O simufilam (anteriormente designado pelo código de desenvolvimento PTI-125) foi uma pequena molécula experimental administrada por via oral, originalmente desenvolvida pela empresa biotecnológica norte-americana Cassava Sciences (posteriormente reestruturada como Filana Therapeutics) para o tratamento da doença de Alzheimer ligeira a moderada. Ao contrário dos anticorpos monoclonais convencionais que visam a eliminação das placas de beta-amiloide, o simufilam propunha um mecanismo de ação inovador focado na filamina A (FLNA), uma proteína de andaime estrutural do esqueleto celular; a teoria científica do laboratório defendia que a reposição da conformação tridimensional correta desta proteína, que se encontra alterada e mal dobrada no cérebro dos doentes, impedia a sua ligação tóxica ao recetor nicotínico alfa-7, mitigando assim a neurodegeneração, a neuroinflamação e a hiperfosforilação da proteína tau. Contudo, o percurso clínico do fármaco foi um dos mais atribulados e controversos da história da biotecnologia moderna, severamente fustigado por alegações graves de má conduta científica, que incluíram acusações de manipulação digital de imagens (Western blots) em estudos pré-clínicos, investigações criminais federais ao neurocientista colaborador Hoau-Yan Wang e um acordo de 40 milhões de dólares pago pela empresa à Securities and Exchange Commission (SEC) em 2024 para resolver as acusações de ter induzido os investidores em erro com dados manipulados da Fase IIb em 2020. Apesar destas persistentes polémicas jurídicas e do ceticismo generalizado da comunidade médica, a Cassava Sciences avançou com os ensaios clínicos globais de Fase III, mas os resultados finais publicados nos estudos RETHINK-ALZ e REFOCUS-ALZ revelaram-se desastrosos ao não demonstrarem qualquer eficácia terapêutica ou melhoria estatisticamente significativa no declínio cognitivo ou funcional dos pacientes em comparação com o grupo de placebo, o que forçou o cancelamento definitivo e abandono total do programa para o Alzheimer, restando apenas o redirecionamento da molécula pela Filana Therapeutics para estudos pré-clínicos de uma indicação órfã na epilepsia associada ao complexo de esclerose tuberosa (TSC).
Categoria:Doença de Alzheimer Categoria:Fraudes científicas