A Batalha de Brissarthe foi um combate travado a 15 de setembro de 866, em Brissarthe, na Nêustria (atual departamento de Maine-et-Loire, França), entre uma força franca comandada por Roberto, o Forte e uma coligação de Normandos liderada pelo chefe viking Hasting, temporariamente aliada a contingentes Bretões. Apesar de resultar em vitória franca, a batalha ficou marcada pela morte de Roberto, o Forte, marquês da Nêustria e antepassado direto da futura Casa Capetiana.

Contexto Durante o século IX, o vale do Loire era um dos principais alvos dos ataques normandos, que aproveitavam os rios para penetrar no interior do reino franco. Em 866, formou-se uma coligação entre o experiente chefe viking Hasting e Salomão, rei da Bretanha, opositor do domínio carolíngio, colocando em perigo as regiões da Nêustria e do Anjou. O rei Carlos, o Calvo confiou a Roberto, o Forte, conde de Tours e marquês da Nêustria, a defesa destes territórios estratégicos.

Segundo o cronista Réginon de Prüm, em 867 "os Normandos, ocupando as margens do Loire, empreenderam de novo despovoar cruelmente as províncias de Nantes, Anjou, Poitou e Touraine. Roberto, que guardava a Marca, e Ranulfo, duque da Aquitânia, tendo reunido uma multitude de homens, deram-lhes batalha".

A batalha Roberto, o Forte, deixou deliberadamente que os invasores ocupassem a povoação de Brissarthe, decidindo depois cercá-los no seu interior. Os normandos, refugiados na igreja fortificada da povoação, foram violentamente atacados quando tentaram a retirada, ao atravessarem o rio Sarthe. No decurso do combate, Roberto, acorrendo sem elmo nem couraça, avançou imprudentemente sobre o inimigo e foi morto junto ao limiar da igreja, tendo os normandos arrastado o seu corpo para o interior do edifício. Pouco depois, o conde Ranulfo, duque da Aquitânia, que observava o combate a alguma distância, foi gravemente ferido por uma flecha disparada por um normando a partir de uma janela da igreja, morrendo três dias depois.

Resultado e consequências Apesar da morte dos dois comandantes francos, o exército franco alcançou uma vitória tática sobre os normandos. O historiador Ferdinand Lot interpretou-a inicialmente como uma vitória cristã, revendo mais tarde essa avaliação para considerá-la, na prática, favorável aos normandos; já para o historiador André Vigarié, a batalha teria provocado o fim do avanço vikingue no condado de França. Apesar disso, Hasting continuou a devastar a região do Loire nos anos seguintes, atacando Bourges em 867, Orleães em 868 e Angers em 872.

A morte de Roberto, o Forte, teve profundas repercussões para a nascente linhagem robertiana: os seus filhos, os futuros reis Odo e Roberto I, eram ainda demasiado jovens para receber as suas honras, que passaram então para a tutela de Hugo, o Abade.

Ver também Roberto, o Forte Robertianos Invasões normandas em França Odo I de França

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