O ácido galactárico, frequentemente designado por ácido múcico na literatura química consagrada, é um composto orgânico dicarboxílico e um açúcar ácido derivado da oxidação da galactose ou de polímeros que a contêm, tais como a pectina e a goma-arábica. Caracterizado quimicamente como um mesocomposto devido à simetria interna da sua cadeia de seis carbonos — o que o torna oticamente inativo apesar de possuir centros quirais —, este composto apresenta-se sob a forma de um pó cristalino branco, muito pouco solúvel em água fria e em álcool, mas solúvel em soluções aquosas a ferver. A sua relevância científica e industrial tem crescido substancialmente no âmbito da química sustentável e da bioeconomia, onde atua como um bloco de construção químico fundamental (building block) para a síntese de novos polímeros biodegradáveis, servindo como um substituto ecológico viável para o ácido adípico (derivado do petróleo) na produção de náilones e poliésteres. Adicionalmente, as suas propriedades estruturais únicas conferem-lhe uma excelente capacidade como agente quelante de iões metálicos, o que viabiliza a sua utilização na formulação de detergentes ecológicos, em tratamentos antioxidantes e antibacterianos na indústria cosmética avançada, e ainda como regulador de acidez na indústria alimentar, consolidando-o como um dos bioprodutos mais versáteis extraídos a partir de resíduos de biomassa e de subprodutos agrícolas, como as polpas cítricas e as cascas de fruta.

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