Sade ibne Maleque ibne Dubaia () foi um poeta, cavaleiro e nobre árabe pré-islâmico dos becritas, pertencente à linhagem de Dubaia ibne Caice. Irmão do também cavaleiro Aufe ibne Maleque e avô do poeta Tarafa ibne Alabede, destacou-se nas tradições relativas aos conflitos entre os becritas e os taglibitas e teria sido morto durante a Guerra de Albaçus. Na Guerra de Albaçus, Sade é apresentado como um dos participantes da mobilização dos becritas e, no Dia de Quida, como o poeta de suas forças, ao lado de figuras como Alfinde Azimani, Jadar ibne Dubaia e Alharite ibne Ubade. A tradição atribui-lhe versos destinados a incitar Alharite a abandonar sua neutralidade e participar da guerra, bem como uma composição censurando grupos becritas que inicialmente não haviam contribuído para o combate.

No próprio Dia de Quida, é-lhe atribuída ainda a morte de um guerreiro taglibita conhecido como Ibne Alcabia. Embora sua produção preservada seja relativamente pequena, Sade foi reputado como poeta e teve versos incorporados à Hamasa de Abu Tamame e transmitidos por obras literárias, filológicas e lexicográficas posteriores. Sua poesia inclui composições relacionadas à Guerra de Albaçus, versos associados à tradição proverbial da vara batida para aquele que compreende e uma composição sobre um combate noturno contra forças gassânidas. Alguns de seus versos adquiriram circulação independente como testemunhos linguísticos, enquanto outras composições posteriormente atribuídas a ele apresentam problemas de autenticidade ou atribuições concorrentes.

Vida

Sade era um poeta, cavaleiro e um dos nobres pré-islâmicos, pertencente aos dubaiaítas, um dos clãs dos caicitas, que por sua vez pertenciam aos becritas. Era irmão de Aufe ibne Maleque, também cavaleiro becrita. Khayr al-Dīn al-Ziriklī o inclui entre os nobres e cavaleiros reconhecidos dos becritas, registra que era avô de Tarafa ibne Alabede e afirma que foi morto durante a Guerra de Albaçus. As tradições sobre a Guerra de Albaçus atribuem a Sade participação na mobilização dos becritas durante o conflito. Quando Alharite ibne Ubade ainda se mantinha afastado da guerra, Sade pronunciou versos destinados a incitá-lo a participar dos combates, censurando aqueles que haviam se retirado da luta. No Dia de Quida, a mesma tradição apresenta Sade como poeta dos becritas, ao lado de Alharite ibne Ubade, Alfinde Azimani, Jadar ibne Dubaia e seu irmão Aufe ibne Maleque, responsáveis por diferentes funções entre as forças becritas. O Kitab al-Aghani de Abu Alfaraje Alisfaani preserva ainda outra composição na qual Sade censurava grupos becritas que não haviam contribuído com homens para o combate, mencionando os , iascuritas e dulitas. Segundo a notícia atribuída a Mucatil, alguns homens dos iascuritas e dos dulitas combateram posteriormente, enquanto homens dos lujaítas chegaram no Dia de Quida acompanhando Alfinde Azimani.

Sade participou do Dia de Quida, também conhecido como Dia do Raspar das Cabeças, um dos principais confrontos da Guerra de Albaçus. Na tradição preservada no Kitab al-Aghani, aparece especificamente como o poeta dos becritas no confronto, ao lado de Alfinde Azimani, apresentado como chefe dos becritas, Jadar ibne Dubaia, seu cavaleiro, Alharite ibne Ubade, seu árbitro, e seu irmão Alburaque, responsável por bloquear a passagem na qual os becritas enfrentaram seus perseguidores. A mesma fonte observa que Alburaque era mais notável que seu irmão Sade. Outra notícia preservada no Kitab al-Aghani atribui a Sade um feito pessoal durante o mesmo confronto. Numa discussão sobre os taglibitas mortos na Guerra de Albaçus que não foram mencionados nos poemas de Almualhil, Misme contesta o uso desses versos como registro completo das baixas e enumera alguns mortos omitidos. Entre eles figura um guerreiro conhecido como Ibne Alcabia, cuja morte no Dia de Quida é atribuída a Sade.

