A política energética da União Soviética foi uma característica importante da economia planificada do país desde a época de Lenin (chefe de governo até 1924). A União Soviética era praticamente autossuficiente em energia; o grande desenvolvimento do setor energético começou com a política de autarquia de Stalin Publicação da edição consultada: 2017. da década de 1920. Durante os 70 anos de existência do país (1922–1991), seu crescimento econômico foi assegurado principalmente pelo uso em grande escala de recursos naturais. Na década de 1960, porém, esse método havia se tornado menos eficiente. Em contraste com outras nações que passaram por experiência semelhante, a inovação tecnológica não foi suficientemente forte para substituir o setor energético em importância.

Nos últimos anos da União Soviética, sobretudo durante a Era da Estagnação de Brejnev ( 1975–1985), as autoridades soviéticas exploraram recursos de combustível em áreas inóspitas, especialmente na Sibéria e no Extremo Oriente. A implantação de indústrias nessas regiões exigia enormes investimentos do regime soviético. Os recursos energéticos continuaram sendo a espinha dorsal da economia soviética na década de 1970, como ficou evidente durante a Crise petrolífera de 1973, que elevou o valor estratégico dos recursos energéticos soviéticos. Os altos preços da energia após a crise levaram as autoridades soviéticas a participar mais ativamente do comércio exterior com países do Primeiro Mundo, especialmente da Europa — no caso do gás natural — e com o Japão — no caso do petróleo. Em troca de recursos energéticos, a União Soviética recebia desenvolvimentos tecnológicos do Primeiro Mundo. Assim, apesar da estagnação geral, a União Soviética sob Leonid Brejnev (secretário-geral de 1964 a 1982) passou de uma economia autárquica para um país que tentava integrar-se ao mercado mundial por meio da globalização.

Durante sua existência, a União Soviética, em comparação com qualquer outro país, possuía a maior quantidade de recursos energéticos ainda não explorados dentro de suas fronteiras. A produção total de energia cresceu de 10,25 milhões de barris de equivalente de petróleo por dia (mbdoe) em 1960 para 27,58 milhões de barris de equivalente de petróleo por dia em 1980. A produção e as exportações soviéticas não continuaram crescendo como os planejadores previam. No fim da década de 1950, a atividade de mineração deslocou-se da Rússia Europeia para a parte oriental do país, onde havia mais recursos exploráveis. O aumento das distâncias entre as minas e os portos de embarque de carvão reduziu a eficiência das exportações de carvão. Além disso, a URSS enfrentava dificuldades para transportar seus recursos orientais para a parte ocidental do país, tanto para consumo quanto para posterior exportação.

A política empregada pela liderança soviética para administrar os recursos energéticos foi vital para o sucesso militar e econômico do país. A estagnação da produção energética soviética afetou diretamente o abastecimento de energia do Leste Europeu. A política adotada na URSS afetou os Estados satélites soviéticos e, em menor grau, o mundo inteiro. As manobras políticas utilizadas pela URSS em relação às exportações de energia viriam a ser reproduzidas pelo governo da Federação Russa após 1991.

Perspectiva histórica

Sob Lenin (1918–1923) Ver também: Nova Política Econômica Dentro do Gosplan, órgão soviético de planejamento econômico, havia duas divisões diretamente envolvidas com a questão. Uma delas concentrava-se na eletrificação e na energia, o GOELRO; a outra, nos combustíveis. A ênfase soviética na energia e, especialmente, na eletrificação durante os primeiros anos é frequentemente atribuída à famosa frase de Lenin: "Comunismo é o poder soviético mais a eletrificação de todo o país".

Sob Stalin antes da Segunda Guerra Mundial (1924–1940) 1928 — o Primeiro plano quinquenal de Stalin

Apesar de muitas metas serem extraordinariamente elevadas — aumento de 250% no desenvolvimento industrial geral e expansão de 330% da indústria pesada —, foram alcançados resultados consideráveis:

Carvão: 64,3 milhões de toneladas (em comparação com 35,4 milhões de toneladas em 1928 e uma meta estabelecida de 68,0 milhões de toneladas) Petróleo: 21,4 milhões de toneladas (em comparação com 11,7 milhões de toneladas em 1928 e uma meta estabelecida de 19,0 milhões de toneladas) Eletricidade: 13,4 bilhões de kWh (em comparação com 5,0 bilhões de kWh em 1928 e uma meta de 17,0 bilhões de kWh)

Durante a Segunda Guerra Mundial (1941–1945) Lend-Lease e Amtorg Trading Corporation

Por setor energético

Eletricidade thumb|right|Mapa das linhas de transmissão na região dos Urais, 1951 A eletrificação do país foi um dos focos do primeiro plano econômico da União Soviética, o Plano GOELRO.

Petróleo thumb|right|Mapa da CIA dos Estados Unidos mostrando a infraestrutura de oleodutos da União Soviética (1951) No Comitê Estatal de Planejamento da URSS (Gosplan), havia um Comitê Estatal para a Indústria Petrolífera, responsável por essa área da economia.

