Emanuelly Monteiro é uma modelo e influenciadora digital brasileira. Natural de Montes Claros, Minas Gerais, tornou-se conhecida inicialmente por sua participação em concursos de beleza destinados a mulheres trans. Em 2017, foi a representante brasileira e vice-campeã do Miss Mundo T-Girl, concurso realizado pela internet. Posteriormente, desenvolveu parte de sua carreira profissional na Europa, especialmente na Grécia e no Reino Unido, e integrou o elenco do Cruzeiro Colorido, reality show brasileiro voltado ao público LGBTQIA+.

Em entrevistas e perfis publicados pela imprensa, Monteiro abordou a busca por espaço profissional para mulheres trans, a afirmação de gênero, o preconceito e a sexualização de sua imagem. Sua presença na moda, na televisão e na produção de conteúdo digital passou a ser associada à visibilidade pública de mulheres trans e às discussões sobre imagem corporal e inserção profissional.

Biografia e início da carreira

Monteiro nasceu em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, e cresceu no bairro Major Prates. Segundo perfil publicado pelo jornal O Norte em 2017, começou a se interessar pelo universo da moda aos 14 anos, quando passou a acompanhar o trabalho de modelos e manifestou o desejo de seguir carreira na área. A reportagem também abordou seu processo de afirmação de gênero e o apoio recebido de sua família.

Ainda na adolescência, começou a desenvolver atividades relacionadas à moda e participou de concursos de beleza. Em entrevistas posteriores, relatou ter trabalhado como dançarina, vendedora, representante e apresentadora antes de concentrar sua atuação profissional na modelagem fotográfica e na produção de conteúdo para a internet.

Miss Mundo T-Girl

Em janeiro de 2017, Monteiro participou do Miss Mundo T-Girl, concurso voltado a travestis e mulheres trans. Foi a única representante brasileira entre as finalistas da competição.

A competição foi organizada pelo Grupo e Blog Mundo T-Girl e realizada pela internet, com a etapa final anunciada para 29 de janeiro, data em que se celebra no Brasil o Dia Nacional da Visibilidade Trans. Monteiro terminou em segundo lugar, com diferença de um ponto em relação à vencedora.

Segundo o Jornal Montes Claros, o concurso não se limitava à avaliação estética: sua proposta também incluía representatividade, combate à transfobia e posicionamento das participantes contra o preconceito. Na ocasião, Monteiro afirmou considerar esse tipo de iniciativa uma maneira de apresentar à sociedade a realidade de travestis e mulheres trans e ampliar suas oportunidades.

A participação no concurso constituiu uma das primeiras fases de sua exposição pública documentada pela imprensa. Em perfil publicado posteriormente por O Norte, Monteiro relacionou sua trajetória como modelo à busca de mulheres trans por reconhecimento social e por maior abertura do mercado de trabalho.

Carreira na Europa

Durante o período do Miss Mundo T-Girl, Monteiro encontrava-se em Atenas, na Grécia, onde também desenvolvia atividades como modelo. Posteriormente, estabeleceu-se no Reino Unido e passou a desenvolver parte de sua carreira em Londres.

Em perfil publicado pela Folha Vitória em 2022, relatou ter exercido diferentes atividades profissionais na Europa antes de combinar a modelagem fotográfica com o trabalho na internet. Na mesma entrevista, relacionou sua trajetória à independência financeira e declarou que buscava incentivar outras mulheres a empreender, trabalhar e perseguir seus objetivos profissionais.

A matéria registrou que, naquele momento, Monteiro possuía mais de 600 mil seguidores no Instagram e utilizava a plataforma como parte de sua atividade profissional. Em maio de 2023, o UOL informou que o perfil havia ultrapassado 1,3 milhão de seguidores.

Cruzeiro Colorido

Em 2022, Monteiro passou a integrar o elenco do Cruzeiro Colorido, reality show apresentado por Nicole Bahls e David Brazil e voltado à participação de personalidades LGBTQIA+.

A seleção inicial dos participantes envolveu campanha e votação popular. A imprensa de entretenimento noticiou Monteiro entre os nomes cotados para participar do programa. Posteriormente, ela foi confirmada no elenco e chegou à semifinal da competição.

A participação no programa ampliou sua presença em veículos nacionais e marcou a transição de uma trajetória concentrada na modelagem e nas redes sociais para uma atuação também relacionada ao entretenimento televisivo.

Atuação como modelo e influenciadora

A partir da década de 2020, Monteiro passou a combinar a atividade de modelo com a produção de conteúdo digital relacionado a moda, beleza, treinamento físico, estilo de vida e imagem corporal.

Sua imagem pública passou a ser frequentemente associada pela imprensa às medidas de seu quadril e ao conteúdo sensual publicado nas redes sociais. Em 2023 e 2024, foi objeto de matérias sobre modelagem, publicidade digital, atividade física, padrões de beleza e exposição corporal.

Em entrevista a O Liberal, Monteiro afirmou trabalhar com campanhas publicitárias, presença em eventos e divulgação de marcas em suas redes sociais. À Super Rádio Tupi, relacionou seus cuidados corporais à prática de exercícios, alimentação e saúde, e criticou a busca por padrões considerados perfeitos.

Imagem pública e visibilidade trans

A condição de mulher trans integra a maneira como a trajetória de Monteiro tem sido apresentada pela imprensa desde o início de sua projeção. Em 2017, o perfil publicado por O Norte abordou sua afirmação de gênero, sua inserção na moda e as dificuldades que relatava enfrentar para ser reconhecida social e profissionalmente como mulher.

Na mesma reportagem, Monteiro afirmou que mulheres trans encontravam maiores obstáculos no mercado de trabalho e defendeu a ampliação de oportunidades profissionais para essa população. Ao participar do Miss Mundo T-Girl, associou o concurso à visibilidade positiva, ao combate ao preconceito e à possibilidade de a sociedade conhecer melhor a realidade de travestis e mulheres trans.

Nos anos seguintes, a discussão sobre visibilidade passou a coexistir com a exposição de sua imagem nas redes sociais. Em entrevistas publicadas pelo UOL e pela IstoÉ, Monteiro relatou enfrentar preconceito, assédio e julgamentos relacionados à sensualidade de suas fotografias. Também afirmou que sua aparência levava algumas pessoas a questionarem sua capacidade profissional e intelectual.

Sua atuação pública, portanto, reúne duas dimensões recorrentes nas fontes: a construção de uma carreira como modelo e influenciadora e a exposição de experiências relacionadas à afirmação de gênero, à inserção profissional e à sexualização de mulheres trans.

Referências

Categoria:Naturais de Montes Claros Categoria:Modelos femininas do Brasil Categoria:Influenciadores digitais do Brasil Categoria:Mulheres transgênero do Brasil