miniaturadaimagem|Aeronave de demonstração dos Blue Angels da Marinha dos EUA executando uma passagem em voo rasante sobre a água (sneak pass), com formação de nuvem de condensação por onda de choque em alta velocidade (2005). O sea skimming (ou voo rasante sobre o mar) é uma técnica de perfil de voo utilizada pela maioria dos mísseis antinavio modernos e por algumas aeronaves de ataque para evitar a detecção por radar e por sensores infravermelhos, reduzindo a probabilidade de interceptação durante a aproximação terminal ao alvo.

Método miniaturadaimagem|O míssil antinavio brasileiro MANSUP adotando trajetória de voo rasante sobre o mar (sea skimming) após a fase inicial de lançamento. Mísseis antinavio com perfil de sea skimming navegam na menor altitude tecnicamente viável sobre a superfície da água, voando quase invariavelmente abaixo de 50 metros e, nas fases terminais de aproximação, frequentemente a menos de 2 a 5 metros da lâmina d'água. Em um ataque com essa trajetória, os sistemas de vigilância de um navio de guerra conseguem detectar o míssil apenas quando este cruza a linha do horizonte radar (geralmente entre 28 e 46 km de distância da embarcação, dependendo da altura dos mastros de radar), concedendo à defesa antiaérea uma janela de reação de apenas 25 a 60 segundos.

Vantagens Ao deslocar-se rente ao nível do mar, o míssil reduz drasticamente o alcance útil no qual os radares do navio-alvo conseguem identificá-lo. O voo em altitude ultrabaixa prolonga o tempo em que o projétil permanece oculto pela curvatura da Terra e degrada o retorno dos radares devido à interferência do reflexo das ondas e da água (ruído de radar ou sea clutter). A eficácia operacional dessa técnica depende do nível de sofisticação dos sensores do navio defensor, das condições hidrometeorológicas marítimas e da área de seção transversal de radar (RCS) e assinatura térmica do próprio míssil. Ao encurtar o tempo de alerta prévio das defesas antimíssil, a manobra amplia as chances de penetração das defesas de ponto. Adicionalmente, o voo muito próximo à água aproveita o efeito solo, gerando maior sustentação aerodinâmica e aumentando o alcance operacional do vetor.

Desvantagens O emprego de perfis em sea skimming eleva substancialmente o risco de colisão acidental do míssil com a água antes do impacto no alvo, em razão de mar agitado, ondas anômalas, rajadas repentinas de vento ou falhas nos sistemas de rádio-altimetria e controle de voo. A trajetória ultrabaixa também dificulta a própria aquisição e travamento do alvo pelos sensores de bordo do míssil, uma vez que a linha de visada dos radares do míssil sofre as mesmas restrições impostas pelo horizonte e pelas ondas. Além disso, a manutenção estável de voo rente às ondas sob altas velocidades exige processadores de bordo robustos e altímetros de grande precisão, encarecendo os custos de produção.

Sistemas de defesa Diversas camadas de sistemas de armas navais são empregadas para conter ameaças em sea skimming:

CIWS baseados em canhões

Sistemas automáticos de artilharia rotativa de alta cadência de tiro (como o Phalanx CIWS e o Goalkeeper CIWS) projetados para criar uma barreira de saturação terminal contra mísseis em aproximação rápida.

CIWS baseados em mísseis

Mísseis de curto alcance e reação rápida guiados por infravermelho ou radar ativo (como o RIM-116 RAM e o Sea Ceptor), desenhados para interceptar mísseis antinavio em voo rasante a distâncias seguras do casco.

Chaff

Dispersores de tiras metálicas reflexivas que criam alvos falsos de alta intensidade eletromagnética no ar para desviar as cabeças de busca de radar dos mísseis.

Contramedidas eletrônicas

Sistemas de interferência eletrônica ativa (jamming) e engodos eletrônicos que emitem sinais direcionados para saturar ou enganar os radares de busca ativa e sistemas de guiamento terminal dos mísseis atacantes.

Emprego operacional em conflitos Mísseis franceses Exocet operando em perfil sea skimming foram amplamente utilizados pela Argentina na Guerra das Malvinas em 1982 (resultando no naufrágio do contratorpedeiro e do navio mercante Atlantic Conveyor) e pelo Iraque contra a fragata norte-americana no Golfo Pérsico durante a Guerra Irã-Iraque em 1987. Os pilotos argentinos dos caças navais Dassault-Breguet Super Étendard voavam em altitude extremamente baixa sobre as ondas, elevando-se apenas por breves segundos para realizar varreduras rápidas com o radar Agave e fixar as coordenadas de ataque antes de disparar os mísseis.

Durante a invasão russa da Ucrânia em 2022, as forças armadas ucranianas reivindicaram o disparo de dois mísseis de cruzeiro antinavio R-360 Netuno operando em trajetória de sea skimming, os quais atingiram e causaram o naufrágio do cruzador de mísseis russo Moskva.

Ver também

Lofting (perfil de trajetória ascendente de mísseis) Voo rasante Míssil de cruzeiro

Referências

Categoria:Mísseis antinavio Categoria:Guerra naval