A síndrome da disgalaxia pós-parto (SDPP), historicamente rotulada como síndrome de mastite, metrite e agalaxia (MMA), constitui uma das patologias multifatoriais mais complexas e economicamente devastadoras na suinicultura intensiva global. Manifestando-se nas primeiras 12 a 48 horas pós-parto, esta afeção clínica ou subclínica caracteriza-se pela falha severa na síntese e ejeção de colostro e leite. A sua etiologia envolve uma intrincada interação entre stress ambiental, falhas de maneio e patógenos oportunistas. Do ponto de vista fisiopatológico, a constipação intestinal e a estase digestiva no pré-parto propiciam a proliferação exacerbada de bactérias Gram-negativas, como a Escherichia coli. A lise destes micro-organismos liberta lipopolissacarídeos (endotoxinas) na circulação. Esta endotoxemia inibe a secreção de prolactina e bloqueia os recetores periféricos de oxitocina, interrompendo a lactação. Clinicamente, as porcas apresentam hipertermia (temperatura retal superior a 39,5 °C), depressão, anorexia e relutância em amamentar devido à dor da mastite aguda. Corrimentos vulvares purulentos evidenciam quadros concomitantes de metrite. O diagnóstico precoce assenta na monitorização térmica sistemática e na observação dos leitões, que exibem vocalização constante, desidratação e subnutrição extrema. O impacto económico traduz-se no aumento drástico da mortalidade pré-desmame por inanição ou esmagamento, e no atraso do desenvolvimento ponderal. O controlo eficaz da SDPP exige uma abordagem profilática holística em detrimento da mera terapia antibiótica curativa. Esta estratégia integrada engloba o bem-estar no alojamento (como o uso de maternidades livres), dietas de transição ricas em fibra para prevenir a obstipação, hidratação contínua e o uso oportuno de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) associados à ocitocina para mitigar a inflamação e restabelecer o fluxo lácteo.
Categoria:Medicina veterinária