Poesia

Sade é descrito como poeta de produção relativamente pequena, mas reputada, e parte de sua poesia foi preservada na Hamasa de Abu Tamame. Albaguedadi, por sua vez, afirma, com base em Alamidi, que havia bons poemas seus preservados no Livro dos Banu Caice ibne Talaba. Al-Ziriklī igualmente registra essa informação e identifica Sade como autor da cássida em ḥāʾ iniciada por Yā buʾsa li-l-ḥarbi allatī. Uma de suas composições é uma cássida rimada em ḥāʾ, iniciada por Yā buʾsa li-l-ḥarbi allatī, associada pela tradição à Guerra de Albaçus. O Kitab al-Aghani situa sua recitação no período em que Alharite ibne Ubade ainda se mantinha afastado do conflito e afirma expressamente que Sade pronunciou os versos para incitá-lo a participar da guerra. Nesse contexto, a obra transmite três versos:

A composição teve transmissão mais extensa fora desse episódio. Albaguedadi registra que a versão incluída na Hamasa de Abu Tamame compreendia quinze versos e a atribui a Sade. A atribuição, contudo, não foi inteiramente uniforme: Almarzubani, ao tratar de Anre ibne Martade ibne Sade, transmite o primeiro verso como atribuído a este último, mas registra também a tradição segundo a qual pertenceria a seu avô, Sade ibne Maleque. Outra composição é atribuída diretamente a Sade pelo Kitab al-Aghani no contexto da participação desigual dos grupos becritas na guerra. Segundo uma notícia atribuída a Mucatil, os iascuritas, lujaítas e dulitas inicialmente não combateram com os demais becritas, salvo alguns homens iascuritas e dulitas que participaram posteriormente; membros dos lujaítas teriam chegado ao Dia de Quida acompanhando Alfinde Azimani. A fonte introduz então quatro versos de Sade censurando esses grupos:

A transmissão da composição apresenta diferenças tanto de extensão quanto de leitura. Enquanto o Kitab al-Aghani preserva três versos no relato da incitação de Alharite ibne Ubade, a versão incorporada à Hamasa de Abu Tamame era consideravelmente mais extensa. Albaguedadi registra expressamente que a composição transmitida nessa antologia compreendia quinze versos. A atribuição tampouco foi inteiramente uniforme: Almarzubani, ao tratar de Anre ibne Martade ibne Sade, transmite o primeiro verso como atribuído a este último, mas registra também a tradição segundo a qual pertenceria a seu avô, Sade ibne Maleque. Entre as variantes textuais encontra-se o segundo verso: o Kitab al-Aghani transmite li-ṣāḥibihā, "a seu participante", mas registra também a variante li-jāḥimihā, em referência àquele que atiça a guerra. A versão da Hamasa desenvolve mais extensamente a representação da guerra apenas esboçada nos três versos transmitidos pelo Kitab al-Aghani. Depois do guerreiro perseverante e do cavalo resistente mencionados no núcleo preservado nessa obra, Sade enumera a cota de malha firmemente tecida, os elmos e as lanças entre os elementos associados ao combate e descreve a guerra como tendo "descoberto sua perna", isto é, alcançado toda a sua intensidade. Na sequência, a preocupação dos combatentes é apresentada como a proteção das mulheres mantidas nos aposentos, e não dos rebanhos conduzidos aos currais.

A composição prossegue contrapondo a disposição do poeta para permanecer no conflito à atitude daqueles que procuravam escapar dele. Sade se identifica como descendente de Caice e exorta os caicitas a perseverarem até matarem seus inimigos ou serem mortos por eles. Atabrizi explica turīḥū aw turāḥū precisamente nesse sentido e interpreta al-muwāʾil como aquele que procura um refúgio, mas cuja tentativa de escapar é impedida pelo prazo de vida que lhe foi destinado. Nos versos seguintes, a morte já se interpõe à fuga e as armas são desembainhadas; o poeta pergunta então que valor teria a vida se as terras altas e as partes baixas dos vales ficassem vazias de seus homens. Atabrizi explica al-ẓawāhir e al-biṭāḥ como, respectivamente, as partes altas e os fundos dos vales.

