O RIM-161 Standard Missile 3 (SM-3) é um míssil superfície-ar naval empregado pela Marinha dos Estados Unidos para a interceptação de mísseis balísticos como parte integrante do Sistema de Defesa contra Mísseis Balísticos Aegis. Com o alcance de 1.200 km da variante Block IIA, o SM-3 é o segundo míssil antibalístico de maior alcance da Agência de Defesa contra Mísseis dos EUA, atrás apenas do Ground-Based Interceptor. O SM-3 também já foi utilizado em capacidade antissatélite contra um satélite em órbita na extremidade inferior da órbita terrestre baixa. O SM-3 é utilizado e testado prioritariamente pela Marinha dos Estados Unidos e operado também pela Força Marítima de Autodefesa do Japão.
Todas as variantes do SM-3 são fabricadas pela Raytheon (atual RTX Corporation) e pela Aerojet, enquanto o Block IIA é desenvolvido em parceria com a Mitsubishi Heavy Industries. A aquisição de alvos é providenciada pelo radar AN/SPY-1 da embarcação, e o míssil transporta a ogiva cinética Lightweight Exo-Atmospheric Projectile (LEAP).
Em 2008, as forças armadas dos EUA destruíram o satélite governamental avariado USA-193, a uma altitude de 247 quilômetros, disparando um SM-3 a partir do cruzador USS Lake Erie nas proximidades do Havaí, na denominada Operação Burnt Frost. A ação foi considerada um teste operacional de arma antissatélite em resposta ao teste similar realizado pela China em 2007.
O SM-3 foi utilizado em combate real pela primeira vez durante os Ataques iranianos contra Israel em abril de 2024, ocasião em que entre quatro e sete mísseis foram disparados para abater pelo menos seis mísseis balísticos iranianos. O SM-3 voltou a ser empregado na Guerra do Irã de 2026, inclusive para interceptar mísseis balísticos iranianos no espaço aéreo da Turquia.
Desenvolvimento O SM-3 evoluiu a partir do projeto comprovado do SM-2 Block IV. O míssil utiliza o mesmo acelerador a combustível sólido e o motor-foguete de duplo empuxo do Block IV no primeiro e segundo estágios, mantendo a seção de controle de atitude e o guiamento de meio-curso para manobras na atmosfera. Para viabilizar o alcance estendido de uma interceptação exoatmosférica, empuxo adicional é provido por um novo terceiro estágio dotado de motor-foguete de pulso duplo para a fase inicial de voo fora da atmosfera.
Os trabalhos iniciais para adaptar o SM-3 para bases terrestres (sistema "Aegis Ashore") foram desenvolvidos originalmente para Israel, mas o país optou pelo desenvolvimento autônomo do sistema Arrow 3. A administração Obama delineou a Abordagem Adaptativa Fásica Europeia (EPAA), e o SM-3 foi selecionado como o vetor principal dessa iniciativa, uma vez que o sistema concorrente do Exército dos EUA, o THAAD, não dispunha de alcance suficiente e exigiria um número excessivo de baterias para cobrir o continente europeu. Em comparação com o interceptador Ground-Based Interceptor do sistema GMD, o SM-3 Block I possui entre 1/5 e 1/6 do alcance. Como avanço estrutural nesse quesito, a variante SM-3 Block II ampliou o diâmetro da fuselagem de , tornando-o mais adequado contra mísseis balísticos de alcance intermediário (IRBM) e mísseis balísticos intercontinentais (ICBM).
A variante Block IIA, profundamente modificada, compartilha apenas o motor do primeiro estágio com o Block I. O Block IIA foi "projetado para permitir que o Japão se proteja contra ataques da Coreia do Norte com um número menor de navios desdobrados", mas constitui também o elemento central da fase 3 da EPAA na Europa. O Block IIA é desenvolvido conjuntamente pela Raytheon e pela Mitsubishi Heavy Industries, ficando a empresa japonesa responsável pela fabricação do motor-foguete de terceiro estágio e da coifa do míssil. Os investimentos orçamentários norte-americanos no Block IIA totalizaram US$ 1,51 bilhão.
Em 15 de outubro de 2024, a RTX anunciou que o SM-3 Block IIA obteve aprovação para produção em taxa plena (full-rate production).