Gás natural Uma indústria soviética de gás separada foi criada em 1943. Grandes reservas de gás natural descobertas na Sibéria e nas regiões dos Urais e do Volga nas décadas de 1970 e 1980 permitiram que a União Soviética se tornasse uma grande produtora de gás. A exploração, o desenvolvimento e a distribuição do gás foram centralizados no Ministério da Indústria do Gás, criado em 1965.

Ver também: Gazprom.

Hidreletricidade Ver também: Estação Hidrelétrica do Dniepre Usinas hidrelétricas construídas na União Soviética

Estagnação da indústria energética da URSS

Do início da década de 1960 até meados da década de 1970, a produção, o consumo e as exportações líquidas de energia aumentaram na União Soviética. O crescimento da demanda por energia havia atingido um ritmo estável comparável ao das nações ocidentais da época. No fim da década de 1970, tanto a produção de carvão quanto a de petróleo começaram a estagnar. Isso continuou durante a década de 1980. No fim da Guerra Fria, a liderança soviética formulou a Doutrina Falin-Kvitsinsky, segundo a qual a influência militar da União Soviética sobre os países do Pacto de Varsóvia não poderia ser mantida diante do declínio da economia soviética e deveria ser substituída pela dependência desses países em relação ao petróleo e ao gás soviéticos.

A URSS também sofreu com a falta de demanda por parte de nações capitalistas e de suas antigas possessões coloniais nos países em desenvolvimento. Essa dinâmica mudou com a conclusão do gasoduto soviético de gás natural da Sibéria Ocidental para a Alemanha. Isso criou uma rota eficiente e eficaz para transportar gás natural liquefeito (GNL). Percebendo a influência política que a União Soviética conquistaria sobre a Europa Ocidental, o presidente Ronald Reagan tentou impedir o projeto, mas fracassou. Apesar disso, a taxa geral de crescimento da produção e do consumo de energia soviéticos diminuiu de forma constante depois de 1975. Essa dificuldade tinha origem no lado da oferta.

Política de orientação da indústria

O Politburo, principal grupo responsável pela formulação de políticas na União Soviética, fornecia aos formuladores de políticas uma orientação geral para a política nacional. O grupo era composto pelos principais dirigentes soviéticos e chefiado pelo secretário-geral. Essa visão geral era então adotada pelos ministérios e comitês envolvidos no desenvolvimento econômico e por todas as principais indústrias da URSS. Esses órgãos trabalhavam com as empresas que efetivamente realizavam a produção de recursos para estabelecer metas operacionais. A transformação de diretrizes conceituais em instruções específicas nem sempre era eficaz para oferecer a solução adequada quando surgiam problemas.

Muitos dos problemas de estagnação tiveram origem em falhas de planejamento. Políticas que levaram à implementação em larga escala de técnicas como a injeção de água em reservatórios apresentaram benefícios iniciais e eram administrativamente eficientes. No curto prazo, essa abordagem foi eficaz e aumentou as taxas de recuperação dos reservatórios de petróleo soviéticos para níveis superiores aos dos reservatórios norte-americanos, mas causou problemas nas fases posteriores da vida útil dos campos. Como as empresas não podiam falir na economia planificada soviética, subsídios e prejuízos eram cobertos pelo Estado. A ausência de vencedores e perdedores entre as empresas soviéticas contribuiu para um padrão de pouca inovação nas técnicas de perfuração. Essa abordagem funcionava em escala interna, mas não quando comparada à eficiência dos concorrentes internacionais.

A política da URSS como orientação para a Rússia

Tanto a URSS quanto a Rússia, sob Vladimir Putin, interromperam exportações de energia para compradores que agiram contra objetivos nacionais. Nos últimos anos, Putin tem defendido publicamente a confiabilidade do gás natural russo. Ainda assim, o poder da Rússia no cenário internacional está correlacionado à demanda pelos recursos que fornece.

Grande parte da economia russa passou por incertezas após o fim da União Soviética. Isso não ocorreu da mesma forma com a indústria do gás natural. O Ministério da Indústria do Gás foi transformado na empresa Gazprom em 1989, e Viktor Tchernomyrdin, antigo ministro, tornou-se seu diretor executivo. Essa decisão política não foi aceita com facilidade. Funcionários do Ministério do Gás lutaram intensamente pela aprovação dessa transformação, enquanto o Ministério do Petróleo não conseguiu manter-se intacto após 1989.

A Rússia possui a maior produção de gás natural do mundo. A produção russa de petróleo aumentou de forma acentuada, especialmente no início da década de 2000. Isso levou à continuidade da dependência de antigos países satélites em relação aos recursos energéticos russos. Cerca de 80% do gás natural exportado pela Rússia para a Europa Ocidental passa pelo território da Ucrânia. Isso incentivou a Rússia a continuar influenciando a agenda política da Ucrânia e de outras antigas repúblicas da URSS.

Categoria:Economia da União Soviética