A Batalha de Unaiza ou Dia de Unaiza () foi um dos principais combates da Guerra de Albaçus, conflito da Arábia pré-islâmica travado entre os taglibitas e os becritas, dois grupos rebiaítas. A guerra teve início após a morte do chefe taglibita Culaibe ibne Rebia pelas mãos do becrita Jassas ibne Murra, episódio que as tradições relacionam tanto a disputas pelo acesso a pastagens e pontos de água quanto à afronta decorrente da agressão de Culaibe contra a camela Sarabi, associada a Albaçus binte Munquide. Segundo o Kitab al-Aghani, Unaiza foi o primeiro dos cinco grandes combates travados durante a guerra, além das incursões e confrontos menores que teriam marcado seus quarenta anos de duração.
As tradições divergem quanto à posição e ao resultado do Dia de Unaiza. O Kitab al-Aghani apresenta o combate como inconclusivo, com becritas e taglibitas enfrentando-se sem que nenhum dos lados obtivesse vantagem, versão também preservada por Ibne Alatir, segundo o qual os grupos se separaram e permaneceram algum tempo sem combater. Ibne Alatir registra, contudo, outra tradição que fazia do dia de Anaí o primeiro confronto da guerra. Ibne Abede Rabi transmite uma sequência diferente, na qual Unaiza ocorreu depois dos dias de Anaí, Adanaibe e Uaridate, e atribui aos taglibitas a vitória no combate.
O combate teria ocorrido em Unaiza, junto de Falja, mas as fontes geográficas medievais registram diferentes lugares com ambos os nomes: Iacute Alhamaui enumera várias localidades chamadas Unaiza e Falja, sem identificar expressamente qual delas corresponde ao campo de batalha. O episódio foi também preservado na poesia atribuída a Almualhil, dirigente taglibita e irmão de Culaibe, que comparou os combatentes em Unaiza a duas pedras de moinho e afirmou que, não fosse o vento, o choque das espadas poderia ser ouvido pelos habitantes de Hajer, em Iamama. Os versos tiveram circulação posterior em obras literárias e filológicas, nas quais a afirmação sobre o ruído das armas foi transmitida como exemplo de exagero ou "mentira" poética.
Antecedentes
A Guerra de Albaçus foi um conflito da Arábia pré-islâmica travado entre os taglibitas e os becritas, grupos aparentados pertencentes aos rebiaítas. Segundo as tradições árabes, sua origem esteve ligada à morte do chefe taglibita Culaibe ibne Rebia, cuja posição entre as tribos teria sido acompanhada pela imposição de restrições ao acesso a áreas de pastagem e pontos de água. Um dos episódios associados ao agravamento das tensões envolveu Sarabi, uma camela cuja propriedade varia segundo as fontes e que teria sido morta ou ferida por Culaibe depois de entrar numa área reservada por ele. A afronta atingiu Albaçus binte Munquide, tia materna do becrita Jassas ibne Murra, e os versos de lamento que lhe são atribuídos foram tradicionalmente interpretados como uma incitação para que o sobrinho reagisse. Jassas posteriormente matou Culaibe, embora as fontes preservem versões diferentes das circunstâncias do assassinato e relacionem o confronto tanto ao episódio da camela quanto às disputas sobre pastagens e águas. A morte de Culaibe deu início a uma sucessão de vinganças entre becritas e taglibitas que ficou conhecida como Guerra de Albaçus. Entre os principais dirigentes taglibitas durante o conflito figurou Almualhil, irmão de Culaibe, cuja poesia preservou referências a diferentes combates travados durante a guerra.
Localização
As fontes que descrevem o combate situam Unaiza junto de Falja. O Kitab al-Aghani identifica o lugar como Unaiza, nas proximidades de Falja, indicação igualmente reproduzida por Ibne Alatir. Iacute Alhamaui, no Muʿjam al-buldān, registra diferentes lugares chamados Unaiza. Entre eles menciona um lugar entre Baçorá e Meca, outro associado a Bate Arruma, um vale de Iamama próximo de Sauaje e localidades homônimas no Barém. Na mesma entrada, cita os versos de Almualhil referentes ao combate travado em Unaiza. Iacute registra igualmente diferentes lugares chamados Falja. Uma das localidades assim denominadas era, segundo Abu Ubaide Açacuni, uma estação da rota de Meca a partir de Baçorá, situada depois de Abraque Hajer e pertencente aos , dos amiritas; outra tradição também a descreve como estação dos peregrinos de Baçorá, enquanto uma Falja homônima se situava no Aquique de Medina.
Batalha
Segundo a tradição preservada no Kitab al-Aghani, a Guerra de Albaçus teria durado quarenta anos, durante os quais becritas e taglibitas travaram cinco grandes combates, além de incursões e confrontos menores. O primeiro desses grandes encontros teria sido o Dia de Unaiza. Nesse combate, os dois grupos teriam se enfrentado sem que nenhum obtivesse vantagem sobre o outro, após o que se separaram. Ibne Alatir transmite versão semelhante, segundo a qual Unaiza teria constituído, de acordo com uma das tradições, o primeiro combate entre becritas e taglibitas. Ele descreve o resultado como equilibrado e afirma que, depois do confronto, os dois grupos se separaram e permaneceram algum tempo sem voltar a combater. Ibne Alatir registra outra tradição segundo a qual o primeiro confronto teria ocorrido posteriormente junto a um ponto de água chamado Anaí, onde os xaibanitas estavam acampados; nessa versão, Almualhil comandava os taglibitas e Alharite ibne Murra os xaibanitas, e a vitória coube aos primeiros. Ibne Abede Rabi, por sua vez, apresenta Unaiza depois dos dias de Anaí, Adanaibe e Uaridate e, diferentemente do Kitab al-Aghani e de Ibne Alatir, afirma que os taglibitas venceram em Unaiza. Segundo seu relato, seguiram-se outros confrontos entre as duas tribos nos quais os taglibitas continuaram a prevalecer sobre os becritas.
Poesia
O Dia de Unaiza é mencionado em versos atribuídos a Almualhil. Ibne Alatir os reproduz ao narrar o combate, imediatamente depois de afirmar que becritas e taglibitas se haviam enfrentado em condições de igualdade. Neles, o poeta compara os dois grupos reunidos junto de Unaiza a duas pedras de moinho girando uma contra a outra e afirma que, não fosse o vento, o ruído produzido pelo choque das espadas poderia ser ouvido pelos habitantes de Hajer, em Iamama:
Os versos aparecem também numa composição mais extensa atribuída a Almualhil por Ibne Abede Rabi, na qual são mencionados outros locais associados aos combates da Guerra de Albaçus, entre eles Adanaibe e Uaridate. Os versos tiveram também circulação em obras filológicas. Albataliauci, ao comentar o primeiro deles, identifica "os filhos de nosso pai" como Becre ibne Uail e Unaiza como um lugar onde ocorreu um combate entre Taglibe e Becre, além de explicar a comparação dos combatentes com duas pedras de moinho. Em seguida, reproduz o verso relativo ao ruído das espadas em Hajer e registra, atribuindo-a a Anaás, a tradição segundo a qual essa afirmação teria sido o primeiro exemplo de mentira ouvido na poesia. Ibne Cutaiba também inclui Almualhil entre os poetas considerados mentirosos em razão do verso no qual afirma que o choque das espadas poderia ser ouvido pelos habitantes de Hajer.
Bibliografia
Categoria:Batalhas do século V Categoria:Batalhas do século VI Categoria:Batalhas da Guerra de Albaçus