é um filme estadunidense de 1987, uma comédia dramática escrita, dirigida e narrada por Woody Allen.
Inspirado nas lembranças de infância do próprio Allen, o filme retrata um olhar nostálgico da Era de ouro do rádio nos Estados Unidos dos anos 1930 e 1940, focando nas lembranças do menino Joe e sua família judia em Rockaway Beach; além de se entrelaçar a outras histórias e personagens do universo radiofônico.
Em uma pesquisa realizada pela revista Empire dos "500 maiores filmes já feitos", Radio Days foi eleito o número 304. Este, também, era um dos filmes favoritos de Stanley Kubrick, que, segundo seu cunhado, o assistiu "duas vezes em dois dias, porque 'era como assistir a um filme caseiro e ele adorou".
Contexto histórico Nas décadas de 1930 e 1940, o rádio tinha um papel preponderante como veículo de comunicação de massa. A melhor maneira de se manter informado sobre os acontecimentos de sua cidade e do mundo era através do rádio. O filme mostra como toda a população norte-americana acompanhou apreensivamente a narrativa do ataque à base naval de Pearl Harbor e o resgate de uma menina que tinha ficado presa no fundo de um poço. Woody Allen também explora bem o rádio como forma de lazer, quando mostra todos os membros da família do pequeno Joe escutando seus artistas e programas de rádio favoritos.
Outra demonstração da influência do rádio na vida das pessoas, e que realmente aconteceu e acabou sendo aproveitado no filme, foi o programa de Orson Welles, inspirado no livro A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells. Na ocasião, Orson Welles transmitiu um programa especial do Dia das Bruxas, no ano de 1938, simulando uma série de relatos sobre invasões alieníginas à Terra. O programa causou tanta repercussão que a bolsa de Nova Iorque caiu, e alguns norte-americanos, assustados com a notícia, cometeram suicídio.
A força do rádio também é apresentada através da personagem Sally White, que busca incessantemente trabalhar em um programa de rádio. Ela só consegue sua chance quando melhora sua dicção, porque como o meio rádio se utiliza apenas do som, nunca foi importante a aparência da pessoa. Isto fica evidente com o personagem que vive "O Vingador Mascarado" no rádio. No programa, ele é o arquétipo de um super-herói forte e viril, no entanto, na vida real ele é baixo, pouco atraente e careca.
O filme é interessante por relatar de forma bem humorada e nostálgica a era de maior impacto do rádio, já que na década seguinte ele perdeu espaço com a chegada da televisão. No entanto, mesmo com a sua decadência, podemos dizer, ao assistirmos o filme, que seu apelo foi mais profundo que o da televisão. Por se apoiar apenas no som, ele é naturalmente um veículo que exige mais atenção. Desta forma, naquela época, ele estimulava criativamente os ouvintes, pois cada um construía em sua cabeça aquilo que estava sendo transmitido. As histórias, portanto, ficavam no plano do imaginário, e é isso o que consiste o glamour dos programas radiofônicos.
Elenco
Música
Produção A atriz brasileira Denise Dumont fez uma pequena participação no filme, atuando como uma cantora latina (inspirada em Carmen Miranda) que interpreta a canção "Tico-tico no Fubá", de Zequinha de Abreu, ao lado da orquestra do músico latino Tito Puente, que aparece na cena como o maestro da banda.
Resposta da crítica Radio Days tem uma classificação de 93% no Rotten Tomatoes, com uma pontuação média de 8,00/10 em 40 avaliações e um resumo consensual afirmando: "Woody Allen em seu momento mais charmoso e nostálgico".
Em sua crítica de quatro estrelas, o renomado crítico Roger Ebert do Chicago Sun-Times descreveu Radio Days como a resposta de Allen ao Amarcord de Federico Fellini e se referiu a ele como "tão ambicioso e tão audacioso que quase desafia qualquer descrição. É um caleidoscópio de dezenas de personagens, cenários e cenas - a produção mais elaborada que Allen já fez - e é inesgotável, produzindo uma delícia após a outra". Vincent Canby do The New York Times se referiu a Allen como o "recurso cinematográfico pródigo" e falou do filme dizendo: "Radio Days [...] é tão livre na forma quanto generoso de espírito".
David Denby escreveu para o New York que: "[...] A verdadeira cola, no entanto, é a música popular calma e bela do período — Cole Porter, Al Dubin e Harry Warren, jazz de big band, cantores, cantores de tocha, Carmen Miranda. A música, perfeitamente combinada com imagens de antigos edifícios de madeira e tijolo e antigos pontos de glamour, produz um clima de nostalgia distante e agridoce. Radio Days se torna uma comemoração suavemente satírica de vidas esquecidas.
Prêmios e indicações Oscar 1988 (EUA) Indicado nas categorias de melhor direção de arte (Santo Loquasto, Carol Joffe, Leslie Bloom e George DeTitta Jr.) e melhor roteiro original (Woody Allen).
BAFTA 1988 (Reino Unido) Venceu nas categorias de melhor figurino (Jeffrey Kurland) e melhor desenho de produção (Santo Loquasto). Indicado nas categorias de melhor filme, melhor roteiro original, melhor atriz coadjuvante (Dianne Wiest), melhor edição (Susan E. Morse) e melhor som (Robert Hein, James Sabat e Lee Dichter).
Writers Guild of America 1988 (EUA) Indicado na categoria de melhor roteiro escrito diretamente para o cinema.
Festival SESC Melhores Filmes do Ano 1988 (BRA) Venceu na categoria melhor filme estrangeiro
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