José Peile da Costa Pereira (Lisboa, 3 de agosto de 1912 - ?), foi um funcionário superior da carreira da administração colonial portuguesa, do período do «Estado Novo», que exerceu funções em África, na década de 1940, tendo-se destacado como Administrador da circunscrição de Milange, então pertença da Província Ultramarina de Moçambique, e, na década seguinte, em Macau, onde foi Intendente do Distrito, Chefe da Repartição Central dos Serviços de Administração Civil, Inspetor Administrativo, Inspetor da Instrução Pública, membro da Comissão Coordenadora do Comércio, Comissário Provincial da Mocidade Portuguesa e presidente da União Nacional naquele então território ultramarino de Portugal«Macau Boletim Informativo», III-59, de 15 de janeiro de 1956, páginas 8-9. Consultado em 12 de setembro de 2026«Boletim Geral do Ultramar», XXIX-341-342, novembro/dezembro de 1953, páginas 187-195. Consultado em 12 de setembro de 2026«Boletim Geral do Ultramar», XXXII – 369, março de 1956 pp. 166-168 e. Consultado em 12 de setembro de 2026. Biografia Nasceu em Lisboa, a 3 de agosto de 1912, sendo filho de Isabella Gustava Peile da Costa e Alfredo Fernandes Pereira. O seu incomum apelido «Peile» vem de seu bisavô materno, Mountford Stephen Lorie Peile (1824-1885), capitão de fragata da Marinha Real Britânica, que, em 15 de setembro de 1851, casou em Lisboa, com Caroline Augusta Weber Gomes da Costa, mãe de seus avós Isabella Maria Luísa A. Weber da Costa Peile (1856-1937) e António Augusto da Silveira e Costa (1858-?).

Após se ter formado, em Lisboa, pela Escola Superior Colonial, que frequentou de 1929 a 1932, ingressa na carreira da administração colonial, e, a 20 de junho de 1945, casa com Maria Margarida de Azevedo Gomes de Campos de Andrada (Parede, 2 de julho de 1915 - ?), neta, por via materna, do professor universitário e político português Mário de Azevedo Gomes (1885-1965), filho do oficial da Marinha Manuel de Azevedo Gomes (1847-1907) e de sua esposa Alice Hensler, filha de Elise Friederike Hensler (1836-1929), Condessa de Edla, que foi a segunda mulher do rei D. Fernando II de Portugal, daí que o matrimónio de Maria Margarida e José Peile da Costa Pereira, conforme consta da respetiva certidão de casamento, tenha sido realizado na Quinta da Condessa de Edla, sita na Parede.

José Peile da Costa Pereira é colocado como Administrador da circunscrição de Milange, então pertença da Província Ultramarina de Moçambique, colónia onde já anteriormente exercia funções de secretário em Lourenço Marques, e, logo após a boda, o casal parte para aquela colónia portuguesa na África oriental, onde, em fevereiro de 1946, já em Milange lhes nasce o primeiro filho, que aí faleceu antes de atingir dois meses de idade, e, logo em fevereiro do ano seguinte, também em Milange, nasce-lhes o segundo filho, José Caetano Campos Andrada da Costa Pereira .

Motivado pela sua experiência africana, redigiu uma tese de dissertação de mestrado, considerada inédita e histórica, intitulada «Da influência do aldeamento na melhoria da organização social e económica das populações indígenas (aspectos particulares do problema na Província da Zambézia)», apresentada, em 1949, na Escola Superior Colonial, ano em que, em Lisboa, lhe nasce o terceiro e último filho, Maria Benedita de Campos Andrada da Costa Pereira.

No início da década de cinquenta do século XX, é colocado em Macau, onde desempenha as funções de Intendente do Distrito, Chefe da Repartição Central dos Serviços de Administração Civil, Inspetor Administrativo, Inspetor da Instrução Pública, Comissário Provincial da Mocidade Portuguesa e presidente da União Nacional.

Entre as muitas atividades a que nessa possessão colonial asiática ultramarina de Portugal aí se dedicou e eventos em que participou, sendo na época ali Governador Joaquim Marques Esparteiro, há, entre outros, os seguintes registos: Em 1952, foi membro da “Comissão Coordenadora do Comércio da Província de Macau” Em junho de 1952, foi uma das personalidades, entre as “mais distintas figuras”, que acolheram e acompanharam o Ministro do Ultramar comandante Manuel Sarmento Rodrigues na sua visita oficial a Macau, mormente em assinalável cerimónia no Leal Senado (órgão executivo) onde foi empossado em alto cargo político miniatura|center|Edifício onde, já na década de 1950 e até 1999, funcionava o Leal Senado (Macau) Em 1954, presidiu ao júri dos primeiros exames de acesso às universidades portuguesas por parte dos alunos que haviam terminado o Curso Geral de Comércio na Escola Comercial de Macau, e cujo reconhecimento oficial curricular ocorreu em 1952, ano em que igualmente cessou a sua interdição de progressão académicaMacau – Boletim Informativo da Repartição Central dos Serviços Económicos, n.º 27, de 15 de setembro de 1954, página 7 Em 1955, foi membro da Comissão das Comemorações do IV Centenário de Macau 1555 -1955FERNANDES, Moisés Silva – Sinopse de Macau nas Relações Luso-Chinesas, 1945-1995: Cronologia e Documentos. Fundação Oriente, Lisboa, 2000. Consultado em 12 de setembro de 2026Macau Boletim Informativo, Ano III, 1955. Consultado em 12 de setembro de 2026SILVA, Beatriz Basto da, «Cronologia da História de Macau», volume 5, 1998. Consultado em 12 de setembro de 2026«Programa das Comemorações do IV Centenário de Macau 1555-1955». Comissão das Comemorações do IV Centenário de Macau, Macau-Ásia, 1955. Consultado em 12 de setembro de 2026 E nesse mesmo ano, bem como em 1956, foi membro da Comissão de honra da organização do II e III Grande Prémio de Macau, prova de automobilismo internacional«Macau Boletim Informativo», IV-77 de 15 de outubro de 1956, p. 14. Consultado em 12 de setembro de 2026

Foi membro da Sociedade de Geografia de Lisboa.

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