Muçaíde ibne Saíde (; m. ) foi um xarife dos zaídidas (Du Zaíde) e emir de Meca em dois períodos, de 1752 a 1759 e novamente de 1759 a 1770. Filho de Saíde ibne Sade e irmão dos emires Abedalá ibne Saíde e Maçude ibne Saíde, sucedeu ao último após sua morte. Seu primeiro governo enfrentou repetidas disputas internas entre os xarifes de Meca e terminou quando foi brevemente deposto e substituído por seu irmão Jafar ibne Saíde, que pouco depois renunciou e promoveu sua restauração. Durante seu segundo governo, Muçaíde enfrentou novas tentativas de deposição, inclusive de seu irmão Amade ibne Saíde e dos Du Baracate, além de impedir a entrada em Meca de seguidores de Maomé ibne Abede Aluaabe provenientes do Négede. Permaneceu no poder até morrer em Moarrão de 1184 A.H. (1770), após um total de quase dezenove anos à frente do emirado. Entre seus filhos estavam os futuros emires Surur, Abede Almuine e Galide.
Vida
Muçaíde era filho de Saíde ibne Sade e pertencia aos zaídidas (Du Zaíde), ramo dos catádidas da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Era irmão dos emires Abedalá ibne Saíde e Maçude ibne Saíde, a quem sucedeu após sua morte, na sexta-feira, 2 de Rabi Alarrir de 1165 A.H. (18 de fevereiro de 1752). No mesmo dia, o governador de Gidá e o cádi de Meca conferiram-lhe a veste de investidura, seu nome foi proclamado na cidade e os xarifes e representantes das tribos prestaram-lhe juramento. O governo otomano confirmou posteriormente sua nomeação por meio de um firmã imperial, recebido em Jumada Alarrira de 1165 A.H. (abril–maio de 1752). A sucessão foi contestada ainda em 1165 A.H. por seu sobrinho e antigo emir Maomé ibne Abedalá ibne Saíde, apoiado pelos Du Baracate e por tribos beduínas. Maomé tomou Taife em maio de 1752 e tentou por duas vezes conquistar Meca. Em 5 de Rajabe, seus partidários atacaram a cidade e travaram um combate intenso contra as forças de Muçaíde, mas foram derrotados. mediou posteriormente uma reconciliação entre as partes, alcançada no fim de junho, estabelecendo condições para o acordo e estipêndios para os adversários do emir. No mesmo ano, Alfair foi enviado à corte otomana como representante de Muçaíde e retornou em 1166 A.H. com a aprovação das solicitações apresentadas pelo emir.
Em 1169 A.H. (1755–1756), morreu Maomé, que vivia em Meca desde sua reconciliação com Muçaíde. Nos anos seguintes, as relações entre Muçaíde e Abedalá Alfair deterioraram-se. Durante o haje de 1171 A.H. (1758), Alfair aliou-se aos emires do haje egípcio e sírio, e , numa tentativa de substituir Muçaíde por seu sobrinho Mubaraque ibne Maomé ibne Abedalá ibne Saíde. Em 21 de Dulrija, soldados ocuparam a Grande Mesquita de Meca e proclamaram Mubaraque emir. Seguiu-se um combate dentro de Meca, encerrado no dia seguinte com a vitória de Muçaíde. A tentativa de deposição fracassou também porque os adversários do emir não possuíam um firmã imperial que a autorizasse. No haje de 1172 A.H. (1759), Abedalá Paxá Cheteji retornou como emir do haje sírio, desta vez munido de um firmã que lhe conferia autoridade para intervir na administração dos Lugares Santos, e conseguiu prender Muçaíde. O emirado foi oferecido a seu irmão Jafar ibne Saíde, que aceitou sob a condição de que Muçaíde não fosse maltratado e fosse entregue à sua custódia. Depois da partida de Cheteji e das caravanas de peregrinos, Jafar trabalhou pela restauração do irmão e renunciou ao emirado em 14 de Moarrão de 1173 A.H. (1759), permitindo que Muçaíde retomasse o poder.
Após sua restauração, Muçaíde enviou ao sultão uma queixa contra Abedalá Paxá Cheteji, acompanhada dos testemunhos dos quatro muftis de Meca. As acusações formuladas contra Muçaíde foram consideradas infundadas; Cheteji foi consequentemente destituído dos cargos de governador de Damasco e emir do haje, enquanto Muçaíde recebeu uma nova proclamação imperial e uma veste de honra no fim de Jumada Alarrira de 1173 A.H. (fevereiro de 1760). Pouco depois de sua restauração, Muçaíde também enfrentou a oposição de outro irmão, Amade ibne Saíde. Este deixou Meca, dirigiu-se ao e reuniu beduínos para atacar a cidade. Quando suas forças alcançaram Abu Laabe, em Jarual, Muçaíde saiu para enfrentá-las e derrotou o irmão, com quem posteriormente se reconciliou. Durante seu segundo governo, seguidores do movimento de Maomé ibne Abede Aluaabe, estabelecido no Négede, também solicitaram permissão para realizar o haje, mas Muçaíde recusou-lhes a entrada. Em 1182 A.H. (1768–1769), Muçaíde entrou em conflito com os Du Baracate, liderados por Abedalá ibne Huceine ibne Iáia. Abedalá retirou-se para o Uádi Fátima, onde os Du Baracate reuniram forças com o objetivo de derrubar Muçaíde. Decidiram inicialmente tomar Gidá e cercaram a cidade com contingentes beduínos, mas sua tentativa fracassou diante da resistência dos defensores, e Abedalá retornou ao Uádi Fátima.
Os Du Baracate procuraram então apoio de Ali Bei Alquibir, governante do Egito, que em 1183 A.H. (1769–1770) enviou como emir do haje egípcio com a intenção de depor Muçaíde. Após a conclusão dos ritos do haje, porém, Muçaíde e , emir do haje sírio, obrigaram Abu Adaabe e suas tropas a deixar Meca antes que executassem o plano. Privado desse apoio, Abedalá reuniu grande número de beduínos em Marre e lançou sua própria ofensiva. Muçaíde fortificou as elevações que dominavam Maabada e Jarual e saiu contra eles em Moarrão de 1184 A.H. (1770). Após combate intenso, os Du Baracate foram derrotados e Abedalá retirou-se para o Egito. Muçaíde morreu na quarta-feira, 27 de Moarrão de 1184 A.H. (23 de maio de 1770), ainda no exercício do emirado. Antes de morrer, prestou juramento a seu irmão Abedalá ibne Saíde como sucessor escolhido, que assumiu o emirado após sua morte. Seu período total à frente de Meca, descontada a breve interrupção causada pelo governo de Jafar, foi de dezenove anos menos três meses. Deixou, entre outros filhos, Surur, Maçude, Abedalazize, Abede Almuine, Galibe, Maomé e Luai.
Bibliografia
Categoria:Naturais de Meca Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Árabes do século XVIII Categoria:Zaídidas Categoria:Xarifes de Meca