Operação e desempenho O radar AN/SPY-1 do navio detecta o míssil balístico inimigo e o Sistema de Combate Aegis calcula a solução de tiro e controle de interceptação. O acelerador de combustível sólido Aerojet Mk 72 lança o SM-3 a partir das células do Sistema de Lançamento Vertical Mark 41 (VLS) da embarcação. Após o esgotamento e descarte do acelerador, o motor-foguete de duplo empuxo Mk 104 assume a propulsão através da atmosfera. O míssil recebe atualizações de trajetória via enlace de dados a partir do navio lançador. O motor de terceiro estágio Mk 136 é então acionado para conduzir o vetor para fora da atmosfera terrestre.
Após a separação do terceiro estágio, o veículo de destruição cinética Lightweight Exo-Atmospheric Projectile (LEAP) rastreia o alvo utilizando os dados de orientação fornecidos pelo navio. O sistema de controle de atitude e desvio regulável (TDACS) permite manobras de alta precisão na fase terminal do engajamento. Os sensores eletro-ópticos da ogiva identificam a ameaça e conduzem o veículo interceptador à colisão direta; segundo dados da Raytheon, o impacto cinético libera cerca de de energia no ponto de colisão.
Avaliações técnicas independentes dos ensaios preliminares do SM-3 anteriores a 2010 questionaram a taxa de sucesso demonstrada e o realismo de alguns cenários de teste. A Agência de Defesa contra Mísseis (MDA) contestou tais conclusões, afirmando que os estudos analisaram ensaios de desenvolvimento preliminares que não refletiam o desempenho dos sistemas operacionais posteriores.
Ensaios posteriores registraram resultados variados. Em 25 de outubro de 2012, um míssil SM-3 Block IA falhou na interceptação de um alvo balístico de curto alcance. Em maio de 2013, um SM-3 Block IB interceptou com êxito um alvo balístico de separação complexa. Em 4 de outubro de 2013, outro SM-3 Block IB interceptou um alvo de alcance médio na maior altitude já alcançada pelo sistema até então.
O SM-3 Block IIA, desenvolvido em conjunto pelos Estados Unidos e pelo Japão, iniciou os ensaios em voo em 2015. Seu primeiro teste, em 6 de junho de 2015, validou a separação de estágios e a aerodinâmica sem tentativa de interceptação. Em 3 de fevereiro de 2017, o contratorpedeiro USS John Paul Jones utilizou um SM-3 Block IIA para interceptar um alvo balístico de médio alcance. Um teste posterior realizado pelo mesmo navio em 21 de junho de 2017 falhou após um operador classificar erroneamente o alvo como amigável no console de comando, provocando a autodestruição do interceptador. Em 26 de outubro de 2018, o USS John Paul Jones detectou, acompanhou e destruiu um alvo de alcance médio com um míssil lançado do Campo de Mísseis do Pacífico em Kauai, no Havaí.
Em 16 de novembro de 2020, o contratorpedeiro USS John Finn utilizou um SM-3 Block IIA para interceptar com sucesso um alvo simulando um míssil balístico intercontinental (ICBM). O alvo foi lançado do campo de testes em Kwajalein, e o navio utilizou dados de rastreamento externos transmitidos pela rede de comunicações e comando C2BMC antes de efetuar o disparo.
Em fevereiro de 2024, a MDA e a Marinha dos EUA conduziram o teste operacional Stellar Sisyphus (FTX-23), demonstrando a capacidade do sistema Aegis de rastrear e discriminar alvos balísticos dotados de contramedidas avançadas, culminando na interceptação pelo SM-3 Block IIA.
Durante os Ataques iranianos contra Israel em abril de 2024, o SM-3 foi empregado em combate real pela primeira vez. Os contratorpedeiros USS Arleigh Burke e USS Carney, operando no leste do Mar Mediterrâneo, dispararam entre quatro e sete mísseis SM-3 Block IB para abater mísseis balísticos iranianos direcionados a Israel. No ataque iraniano de outubro de 2024, contratorpedeiros norte-americanos voltaram a empregar interceptadores SM-3.
