A Feira de Casablanca de 1915 (também conhecida como Feira Franco-Marroquina de Casablanca de 1915 ou ) foi uma exposição comercial realizada pelas autoridades francesas em Casablanca, no protetorado do Marrocos, de 5 de setembro a 5 de novembro de 1915. O evento visava fomentar melhores laços econômicos entre a França e o Marrocos e servir como demonstração do poder francês na região. Produtos de todo o Marrocos foram exibidos na feira, permitindo que estudiosos franceses avaliassem a situação do artesanato local. Suas conclusões levaram à criação de centros de treinamento para artesãos marroquinos, numa tentativa de incentivar o setor.

Origens Os franceses mantinham um protetorado sobre o Marrocos desde o Tratado de Fez, em 1912, e estavam empenhados na pacificação e ocupação de grande parte do país por meio de operações militares, como a Guerra de Zaian. O residente-geral francês, Hubert Lyautey, desejava abrir os mercados marroquinos aos produtos franceses e integrar melhor as indústrias marroquinas às da França. A feira de Casablanca foi a primeira de várias realizadas para promover esse objetivo e demonstrar o poder francês na região.

A feira A feira foi realizada entre 5 de setembro e 5 de novembro, apesar da Primeira Guerra Mundial em curso, ocorrendo, de fato, durante o "momento mais letal da guerra na França". A organização do evento ficou a cargo das autoridades francesas, embora estas tenham incentivado a participação da população marroquina na própria feira. Foram erguidos pavilhões distintos para abrigar exposições representativas dos produtos de cada região do Marrocos e de, pelo menos, um órgão governamental; além disso, montaram-se tendas onde comerciantes mouros exibiam suas mercadorias e diversas curiosidades. A feira também serviu de catalisador para a criação de um corpo de bombeiros em Casablanca.

Pavilhão Exposição Região de Rabat-Salé Tapetes, cobertores, bordados, esteiras de junco, marchetaria Região de Mogador Esculturas em madeira, joias de prata cinzelada Região de Marraquexe Tapetes (de Houz e do Alto Atlas), joias árabes e berberes, objetos de latão, artigos de madeira e cerâmica Região de Mequinez Tapetes e cobertores (do Médio Atlas), bordados e madeira pintada Região de Fez Mobiliário de madeira esculpida e pintada, estuques gravados, estandartes e emblemas de seda bordada, bordados à mão, rendas, mosaicos de faiança, tapetes berberes e cerâmica vitrificada Região de Chaouia Não informado Administração Geral de Instrução Pública (órgão governamental) Desenhos produzidos por alunos das novas escolas de ensino fundamental e profissionalizante Engenharia Incluindo uma exposição de trincheiras utilizadas na engenharia militar

Resultados Um dos objetivos da feira era inventariar todos os itens que o Marrocos importava da Europa, para que os franceses pudessem planejar o fornecimento direto desses produtos no futuro. Além disso, estudiosos aproveitaram a feira para realizar pesquisas sobre todos os recursos que o Marrocos poderia oferecer, incluindo o setor de artesanato, e para organizar melhor a exploração desses recursos. Os estudiosos concluíram que as peças marroquinas mais antigas apresentavam qualidade superior. Eles consideravam que o auge do artesanato já havia passado, observando que os itens modernos mostravam um declínio na qualidade do design, das matérias-primas, da pigmentação e da habilidade dos artesãos. Incentivadas por exemplos de trabalhos produzidos por crianças marroquinas nas novas escolas primárias e profissionalizantes (exibidos na feira pela Administração Geral de Instrução Pública), as autoridades francesas acreditaram que uma nova geração de artesãos poderia ser formada nesses estabelecimentos. Posteriormente, implementaram programas de educação para adultos e sistemas de aprendizagem nessas escolas, nos quais os marroquinos aprendiam a copiar peças artesanais antigas reunidas por especialistas franceses. Foram criados dois "Escritórios de Inspeção do Artesanato Nativo", em Fez e Rabat, contando com museus e oficinas anexos para servir como centros de produção de novos artigos de artesanato marroquino. Réplicas de peças antigas eram mantidas nos novos museus e também enviadas para exposições no Marrocos e no exterior, onde eram colocadas à venda.

Referências

Categoria:Exposições Categoria:1915 em Marrocos Categoria:História de Casablanca