Benevenuto da Silveira Lobo (6 de janeiro de 1852 – entre 1898 e 1904) foi um advogado, promotor público, magistrado e político brasileiro. Republicano ainda durante o Império, participou da campanha de propaganda republicana conduzida por João Pinheiro em Minas Gerais. Após a Proclamação da República, exerceu cargos na Justiça mineira e foi deputado ao Congresso Mineiro. Em 1890, participou também do debate sobre o sufrágio feminino, defendendo o direito eleitoral de Isabel de Mattos Dillon.

Biografia

Benevenuto da Silveira Lobo nasceu em 6 de janeiro de 1852 e foi batizado em 4 de outubro daquele ano na freguesia de Sant’Ana, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. No registro de batismo, consta como filho de Francisco de Paula da Silveira Lobo e Luíza Augusta da Silveira Lobo. Seu pai, Francisco de Paula da Silveira Lobo, foi deputado geral, presidente da Câmara dos Deputados, senador e presidente das províncias de Pernambuco e Minas Gerais.

Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife.

Atuação republicana

Em 1887, ainda durante o Império, apresentou sua candidatura a uma cadeira no parlamento provincial pelo segundo distrito de Minas Gerais. Em manifesto dirigido ao eleitorado, datado de 11 de novembro em Ponte Nova, declarou-se republicano e afirmou colocar sua candidatura sob esse princípio. Caso eleito, comprometia-se a trabalhar pelos interesses do distrito e em favor das ideias que associava à democracia.

Raimundo Trindade o descreveu como propagandista da República e participante da campanha conduzida por João Pinheiro em Minas Gerais. A atuação é também documentada pela historiadora Marileide Lázara Cassoli, que o caracteriza como advogado e propagandista republicano e registra sua participação ativa naquela campanha.

Em 27 de janeiro de 1889, Benevenuto organizou uma conferência republicana na freguesia de Vargem Alegre. Segundo o relato conservado por Trindade e analisado por Cassoli, um chefe do Partido Liberal local reuniu homens para impedir a realização do ato. Durante a conferência, o grupo exigiu que Benevenuto interrompesse seu discurso, dando origem a um confronto que foi contido com a intervenção do padre José Pinheiro da Silva, irmão de João Pinheiro. Cassoli observa que o episódio também foi noticiado pelo jornal O Movimento, em 13 de fevereiro de 1889.

Sufrágio feminino

Em 1890, participou do debate sobre o direito eleitoral das mulheres na sequência da Proclamação da República do Brasil. Em artigo intitulado Alistamento eleitoral, publicado no jornal Democracia, criticou a decisão do ministro do Interior, Cesário Alvim, contrária ao reconhecimento, no Rio de Janeiro, do título eleitoral de Isabel de Mattos Dillon. Benevenuto argumentou que a legislação invocada para negar o pedido não continha exclusão expressa das mulheres do direito eleitoral.

Atuação profissional

Em 1890, Benevenuto exercia a advocacia no Rio de Janeiro, mantendo escritório na rua do Rosário, número 57.

Em maio de 1892, foi nomeado promotor público da comarca de Mariana. Posteriormente exerceu a função de juiz substituto da mesma comarca; em 1894, comunicação oficial registrou sua exoneração do cargo e a entrada em exercício de seu sucessor.

Em 1894, apresentou-se como candidato a deputado estadual pelo primeiro distrito de Minas Gerais, sendo então identificado como advogado residente em Mariana. Na apuração eleitoral, recebeu 5.761 votos.

Em 19 de abril de 1895, a Primeira Comissão Verificadora de Poderes, depois de examinar os diplomas e as atas de apuração, concluiu que Benevenuto estava entre os candidatos que haviam obtido maioria e recomendou que fosse reconhecido e proclamado deputado pela primeira circunscrição do estado.

Em 1896, esteve em Cachoeiro de Itapemirim, onde publicou anúncio oferecendo seus serviços profissionais como advogado. O anúncio informava que pretendia permanecer algum tempo na cidade e indicava como residência a rua Conselheiro Costa Pereira.

O Almanach Municipal de Barbacena, publicado em 1898, relacionou Benevenuto entre os deputados do primeiro distrito de Minas Gerais.

Vida pessoal

Segundo Raimundo Trindade, Benevenuto casou-se duas vezes. O primeiro casamento foi com sua prima Ermelinda da Silveira Lobo, natural de Pernambuco, com quem teve as filhas Luísa e Marieta.

Em documentação judicial de 1897, Antônia Isabel de Carvalho é identificada como esposa do doutor Benevenuto Lobo, sendo ambos então residentes em Santa Luzia do Rio das Velhas.

Em agosto de 1898, Benevenuto residia no lugar denominado Paulo Pereira, na freguesia de Lagoa Santa. Em 2 de agosto daquele ano foi sepultado Francisco, seu filho, falecido aos 22 dias de idade.

Em partilha concluída em Ouro Preto em 11 de novembro de 1904, Antônia Isabel de Carvalho Lobo é identificada como sua viúva.

Notas

Categoria:Nascidos em 1852 Categoria:Advogados de Minas Gerais Categoria:Promotores de justiça do Brasil Categoria:Juízes de Minas Gerais Categoria:Deputados estaduais de Minas Gerais Categoria:Alunos da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco