Abedalá ibne Jaxe (; m. ) foi um dos primeiros seguidores de Maomé, seu primo materno e um dos emigrantes (muajiritas) que participaram da formação da primeira comunidade muçulmana. Filho de Jaxe ibne Riabe, dos açaditas, e de Umaima binte Abede Almotalibe, pertencia a uma família aliada aos omíadas dos coraixitas. Entre seus irmãos estavam Ubaide Alá e Abu Amade, enquanto sua irmã Zainabe viria a se casar com Maomé. Abedalá converteu-se ao islão ainda durante a fase inicial da pregação de Maomé em Meca, antes de a Casa de Alarcame ser utilizada como ponto de reunião dos primeiros muçulmanos. Participou das duas migrações à Abissínia e posteriormente realizou a Hégira para Medina, onde Maomé estabeleceu um vínculo de fraternidade entre ele e Ácime ibne Tábite.

No décimo sétimo mês após a Hégira, foi colocado no comando da Expedição de Nacla, enviada inicialmente para observar os movimentos dos coraixitas. O ataque realizado pelo destacamento contra uma caravana mecana resultou na morte de Anre ibne Alhadrami, na captura de dois homens e na obtenção de butim, constituindo um dos primeiros confrontos armados entre os muçulmanos e seus adversários mecanos. A expedição tornou-se controversa por ter ocorrido em Rajabe, um dos meses sagrados, durante os quais o combate era tradicionalmente proibido, e o episódio foi posteriormente associado ao versículo 217 da sura Albacara. Abedalá participou depois da Batalha de Badre e da Batalha de Uude, sendo morto nesta última em 625, quando tinha aproximadamente quarenta anos. Seu corpo foi mutilado após a morte e sepultado junto ao de seu tio materno Hâmeza, igualmente morto em Uude. Também lhe são atribuídos dois hádices preservados no Musnad de Amade ibne Hambal.

Biografia

Abedalá era filho de e de , filha de Abede Almotalibe e tia paterna de Maomé, de quem Abedalá era, portanto, primo. Pertencia aos açaditas, embora sua família estivesse ligada aos omíadas dos coraixitas por uma relação de aliança. Entre seus irmãos estavam Ubaide Alá e Abu Amade, e sua irmã Zainabe posteriormente tornou-se esposa de Maomé. Abedalá converteu-se ao islão juntamente com seus dois irmãos antes de Maomé passar a utilizar a Casa de Alarcame como local de reunião de seus seguidores. Participou das duas migrações realizadas pelos muçulmanos à Abissínia e, após retornar, permaneceu algum tempo em Meca antes de realizar a Hégira para Medina com sua família. Seu irmão Ubaide Alá, que igualmente havia migrado à Abissínia, converteu-se ali ao cristianismo e morreu no país. Em Medina, Maomé estabeleceu um vínculo de fraternidade entre Abedalá e Ácime ibne Tábite.

No décimo sétimo mês após a Hégira, Maomé nomeou Abedalá comandante de uma expedição enviada a Nacla e lhe entregou uma carta que deveria ser aberta somente depois de dois dias de viagem. As instruções nela contidas determinavam que se dirigisse a Nacla, observasse os movimentos dos coraixitas e transmitisse a Medina as informações obtidas. Ao chegar ao destino, o destacamento encontrou uma caravana comercial dos mecanos e decidiu apoderar-se dela. Durante o ataque, um dos muçulmanos matou o chefe da caravana, Anre ibne Alhadrami, enquanto dois outros integrantes foram capturados e a caravana e suas mercadorias tomadas como butim. Segundo Watt, essa foi a primeira incursão na qual os muçulmanos derramaram sangue e obtiveram butim. Embora ainda não tivesse sido revelado o versículo que regulamentaria a divisão dos despojos, Abedalá ordenou que um quinto do butim fosse reservado a Maomé. A proporção adotada por ele coincidiu com a que seria posteriormente estabelecida no versículo 41 da sura al-Anfal. A expedição, também conhecida como Expedição de Nacla, foi considerada pela tradição islâmica a primeira ocasião em que os muçulmanos derramaram sangue inimigo e fizeram prisioneiros e butim.

O episódio tornou-se controverso porque ocorreu em Rajabe, um dos meses sagrados, nos quais o combate era tradicionalmente proibido. Os politeístas mecanos passaram a acusar Maomé de ter permitido o combate e a obtenção de butim durante um mês sagrado. Como não havia ordenado que Abedalá combatesse, Maomé não aprovou a ação e recusou-se inicialmente a receber o quinto dos despojos que lhe fora reservado. O episódio foi posteriormente associado à revelação do versículo 217 da sura Albacara, segundo o qual impedir as pessoas de seguirem o caminho de Alá, persistir na descrença, impedir o acesso à Mesquita Sagrada e expulsar seus habitantes constituíam transgressões mais graves do que combater durante o mês sagrado. Segundo Çakan, após a revelação desse versículo, a atuação dos participantes da expedição passou a ser considerada justificada. Abedalá participou das batalhas de Badre e Uude. Nesta última, travada em 625, combateu até ser morto, quando tinha cerca de quarenta anos; Watt fornece uma estimativa menos precisa, situando sua idade entre quarenta e cinquenta anos. Após sua morte, soldados inimigos mutilaram seu corpo, cortando-lhe o nariz e as orelhas. Abedalá foi então sepultado na mesma cova que seu tio materno Hâmeza, também morto na batalha. Amade ibne Hambal incluiu no Musnad dois hádices transmitidos por Abedalá, reproduzidos em duas passagens distintas da obra.

Bibliografia

Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Árabes do século VI Categoria:Açaditas