Durante a Guerra do Irã de 2026, contratorpedeiros da Marinha dos EUA desdobrados no Mediterrâneo oriental empregaram interceptadores SM-3 contra mísseis balísticos que se aproximavam do espaço aéreo de países membros da OTAN. Em 4 de março de 2026, a Turquia informou que defesas aéreas da OTAN haviam interceptado um míssil iraniano em rota em direção ao espaço aéreo turco; fontes militares identificaram o contratorpedeiro USS Oscar Austin como o autor do disparo. Em 13 de março de 2026, a agência Reuters registrou a interceptação de um terceiro míssil balístico sobre a mesma região. Em maio de 2026, o jornal The Washington Post divulgou avaliações do Pentágono apontando que os navios da USN no Mediterrâneo oriental haviam disparado mais de 100 interceptadores SM-3 e SM-6 ao longo dos confrontos com o Irã.
Variantes thumb|Evolução das variantes do míssil SM-3
A versão SM-3 Block IA incorporou melhorias na confiabilidade geral e na facilidade de manutenção com custos reduzidos.
O SM-3 Block IB introduziu um sensor de imagem infravermelha de duas cores e um sistema de controle de atitude e desvio de empuxo regulável de propelente sólido (TDACS/SDACS) dotado de 10 micro-propulsores no veículo de destruição cinética, ampliando a capacidade de engajar mísseis balísticos em manobras evasivas. O sistema TDACS sólido foi desenvolvido pela Raytheon e Aerojet, com componentes fornecidos pela Boeing.
O SM-3 Block II ampliou o diâmetro do corpo do míssil para e reduziu o tamanho das aletas aerodinâmicas de controle, mantendo a compatibilidade dimensional com os silos verticais Mk 41 VLS com maior velocidade final e alcance.
O SM-3 Block IIA é um projeto binacional desenvolvido pela Raytheon e Mitsubishi Heavy Industries, incorporando uma ogiva cinética de maior diâmetro com capacidade de manobra superior e sensores de discriminação mais avançados, permitindo o engajamento de alvos da classe ICBM.
Designação Bloco Notas RIM-161A SM-3 Block I Versão de desenvolvimento. Utiliza a fuselagem básica e a propulsão do SM-2ER Block IVA. Motor-foguete de terceiro estágio (ASAS, da Alliant Techsystems) Sistema de navegação inercial assistido por GPS (GAINS) Ogiva cinética LEAP (impacto cinético direto sem carga explosiva) RIM-161B SM-3 Block IA Sensor infravermelho de 1 cor Sistema de controle de atitude por desvio sólido (SDACS) RIM-161C SM-3 Block IB Aprovado na revisão crítica de projeto em 13 de julho de 2009. Sensor de imagem infravermelha (IIR) de 2 cores Sistema de controle de atitude e desvio regulável (TDACS) Conjunto óptico totalmente reflexivo Processador digital de sinais avançado RIM-161D SM-3 Block IIA Ogiva cinética de alta velocidade terminal Propulsão de primeiro estágio com diâmetro de Nenhuma atribuída SM-3 Block IIB Ogiva cinética de alto desvio lateral Cabeça de busca avançada para discriminação de ogivas e despistadores
Fontes da tabela:
A variante SM-3 Block IIB foi inicialmente concebida para desdobramento na Europa por volta de 2022. Em março de 2013, o Secretário de Defesa Chuck Hagel anunciou a reestruturação e cancelamento do programa do SM-3 Block IIB, mantendo-se em seu lugar o plano de desdobramento de mísseis SM-3 Block IIA na base de Redzikowo, na Polônia. Porta-vozes do Pentágono refutaram que a decisão tenha decorrido de oposição diplomática de Moscou.
Histórico operacional
Estados Unidos
Defesa antimísseis Em setembro de 2009, o presidente Barack Obama anunciou a reformulação da defesa antimísseis europeia em favor do desdobramento de navios da Marinha dos EUA equipados com o sistema Aegis. Em 18 de setembro de 2009, o primeiro-ministro russo Vladimir Putin elogiou a decisão. O desdobramento de navios com mísseis RIM-161 SM-3 teve início na sequência, operando de forma complementar aos sistemas terrestres MIM-104 Patriot.
Em fevereiro de 2013, um SM-3 interceptou com sucesso um alvo IRBM em teste utilizando dados de rastreamento retransmitidos a partir de satélites espaciais. Em 23 de abril de 2014, a Raytheon e a Marinha dos EUA iniciaram a prontidão operacional do SM-3 Block IB na Europa. No Pacífico ocidental, a Marinha dos EUA e o Japão ampliaram o número de embarcações equipadas com o sistema Aegis e mísseis SM-3 Block IIA.