Le Coucher de la mariée ou Triste nuit de noces é um curta-metragem mudo francês de 1899, dirigido por Georges Méliès e lançado pela Star Film. Registrado sob os números 177-178 do catálogo, é classificado como scène comique.

Enredo O filme tem um texto explicativo original atribuível a Méliès, mas ele está registrado em fontes que não estavam disponíveis para consulta direta no momento da redação deste artigo (catálogo Warwick, 1901, p. 62; catálogo Méliès americano, 1905, p. 12; tradução francesa em 158 scénarios de films disparus de Georges Méliès, 1986, p. 19).O enredo não é apresentado neste artigo porque o texto explicativo original não pôde ser verificado diretamente nas fontes citadas por Malthête & Mannoni (2008, p. 94). Caso essas fontes sejam consultadas futuramente, o enredo verificado pode ser adicionado.

Produção Méliès interpreta "le vieux beau" (o velho conquistador) no filme. O historiador Georges Sadoul, no verso de uma fotografia de plateau sobrevivente, atribuiu o papel da jovem à atriz Mlle. Barral, que interpretaria Cendrillon no filme de mesmo ano. No mesmo registro, Sadoul levantou dúvidas sobre a datação do filme (sugerindo talvez 1897-1898) e afirmou que ele não constava no catálogo americano, chegando a cogitar que se tratasse na verdade de Lune de miel interrompue. Malthête & Mannoni (2008) corrigem ambos os pontos: o filme consta sim no catálogo americano, sob o título The Bridegroom's Dilemma, e Lune de miel interrompue é, na verdade, a tradução francesa do título inglês/americano The Interrupted Honeymoon — um filme distinto.

Contexto no catálogo O tema do "coucher" (cena de quarto/farsa de casamento) era comum entre cineastas da época. O exemplo mais citado é Le Coucher de la mariée, de Eugène Pirou (1896), o "fotógrafo das Celebridades Contemporâneas"; três fotogramas desse filme foram reproduzidos por Georges Sadoul em sua Histoire générale du cinéma (vol. 1, 1977, p. 367). A Pathé chegou a produzir ao menos três versões próprias do mesmo tema, em 1901 (n° 361, 25 metros), 1904 (n° 1059, 40 metros) e 1907 (n° 1639, 80 metros), conforme o catálogo de Henri Bousquet.

Preservação O filme é considerado não preservado. Sobrevive, no entanto, uma fotografia de plateau (tiragem em papel argêntico, 13,5 × 18,4 cm, 1899, referência P369-100), que mostra um cenário representando um compartimento de trem — descrito no catálogo francês da época como "Cena cômica se passando em um compartimento de trem". Um registro fotográfico do filme também consta no acervo da Cinémathèque française.

Um flipbook de época, publicado por Léon Beaulieu no final da década de 1890 e redescoberto nos anos 2010 pelo pesquisador Thierry Lecointe, foi tentativamente identificado como um fragmento do filme — mostrando uma mulher sendo ajudada por sua criada a se deitar, antes da entrada de um cavalheiro em traje de gala no quarto. Reconstruções digitais desse flipbook foram produzidas pelo San Francisco Silent Film Festival e por outros divulgadores.A identificação do flipbook como fragmento deste filme específico é classificada como tentativa, não definitiva, pela pesquisa de Lecointe — que atribuiu com certeza apenas 7 fragmentos de flipbooks de Beaulieu a filmes de Méliès, com outros 13 classificados como possíveis mas não confirmados. Mesmo se confirmada, a identificação se refere só aos quadros fotografados e reproduzidos no flipbook de época (cerca de 11 segundos de ação), não a uma cópia em película do filme completo, que continua sem paradeiro conhecido.

Ver também Georges Méliès Star Film Company

Notas

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