Batalha da Baía foi a tentativa neerlandesa de invadir e capturar novamente a cidade de Salvador em 1627. No contexto das invasões holandesas no Brasil, sucedeu a Captura da Bahia, quando a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais tomou a cidade em 1624 até ser expulsa em 1625 com a expedição luso-espanhola Jornada dos Vassalos. A expedição holandesa foi comandada pelo corsário e então almirante Piet Heyn e, embora não tenha conseguido retomar a cidade, capturou navios e cargas por duas vezes.
Os anos de 1625 e 1626 foram marcados por insucessos militares e financeiros relevantes para a Companhia das Índias Ocidentais. Nesse contexto, o almirante Heyn percorreu entre 1626 e 1627 a costa brasileira atrás das cargas dos navios e os "tesouros" resultantes dos ataques e pilhagens de 1627 (e também 1628) colaboraram para o pagamento das dívidas da companhia majestática e montagem de nova expedição, dessa vez destinada à capitania de Pernambuco e sua produção açucareira anos depois.
Os holandeses estiveram na Bahia sobretudo no período de 1624 a 1627, mas também retornaram com João Maurício de Nassau em 1638 e avançaram sobre o Recôncavo Baiano principalmente entre os anos de 1646 e 1649, além de batalhas mais pontuais travadas contra piratas, corsários e conquistadores holandeses em Camamu (1640), Itaparica (1600 e 1647) e Salvador (1599, 1604, 1932, 1934).
História miniatura|esquerda|200px|Em vermelho, as principais rotas coloniais espanholas miniatura|esquerda|200px|Retrato de Pieter Pietersz Heyn (1577-1629)
A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais havia passado por derrotas significativas em 1625 (Bahia, Porto Rico e Elmina), com efeitos desmoralizantes, mas contava ainda com recursos para novos combates. Assim, lançou o almirante Piet Heyn em maio de 1626 em uma expedição com 14 embarcações, pessoas e 312 peças de artilharia com o propósito de auxiliar o comandante burgomestre Boudewijn Hendricksz no saque a navios espanhóis com carga de prata no Mar do Caribe. Contudo, Hendricksz morreu e sua esquadra saiu das Antilhas, o que levou Heyn a dirigir-se ao litoral brasileiro, conforme já estava previamente instruído caso não encontrasse Hendricksz. Antes disso, em 9 de setembro de 1626 a esquadra de Heyn chegou a avistar um grande carregamento de prata no estreito da Flórida, mas fortemente fortemente protegido, e não atacou. Ao buscar seguir as instruções, os ventos, contudo, conduziram os navios a atravessar o Oceano Atlântico por duas vezes, passando por Cabo Verde e Serra Leoa até alcançar a costa baiana na noite entre 2 e 3 de março. Com combatentes, na manhã de 3 de março, a esquadra aproximou-se do porto de Salvador e, apesar das baterias militares de proteção portuária, teve sucesso em saquear.
O militar e governador-geral Diogo Luís de Oliveira, descrito como "um monstro de engenhosidade", reforçou as defesas do porto e da Baía de Todos-os-Santos após o saque de março de 1627. Porém, não foi suficiente para impedir novo saque ainda naquele ano. Após navegar entre a Bahia e o Rio de Janeiro, Heyn retornou à Baía em 10 de junho. Durante intervalo, realizou o segundo saque exitoso e retornou às Províncias Unidas com o carregamento de açúcar e fumo em outubro de 1627, quando foi presenteado com medalha e corrente de ouro pela administração central da Companhia das Índias Ocidentais (Dezenove Senhores) e, posteriormente, promovido a general.
