Os becritas ou Banu Becre ibne Abede Manate () foram uma tribo árabe dos quinanaítas, descendente de Becre ibne Abede Manate e dividida em numerosas linhagens, entre as quais Laite, Duil, Dâmera e Alarije. Durante a Jailia, envolveram-se em conflitos com os coraixitas, aos quais posteriormente se aliaram no contexto do Tratado de Hudaibia. Sua antiga rivalidade com os cuzaaítas culminou, em 630, num ataque realizado com auxílio coraixita que violou a trégua de Hudaibia e esteve entre os acontecimentos que desencadearam a Conquista de Meca por Maomé.
Genealogia
Os becritas eram um ramo dos quinanaítas, descendente de Becre ibne Abede Manate, filho de Abede Manate ibne Quinana e descendente de Quinana ibne Cuzaima, ancestral epônimo dos quinanaítas. Pela linha materna, possuíam também ascendência rebiaíta, pois a mãe de Becre, Hinde binte Becre ibne Uail, era filha do epônimo dos becritas rebiaítas. De Becre descendiam quatro grandes linhagens, Laite, Duil, Dâmera e Alarije, que constituíam os principais ramos dos becritas e dos quais se desenvolveram diversas subdivisões tribais.
História
As tradições preservam conflitos entre os becritas e os coraixitas ainda durante a Jailia. Quando Cuçai ibne Quilabe procurou estabelecer o domínio coraixita sobre Meca, contou com o apoio dos quinanaítas em geral, mas enfrentou a oposição dos becritas. O conflito resultou numa batalha em Alabeta, na qual houve numerosas mortes, e terminou mediante a arbitragem de , que decidiu em favor de Cuçai e pôs fim às vinganças de sangue entre as partes. Em outra tradição relativa ao período anterior ao Islã, quando Abramo, governador axumita do Iêmem, marchou contra Meca, o chefe coraixita Abede Almotalibe teria ido ao seu encontro acompanhado por , apresentado como líder dos becritas. Apesar das rivalidades, os becritas também combateram ao lado dos coraixitas. Durante as Guerras Sacrílegas, integraram os quinanaítas que apoiaram os coraixitas contra os hauazinitas, depois que o dameraíta matou um chefe dos quilabitas. Uma tradição atribui ainda a Harbe ibne Omaia, chefe dos abedexemecitas, o comando dos coraixitas numa guerra contra os becritas travada em .
A hostilidade entre os dois grupos também se manifestava através de ciclos de vingança de sangue. Nos acontecimentos que antecederam a Batalha de Badre, um irmão de Micraz ibne Háfece ibne Alacaife, dos maicitas coraixitas, havia sido morto por um becrita em represália por uma morte anterior. Enquanto se encontrava em Marre Azarã, Micraz encontrou , chefe dos becritas, apeou-se, desembainhou a espada e o matou. Em seguida, dirigiu-se durante a noite a Meca e pendurou a espada do morto sob a cobertura da Caaba. Na manhã seguinte, os coraixitas reconheceram a arma e souberam que Micraz havia realizado a vingança. O assassinato provocou forte ressentimento entre os becritas, que passaram a desejar a morte de dois ou três chefes coraixitas em retaliação.
A tensão ainda era relevante quando os coraixitas se prepararam para enfrentar Maomé em Badre, pois temiam que os quinanaítas os atacassem pela retaguarda em razão de suas disputas anteriores com os becritas; somente depois de receberem garantias de segurança dos mudlijitas prosseguiram para o confronto. Apesar desses conflitos anteriores, no período de Maomé ocorreu uma aproximação entre os quinanaítas e os coraixitas. Durante a Batalha da Trincheira, em 627, contingentes quinanaítas integraram o exército comandado por Abu Sufiane que sitiou Medina. Posteriormente, os becritas estabeleceram uma aliança política formal com os coraixitas. Quando o Tratado de Hudaibia permitiu que outras tribos árabes se associassem livremente a uma das duas partes do acordo, os becritas escolheram a aliança coraixita, enquanto os cuzaaítas, com os quais mantinham antiga hostilidade, aliaram-se a Maomé. A trégua estabelecida pelo tratado suspendeu temporariamente o conflito entre os dois grupos, mas a rivalidade persistiu e acabaria por desempenhar papel decisivo na ruptura do acordo.
Em 630, membros dos becritas atacaram os cuzaaítas durante a noite, recebendo auxílio de seus aliados coraixitas em armas e homens. Vários cuzaaítas foram mortos, entre eles o ancião . Entre os coraixitas que participaram secretamente do ataque estava Safuane ibne Omaia, que o fez disfarçado. Uma delegação cuzaaíta, conduzida por Budail ibne Uarca, dirigiu-se então a Medina para informar Maomé do ocorrido e solicitar sua intervenção. Como os cuzaaítas estavam abrangidos pela aliança estabelecida em Hudaibia, o ataque dos becritas e a participação coraixita constituíam uma violação dos termos da trégua. Maomé apresentou então aos coraixitas alternativas para solucionar a crise, entre elas o pagamento do preço de sangue pelas vítimas ou o rompimento de sua aliança com os becritas. A rejeição dessas condições pôs fim à trégua e esteve entre os acontecimentos que desencadearam a Conquista de Meca em 8 A.H. (630).
Bibliografia
Categoria:Becritas (quinanaítas)