Alboácem Amade ibne Maomé ibne Ibraim Alaxari Alcurtubi (), também referido nas fontes como Xiabadim Abu Alhajaje Alaxari (), foi um jurista, genealogista, matemático e homem de letras árabe do Iêmem, ativo no . Pertencia aos axaritas e residia em Alcurtube (al-Qurtub), uma grande aldeia do vale de Zabide, da qual derivava sua nisba Alcurtubi. Morreu na própria localidade e foi sepultado no cemitério situado ao sul dela, mas suas datas de nascimento e morte são desconhecidas. As fontes divergem também quanto à sua cúnia e escola jurídica: a tradição biográfica iemenita o apresenta como Abu Alhaçane e hanafita, enquanto al-Ziriklī o denomina Xiabadim Abu Alhajaje, classifica-o como xafeíta e situa sua morte em 600 A.H. (1203–1204).

Alaxari foi contemporâneo do historiador , que o conheceu e utilizou como informante e o incluiu entre os conhecedores dos feitos dos homens, de suas genealogias e de sua poesia. igualmente o caracteriza como jurista e genealogista. Sua atividade pode ser situada com segurança em meados da década de 1130, pois, no al-Taʿrīf, refere-se ao califa abássida Arraxide como governante de "nosso tempo", demonstrando que ao menos uma etapa da redação da obra ocorreu durante seu breve reinado.

Sua produção abrangeu sobretudo genealogia árabe, mas também matemática, gramática e adabe. Entre suas principais obras genealógicas estão o al-Taʿrīf bi-l-ansāb wa-l-tanwīh bi-dhawī al-aḥsāb () e o posterior al-Bāb fī maʿrifat al-ansāb, também transmitido como al-Lubāb fī maʿrifat al-ansāb. Escreveu ainda o tratado matemático al-Tuffāḥa fī ʿilm al-misāḥa, um compêndio de gramática e obras literárias, entre as quais uma coletânea de cem narrativas conhecida por diferentes títulos, incluindo al-Lubāb fī l-ādāb e Lubb al-lubāb wa-nuzhat al-aḥbāb.

Vida

Alboácem Alaxari foi um jurista, genealogista e homem de letras árabe do Iêmem, ativo no . Sua nisba Alaxari indicava sua pertença aos axaritas, enquanto Alcurtubi derivava de Alcurtube (al-Qurtub), uma grande aldeia do vale de Zabide, e não de Córdova. Segundo , Alaxari residia em Alcurtube, onde morreu e foi sepultado no cemitério situado ao sul da aldeia; o mesmo autor declara desconhecer tanto sua data de nascimento quanto a de morte. Alaxari foi contemporâneo do historiador , que o conheceu e utilizou como informante. Ao indicar algumas das autoridades das quais recolhera notícias para sua história do Iêmen, Umara menciona o jurista Amade ibne Maomé Alaxari juntamente com Nizar ibne Abedal Maleque Almaqui e afirma que ambos eram conhecedores dos feitos dos homens, de suas genealogias e de sua poesia.

Alaxari aparece também no Ṭabaqāt fuqahāʾ al-Yaman, de , que se refere a ele como "o jurista e genealogista Amade ibne Maomé Alaxari" ao transmitir uma notícia relacionada ao jurista Iáia ibne Abi Alcair Alimrani. As fontes divergem quanto à sua cúnia, escola jurídica e cronologia. A tradição biográfica iemenita transmitida por Alcazeraji e Açuiuti denomina-o Abu Alhaçane e o apresenta como hanafita. Em contrapartida, al-Ziriklī o chama Xiabadim Abu Alhajaje e o classifica como xafeíta, situando sua morte em 600 A.H. (1203–1204). Bamacrama, por sua vez, afirma expressamente não ter encontrado informação segura sobre sua data de nascimento ou de morte. O próprio al-Taʿrīf fornece um indício mais preciso para situar sua atividade. Ao enumerar os califas abássidas, Alaxari afirma que, "em nosso tempo", o califa era Arraxide . Essa passagem, e portanto ao menos uma etapa da redação da obra, pode ser situada nesse período.

Obras

Alaxari escreveu sobre genealogia árabe, matemática, gramática e adabe. Parte importante de sua produção concentrou-se na genealogia. Sua obra mais extensa nesse campo foi o al-Taʿrīf bi-l-ansāb wa-l-tanwīh bi-dhawī al-aḥsāb (). No prólogo, afirma ter consultado obras anteriores sobre as genealogias árabes e explica ter selecionado delas material relativo às origens das tribos e aos antigos ramos genealógicos, procurando uma exposição intermediária que permitisse evitar erros. Posteriormente, Alaxari condensou novamente esse material numa obra intitulada al-Bāb fī maʿrifat al-ansāb (), transmitida também sob o título al-Lubāb fī maʿrifat al-ansāb (). O próprio autor afirma tê-la elaborado depois do al-Taʿrīf, reunindo as principais tribos árabes, suas subdivisões e seus ancestrais mais destacados, e a concebeu como introdução ao estudo da genealogia. al-Ziriklī registra um manuscrito da obra, com 172 fólios, conservado na Biblioteca Ahmadiyya de Túnis sob o número 1666.

Alaxari dedicou-se também à matemática. Aljundi atribui-lhe o al-Tuffāḥa fī ʿilm al-misāḥa (), tratado de mensuração. No prólogo da obra, Alaxari afirma tê-la composto a pedido de alguém que desejava um compêndio sobre as formas mensuráveis que dispensasse a consulta a livros mais extensos. O tratado aborda, entre outros assuntos, a mensuração de quadrados, triângulos, círculos, arcos e polígonos e problemas relativos à divisão de figuras geométricas. A obra circulou posteriormente e deu origem a trabalhos derivados, entre eles a Nukhbat al-Tuffāḥa, versificação do tratado preparada por . As fontes atribuem-lhe ainda produção gramatical e literária. Aljundi menciona uma obra de gramática sem fornecer seu título, enquanto Açuiuti registra mais especificamente um Mukhtaṣar fī l-naḥw ("Compêndio de gramática").

Açuiuti atribui-lhe igualmente uma coletânea de adabe denominada al-Lubāb fī l-ādāb (). A mesma obra parece corresponder à coletânea transmitida na tradição manuscrita sob títulos como Lubb al-lubāb wa-nuzhat al-aḥbāb () e variantes semelhantes. Brockelmann descreve-a como uma coleção de cem narrativas e registra diferentes testemunhos manuscritos. Uma edição moderna foi publicada sob o título Lubb al-lubāb wa-rawḍat al-ādāb (), conservando a organização da coletânea em dez capítulos de dez relatos cada. Por fim, al-Ziriklī atribui a Alaxari o Ṭurfat al-majālis wa-tuḥfat al-majālis (), do qual registra um manuscrito conservado na Zituna, em Túnis.

Bibliografia

Categoria:Axaritas (tribo) Categoria:Árabes do século XII Categoria:Matemáticos árabes medievais Categoria:Hanafismo Categoria:Xafeísmo