Le Marron Inconnu de Saint-Domingue, abreviado como Le Marron Inconnu (, "O Maroon Desconhecido"), também chamada Le Nègre Marron ou Nèg Mawon (pronúncia em crioulo haitiano: [nɛɡ ma.ʁɔ̃]), é uma estátua em bronze de um escravizado fugitivo que comemora a abolição da escravidão, localizada em Porto Príncipe, a capital do Haiti. Projetada pelo escultor e arquiteto haitiano Albert Mangonès (1917–2002) e concluída em 22 de setembro de 1967, a escultura serve como um lembrete do apelo à rebelião na colônia de São Domingos contra a França escravista em 1791. Tornou-se um símbolo icônico da liberdade da nação e é conhecida mundialmente como um símbolo da liberdade dos negros.
História
O território que corresponde atualmente ao Haiti passou a ser colonizado, inicialmente, pela Espanha a partir da chegada de Cristóvão Colombo em 1492. Naquele momento, a população nativa foi submetida à escravidão em plantações e minas. Os escravizados fugitivos, formaram comunidades que passaram a ser intituladas de Maroon pelos espanhóis. Posteriormente, africanos escravizados foram levados para a ilha para suprir a demanda imposta pelos colonizadores e substituir os nativos em trabalhos forçados. Aqueles que fugiam passaram a se juntar aos Maroons.
A atual Haiti passou a ser chamada de colônia de São Domingos ao ser tomada pelo domínio francês no século XVII, e a escravidão persistiu na ilha até a série de rebeliões da Revolução Haitiana que culminaram na independência da ex-colônia em 1804. A revolução ficou conhecida como a única revolta de escravos que levou à fundação de um estado livre da escravidão colonial europeia e governado por não brancos e ex-cativos.
Diante deste contexto histórico, a estátua Le Marron Inconnu, concluída em 22 de setembro de 1967 por Albert Mangonès, é símbolo da vitória haitiana sobre seus colonizadores. Na inauguração do monumento, o então presidente do Haiti, François Duvalier (popularmente conhecido como Papa Doc), fez a seguinte declaração:
Em maio de 2012, a estátua foi vandalizada e teve seu facão quebrado. A reconstrução foi feita com sucesso no mesmo ano.
Descrição O monumento possui 3,60 metros de comprimento por 2,40 metros de altura. O busto representa um fugitivo de bronze semi nu, ajoelhado, com o torso arqueado, com a perna oposta esticada para trás, uma corrente quebrada no tornozelo esquerdo, enquanto segura e sopra uma grande concha-rainha, sinalizando a rebelião com a mão esquerda e a cabeça inclinada para cima. Na outra mão, segura um facão no chão junto ao tornozelo direito.
Mangonès escolheu usar uma passagem de 1 Macabeus 14:3-9 da Bíblia de Jerusalém ao fundo de sua escultura, em um dos dois painéis de concreto que protegem a "chama eterna" da liberdade na praça que circunda a estátua, em letras de cobre.
Uso reconhecido Em 1989, as Nações Unidas adotaram a estátua como ícone central nos selos postais que comemoram o Artigo 4.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que estabelece: "Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas".Nações Unidas - A Declaração Universal dos Direitos Humanos
Galeria
Categoria:Símbolos do Haiti Categoria:Símbolos da liberdade Categoria:Estátuas masculinas Categoria:Edifícios e estruturas terminadas em 1967 Categoria:Escravidão nas artes