à de Huceine e mobilizar apoio para o governo otomano. Publicou uma proclamação dirigida aos habitantes do Hejaz na qual condenava a aliança de Huceine com os britânicos, apresentava sua própria nomeação como destinada à defesa dos Lugares Santos e conclamava a população a permanecer fiel ao sultão. Procurou também obter a adesão das tribos das proximidades de Medina. O governo otomano forneceu-lhe recursos para sustentar sua posição: por intermédio de Jemal Paxá, recebeu 50 mil liras em julho de 1916 e outras 100 mil em fevereiro de 1917. Apesar desses esforços, a autoridade efetiva de Ali Haidar permaneceu limitada a Medina e seus arredores, enquanto Meca estava sob o controle das forças de Huceine.
Ali Haidar permaneceu em Medina junto das forças comandadas por Facradim Paxá durante os meses seguintes. Em março de 1917, diante do agravamento da situação militar e da ameaça representada pelas forças haxemitas que cercavam a região, deixou Medina e retirou-se para Damasco. Sua partida encerrou na prática sua atuação direta no Hejaz, mas não sua condição jurídica de emir de Meca. Ali Haidar continuou a portar o título mesmo depois de a região ter escapado ao controle otomano. Com o fim da guerra e a perda definitiva do Hejaz, o governo otomano considerou sem sentido conservar o emirado apenas nominalmente. Em 8 de maio de 1919, uma decisão do Conselho de Ministros seguida de um imperial suprimiu o título de emir de Meca que ainda pertencia a Ali Haidar, encerrando formalmente a instituição mantida pelo Império Otomano durante mais de quatro séculos. Ali Haidar viveu posteriormente fora do Hejaz e morreu em Beirute em 1935. Entre seus filhos estava o músico , compositor e virtuose do úde e do violoncelo, que posteriormente fundou e dirigiu o Conservatório de Baguedade.
Bibliografia
Categoria:Naturais de Istambul Categoria:Árabes do século XIX Categoria:Árabes do século XX Categoria:Xarifes de Meca Categoria:Zaídidas Categoria:Vizires do Império Otomano Categoria:Árabes do Império Otomano