Abede Alcadir ibne Omar Albaguedadi (; Baguedade, – Cairo, ) foi um filólogo, gramático e historiador da literatura árabe. Nascido em Baguedade, onde iniciou sua formação e adquiriu conhecimentos de árabe, persa e turco, deixou a cidade em 1638 e prosseguiu seus estudos em Damasco e no Cairo, onde frequentou Alazar. Entre seus principais mestres estiveram e . Estabelecido sobretudo no Cairo, reuniu ao longo da vida uma extensa biblioteca e manteve contato com numerosos estudiosos, além de realizar viagens a Constantinopla, Damasco e Adrianópolis.

Albaguedadi distinguiu-se pela amplitude de seus conhecimentos da língua e da literatura árabes, particularmente em gramática, lexicografia, poesia e história literária. Possuía também amplo domínio do persa e do turco, conhecia de memória as Maqāmāt de e numerosos divãs e versos em diferentes línguas. Seus interesses abrangiam ainda a história dos árabes e persas, os provérbios árabes e a literatura anedótica. A extensa coleção de livros que formou, enriquecida pela aquisição de grande parte da biblioteca de Alcafaji, forneceu-lhe amplo material poético e filológico para seus próprios trabalhos.

Sua obra mais conhecida é o Khizānat al-adab wa-lubb lubāb lisān al-ʿArab, extenso trabalho filológico e literário dedicado aos 957 shawāhid, ou testemunhos poéticos empregados como evidência linguística, citados por em seu comentário à Kāfiya de . Albaguedadi reuniu em torno desses testemunhos abundantes informações sobre os poetas, suas composições e a tradição gramatical e literária árabe, fazendo do Khizānat al-adab a obra de maior projeção de sua produção.

Vida

Abede Alcadir ibne Omar Albaguedadi nasceu em Baguedade em 1030 A.H. (1621). Sua primeira formação ocorreu na própria cidade, onde adquiriu conhecimentos de árabe, persa e turco. Em 1048 A.H. (1638), quando Baguedade foi retomada dos safávidas pelos otomanos sob o comando pessoal do sultão , deixou sua cidade natal e dirigiu-se a Damasco. Ali prosseguiu seus estudos, particularmente de língua e literatura árabes, tendo entre seus mestres Maomé ibne Iáia Alfaraídi. Dois anos depois, em 1050 A.H. (1640), estabeleceu-se no Cairo, onde frequentou Alazar e estudou ciências religiosas e outras disciplinas, sobretudo com e . Albaguedadi destacou-se desde cedo pela amplitude de suas leituras. Segundo a Encyclopaedia of Islam, sua familiaridade com os livros era tamanha que o próprio Alcafaji recorria a ele para esclarecer questões difíceis. Quando seu mestre morreu, em 1069 A.H. (1659), adquiriu grande parte de sua biblioteca e aprofundou seus estudos de língua e literatura. Dedicou atenção especial aos divãs dos antigos poetas árabes e ampliou seus conhecimentos por meio do contato com numerosos estudiosos. Ao longo dos anos, reuniu uma biblioteca pessoal particularmente rica, formada tanto pelas obras adquiridas de Alcafaji quanto por livros que continuou a obter em suas viagens e estudos.

Em 1077 A.H. (1666–1667), Albaguedadi viajou a Constantinopla, onde permaneceu menos de quatro meses antes de regressar ao Cairo. No mesmo ano, conheceu , então governador otomano do Egito, que o tratou com grande consideração e o incorporou ao seu círculo de convivência. Quando Ibraim Paxá foi destituído do governo e deixou o Egito, Albaguedadi acompanhou-o pela Síria e chegou com ele a Damasco em 1085 A.H. (1674–1675). Posteriormente, acompanhou-o também a Adrianópolis, onde travou conhecimento com o grão-vizir Coprulu Fazel Amade Paxá. Nessa ocasião, apresentou-lhe uma obra que havia composto sobre o Sharḥ Bānat Suʿād de Ibne Hixame, sendo recebido, segundo seu próprio relato, com grande consideração pelo estadista otomano. Albaguedadi passou seus últimos anos novamente no Cairo. Adoeceu gravemente e, como os médicos não conseguiram curá-lo, deixou a cidade, mas posteriormente retornou. Pouco depois de sua volta, foi acometido por nova enfermidade e morreu em 1093 A.H. (1682). Seu corpo foi sepultado no Cairo.

Atividade intelectual

Albaguedadi foi um estudioso da língua e da literatura árabes particularmente conhecido por seus conhecimentos de gramática, lexicografia, poesia e história literária. Seu domínio não se limitava ao árabe: possuía também amplo conhecimento do persa e do turco e conhecia de memória as Maqāmāt de , numerosos divãs árabes e grande quantidade de versos persas e turcos. A Encyclopaedia of Islam atribui-lhe apurado senso crítico e profundo conhecimento da filologia e da poesia árabes, bem como da história dos árabes e persas, dos provérbios árabes e da literatura anedótica. Sua formação e sua extensa biblioteca permitiram-lhe trabalhar diretamente com grande quantidade de material poético e filológico antigo, que utilizou extensivamente em suas próprias obras. Sua obra mais conhecida é o Khizānat al-adab wa-lubb lubāb lisān al-ʿArab, trabalho de caráter filológico e literário construído em torno dos 957 shawāhid — testemunhos poéticos empregados como evidência linguística — citados por em seu comentário à Kāfiya de . Albaguedadi não se limitou a explicar linguisticamente esses testemunhos, mas reuniu em torno deles abundante material sobre os poetas, suas composições e a tradição gramatical e literária árabe, fazendo do Khizānat al-adab sua obra de maior projeção.

Bibliografia

Categoria:Naturais de Bagdá Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Árabes do século XVII