A Talha Policromada é uma técnica artística escultórica que consiste no entalhe de figuras e ornamentos em alto-relevo em madeira (talha), posteriorizada pela coloração dessa mesma, recorrendo a várias camadas e tipos de cores (policromia), gesso e muitas vezes, também à utilização de folha de ouro (ou prata - mais incomum), para diversas decorações.
História
Origens A talha policromada surgiu, essencialmente, pela necessidade de possibilitar a escultura/entalhe da madeira com pinturas a cores vivas.
Com raízes medievais, a técnica de pintura em madeira entalhada (policromia) era já utilizada no Gótico. Esta aplicação artística, permitia dar cor e criar realismo nas imagens e retábulos religiosos, nesta época anterior ao domínio e grande utilização do ouro nos edifícios religiosos (Barroco e Rococó).
Evolução Os artistas, mais tarde, quando o ouro começou a ser mais recorrente na decoração principalmente religiosa, começaram a utilizar a policromia (com recorrência a cores como azul, vermelho e branco) com a folha de ouro. Esta nova utilização permitiu criar noções de contraste, profundidade e cenários enriquecidos nos edifícios e templos religiosos. São de exemplos desta união entre a policromia em madeira entalhada com a folha de ouro:
Técnica do Estofamento (edifícios): Igreja do Convento da Madre de Deus (Lisboa): Altares secundários e molduras dos quadros. Técnica da Carnação (esculturas sacras): Imagens de Santana Mestra (Escola Luso-Brasileira, Séc. XVIII): Clássicos de arte sacra, onde o manto da santa é ordenado com ramagens coloridas pintadas diretamente na folha de ouro. esquerda|miniaturadaimagem|283x283px|Detalhe da Talha Policromada numa Capela do Mundo Luso-Brasileiro. Os anjos são feitos em madeira e pintados com várias cores, transmitindo uma sensação de realismo.
Apogeu No século XVIII, as influências do Barroco em Portugal e as grandes remessas de ouro do Brasil durante a primeira metade desse século (Reinado de D. João V), conduziram ao aumento da utilização da talha dourada para decoração dos edifícios. Aliada a este auge da talha dourada, está também o auge da talha policromada.
São exemplos desse auge em Portugal:
Igreja do Bom Jesus de Matosinhos: O altar-mor possui uma talha que está na transição do Barroco Nacional com o Barroco Joanino, unindo o ouro à policromia nas mimetizações corpóreas e absidíolos. Sé de Santarém: Altares na nave do antigo colégio jesuíta onde se analisa a fusão da talha dourada com a policromia. Região Noroeste de Portugal (Polo Urbano Porto-Braga): Estas zonas destacam-se por esta utilização dos dois tipos de talha.
Categoria:Elementos arquitetónicos Categoria:Técnicas de escultura Categoria:Escultura de Portugal Categoria:Escultura do Barroco Categoria:Entalhe