As fontes divergem quanto às datas da batalha, à quantidade de navios e à carga saqueada. No Dicionário das batalhas brasileiras, o historiador Hernâni Donato relatou na edição de 1996 a divergência entre a obra História naval brasileira, que informou a data de 3 de março, e Sousa Ferreira, que deu a data de 8 de março para ocorrência do ataque naquele mês de 1627 (na edição de 1987, ele havia informado somente essa segunda data, mas acompanhada de ponto de interrogação). Donato ainda contou que Heyn perdeu três navios e aproximadamente 100 combatentes, enquanto que afundou um navio, conquistou a rendição de um segundo, capturou 22 navios, 2700 caixas de açúcar, algodão, couro, prata e tabaco e um navio negreiro com pessoas escravizadas dentro. Esse afundamento e a rendição teria ocorrido em um intervalo de meia hora de combate segundo a edição de 1996; enquanto que, conforme a edição de 1987, Heyn teria exigido resgate, saqueado o Recôncavo Baiano e se retirado apenas em 14 de julho daquele ano. Ao mesmo tempo, contudo, ambas as edições tratam os eventos de março como a batalha de Salvador (1627) e o ataque aos navios mercantes na foz do rio Pitanga em 12 de junho contra o capitão Francisco Padilha e sua tripulação de 150 marinheiros como uma batalha em separado, a batalha de Pitanga (1627).
miniatura|, gravura que ilustra a saída de navios em 13 de junho de 1627 com o resultado da pilhagem com destino à Europa As divergências seguem com outras fontes. Segundo o historiador britânico Charles Ralph Boxer, a esquadra holandesa conseguiu capturar ou incendiar 26 navios, parte deles provenientes do Mar Báltico, e carregar para as Províncias Unidas dos Países Baixos caixas de açúcar, especiarias, fumo, couro, algodão e pau-brasil em parte dos navios capturados. Segundo relato de Frei Vicente do Salvador em História do Brasil, treze navios holandeses entraram na Baía de Todos-os-Santos em 3 de março de 1627, capturaram 21 embarcações portuguesas atracadas no porto de Salvador e já abastecidas com três mil caixas de açúcar, enquanto que perderam sua capitânia e outra embarcação.Vicente do Salvador. História do Brasil. Salvador, 1627. Segundo o jornalista Tasso Franco, foram capturados 30 navios portugueses carregados de açúcar. Segundo Saturnino Monteiro, o conflito foi de 4 de março a 14 de julho de 1627. Segundo o historiador Gabriel Ferreira Gurian, foram dois saques no intervalo de tempo de poucos meses em 1627. Já os militares brasileiros Virgilio Ribeiro Muxfeldt e Luiz Ernani Caminha Giorgis contaram que a expedição holandesa, nos confrontos de março, sofreu pesadas baixas e Heyn foi ferido, por isso, seguiu para Cabo Frio; retornou à Baía em 10 de junho, onde pilhou cargas e apresou e incendiou navios; se dirigiu à foz do Rio Pitanga no dia 12 de junho, onde venceu a frota de Padilha (morto em combate e descrito como um herói da resistência de 1624-1625) enviada pelo Governador-Geral; e, antes de voltar à República dos Sete Países Baixos Unidos, ainda navegou por mais um mês pelas águas da Baía, para onde nunca mais regressou.
O cartógrafo Hessel Gerritsz retratou naquele mesmo ano o ataque de Piet Heyn à Baía de Todos-os-Santos. Sob o título em holandês , a obra faz parte do acervo do Museu Estatal de Amesterdão, nos Países Baixos, assim como a obra , de autoria anônima e que retrata a saída com os saques obtidos com o ataque.
Ver também Guerra Luso-Holandesa Guerra dos Oitenta Anos
Bibliografia
Capítulo último: De como Diogo Luiz de Oliveira veio governar o Brasil, e se foi seu antecessor Mathias de Albuquerque para o reino
Ligações externas
Baia Baia Categoria:História de Salvador Categoria:Colonização do Brasil Baia Categoria:Século XVII no Brasil Categoria:Década de 1620 nos Países Baixos Categoria:1627 no Brasil Categoria:Conflitos em 1627