Tábite Albunani (), de nome completo Abu Maomé Tábite ibne Aslame Albáceri Albunani (; Baçorá, – ), foi um estudioso de hádice e asceta de Baçorá, pertencente à geração dos tabis. Aluno durante quarenta anos de Anas ibne Maleque, tornou-se um importante transmissor das tradições atribuídas a ele e foi considerado por estudiosos posteriores um dos transmissores mais confiáveis de seus hádices. Também se destacou por sua devoção, ascetismo e atividade como pregador, sendo considerado um dos precursores do movimento ascético que posteriormente se desenvolveria no sufismo.
Vida e formação
Segundo a tradição considerada mais provável, Tábite nasceu em Baçorá em 41 A.H. (661). Tornou-se conhecido pelo gentílico Albunani por ter nascido no bairro da cidade habitado pelos , grupo cujo nome era associado a Bunana, mãe de Sade, dos , um dos clãs coraixitas. Começou ainda jovem a frequentar círculos de estudo. Tábite recebeu tradições de diversos companheiros de Maomé, entre eles Abedalá ibne Mugafal, Abu Barza Alaslami, Abedalá ibne Azobair, Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe e Anas ibne Maleque. Também estudou com integrantes da geração dos tabi, entre os quais Abu Alalia Arriai, , e . Sua relação com Anas ibne Maleque foi particularmente duradoura, tendo sido seu aluno e companheiro durante quarenta anos. Entre aqueles que transmitiram tradições de Tábite encontram-se Atá ibne Abi Rabá, Catada ibne Diama, Humaide Atauil, Mamar ibne Raxide, Xuba ibne Alhajaje, Alamaxe, Hamade ibne Salama e seu filho . enumera mais de cem pessoas que teriam sido seus transmissores ou alunos.
Hádice
Tábite foi considerado um dos transmissores mais destacados da geração mais jovem dos tabi. Nas fontes biográficas, recebeu qualificações indicativas de autoridade e exemplaridade, enquanto críticos de hádice como , Amade ibne Hambal, Alboácem Alijeli, Abu Hatim Arrazi e Anaçai empregaram termos que expressavam sua confiabilidade como transmissor. Entre os transmissores de Anas ibne Maleque, foi considerado, depois de Ibne Xiabe Azuri, um dos dois mais confiáveis. Algumas fontes preservam relatos que poderiam sugerir dúvidas acerca da confiabilidade de Tábite, mas estudiosos posteriores atribuíram os problemas encontrados em determinadas tradições não a ele, mas a transmissores fracos ou desconhecidos que as receberam dele. sustentou que não havia motivo para hesitação quanto aos hádices de Tábite transmitidos por autoridades confiáveis. Sua capacidade de preservar as tradições também foi testada por seu discípulo Hamade ibne Salama, que teria alterado deliberadamente palavras e misturado diferentes hádices ao recitá-los diante do mestre; Tábite teria identificado e corrigido todas as alterações. Cerca de 250 hádices foram transmitidos por intermédio de Tábite. Suas tradições foram incorporadas aos seis livros canônicos e ao Musnad de Amade ibne Hambal. Posteriormente, o jurista maliquita e estudioso de hádice reuniu tradições transmitidas por ele numa obra intitulada Musnad ḥadīth Thābit al-Bunānī, cuja sobrevivência até a época moderna não pôde ser determinada.
Ascetismo e morte
Além de sua atividade como transmissor de hádices, Tábite tornou-se conhecido em sua época por seus sermões e exortações. Levava uma vida marcada pelo ascetismo e pela devoção, passando frequentemente os dias em jejum e dedicando grande parte das noites à oração. teria afirmado que quem desejasse ver a pessoa mais dedicada à devoção de sua época deveria observar Tábite. Este atribuía especial importância à oração e ao jejum, que comparava à carne e ao sangue que mantêm vivo o corpo e considerava os dois fundamentos da vida do devoto. Ao encontrar Anas ibne Maleque, costumava tomar-lhe a mão e beijá-la, afirmando que aquela mão havia tocado a de Maomé. Em razão de seu modo de vida baseado no ascetismo e na piedade, Tábite foi posteriormente considerado um dos precursores do movimento que conduziria ao desenvolvimento do sufismo. As fontes divergem quanto ao ano de sua morte. Alguns relatos indicam 123 A.H. (741), mas a tradição atribuída a seu filho Maomé, segundo a qual morreu em Baçorá em 127 A.H. (744), aos 86 anos, é considerada mais provável. Adaabi também adotou essa cronologia, observando que Tábite teria nascido durante o califado de Moáuia ibne Abi Sufiane.
Bibliografia
Categoria:Naturais de Baçorá Categoria:Árabes do século VII Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Tabis (islamismo) Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo Categoria:Pessoas do Califado Omíada Categoria:Coraixitas