O último verso dessa sequência é transmitido por Atabrizi como ayna al-aʿizzatu wa-l-asinnatu ʿinda dhālika wa-l-samāḥ, "onde estariam então os homens poderosos, as pontas de lança e a generosidade?". O comentador explica al-aʿizza como os homens poderosos, al-asinna em referência às armas dirigidas contra o inimigo e al-samāḥ em referência aos homens generosos. Alguns versos da composição adquiriram circulação independente como testemunhos linguísticos. O primeiro, Yā buʾsa li-l-ḥarbi allatī, foi citado por Sibauai a propósito da construção yā buʾsa li-l-ḥarb, que explica como equivalente a yā buʾsa al-ḥarb. O verso continuou a ser empregado como testemunho pelos gramáticos posteriores, e Albaguedadi dedicou-lhe uma discussão na Khizānat al-adab, examinando a inserção do lām entre os termos da construção. O verso Kašafat lahum ʿan sāqihā / wa-badā mina l-šarri l-ṣurāḥ, no qual a guerra "descobre sua perna", circulou igualmente como testemunho do emprego figurado da expressão para indicar a intensificação da guerra. Alfarrá atribui o verso ao avô de Tarafa ibne Alabede, isto é, Sade ibne Maleque. A tradição lexicográfica também preservou o verso: no Tahḏīb al-luġa, de Alazari, sua transmissão apresenta al-barāḥ em lugar de al-ṣurāḥ.

Outra composição é atribuída diretamente a Sade pelo Kitab al-Aghani no contexto da participação desigual dos grupos becritas na Guerra de Albaçus. Segundo uma notícia atribuída a Mucatil, os iascuritas, lujaítas e dulitas inicialmente não combateram com os demais becritas, salvo alguns homens iascuritas e dulitas que participaram posteriormente; membros dos lujaítas teriam chegado ao Dia de Quida acompanhando Alfinde Azimani. A fonte introduz então quatro versos de Sade censurando esses grupos:

Outra composição atribuída a Sade está associada à tradição sobre o provérbio "a vara foi batida para aquele que compreende". Almaidani registra diferentes versões sobre sua origem e, numa delas, afirma que o primeiro homem para quem a vara foi batida foi Anre ibne Maleque ibne Dubaia, irmão de Sade. Segundo essa narrativa, Anumane enviou Anre para procurar pastagens, mas, irritado com sua demora, jurou matá-lo caso retornasse elogiando ou censurando as condições encontradas. Quando Anre regressou, Sade, que conhecia a ameaça, pediu sucessivamente permissão para falar ou fazer sinais ao irmão, o que o rei recusou sob ameaça de mutilá-lo. Autorizado apenas a bater uma vara, Sade empregou uma sequência de golpes e gestos para indicar ao irmão que não encontrara nem seca nem vegetação abundante e que deveria responder ao rei. Anre descreveu então a terra de maneira ambígua e escapou da ameaça. Almaidani introduz em seguida quatro versos nos quais Sade recorda o episódio:

Uma composição de três versos é preservada por Aljaiz no al-Bayān wa-l-tabyīn. Ao contestar a afirmação de que os árabes não combatiam durante a noite, Aljaiz cita como evidência versos que atribui expressamente a Sade sobre a morte de Cabe ibne Muzaicia, identificado como rei gassânida. Neles, o poeta descreve uma força que chegou furtivamente depois que seus homens haviam adormecido e a reação armada contra os atacantes:

Outras peças aparecem sob o nome de Sade numa tradição de transmissão mais problemática. ʿAbd al-ʿAzīz al-Nabawī observa que três composições — iniciadas por Alā qul li-man tazdarīhi l-ḥurūbu, Aḥārithu man dhā baʿda Bakri ibn Wāʾilin e ʿAmarnā bi-bnati l-Bakrī qadman —, num total de dezesseis versos, são transmitidas exclusivamente pelo Kitab al-Basus. O autor chama atenção para sinais de elaboração e combinação textual nessas peças e, por isso, considera duvidosa sua atribuição a Sade.

Bibliografia

Categoria:Dubaiaítas Categoria:Pessoas envolvidas na Guerra de Albaçus Categoria:Poetas árabes do século V Categoria:Poetas árabes do século VI