thumb|Fumaça no Oblast de Moscou decorrente de um incêndio após um ataque ucraniano a um grande armazém da Wildberries em 18 de julho de 2026. Desde julho de 2026, durante a Guerra Russo-Ucraniana, a Ucrânia tem realizado ondas de ataques com drones dentro do território da Rússia, tendo como alvo os armazéns pertencentes à Wildberries, uma grande empresa de comércio eletrônico na Rússia que auxiliou o esforço de guerra russo.

Contexto Em 2026, a Ucrânia intensificou seus ataques em território russo, destacando-se sua campanha de ataques profundos — chamada pela Ucrânia de "sanções de longo alcance" —, que incluiu ataques contra refinarias de petróleo, desencadeando uma crise de combustível no país. Esses ataques com drones foram considerados uma das estratégias de guerra assimétrica mais bem-sucedidas da Ucrânia contra a Rússia, a qual, apesar de possuir um exército convencional no papel muito mais poderoso, demonstrou incapacidade de se defender adequadamente contra ataques aéreos por drones direcionados a alvos militares estratégicos vulneráveis em seu próprio solo.

Em 25 de junho de 2026, o presidente Zelenskyy aprovou uma operação de influência de 40 dias englobando operações de longo e médio alcance do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) para pressionar a Rússia a encerrar a guerra, o que mais tarde a emissora UATV informou incluir os ataques à Wildberries.

Wildberries A Wildberries é a maior varejista on-line da Rússia, sendo amplamente considerada o equivalente russo da Amazon nos Estados Unidos. Fundada em 2004, a empresa cresceu rapidamente desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022, após a qual a maioria das marcas ocidentais deixou o mercado russo e empresas domésticas como a Wildberries se apressaram para preencher a lacuna. O volume bruto de mercadorias da rede quase triplicou, passando de 844 bilhões de rublos (US$ 10,4 bilhões) em 2021 para 2,5 trilhões de rublos (US$ 30,8 bilhões) em 2023.

A frequência de inspeções estatais por fiscais de saúde e segurança aumentou drasticamente nesses anos: de 400 vezes em 2022 para mais de 1 600 vezes em 2023. Após um grande incêndio atingir um armazém da Wildberries em São Petersburgo em janeiro de 2024, o governo abriu um processo legal contra a empresa por suposta violação das normas de prevenção de incêndios. Sob circunstâncias não totalmente esclarecidas, a Wildberries pareceu ser forçada a se fundir com a empresa de publicidade externa Russ (que possuía um nono do seu tamanho), com o CEO da Russ, Robert Mirzoyan, tornando-se também CEO da corporação fundida e Kim retendo apenas 65% das ações da Wildberries. O ex-marido de Kim, Vladislav Bakalchuk, o líder da Chechênia Ramzan Kadyrov e alguns analistas descreveram a fusão precipitada como uma tomada de controle hostil por meio de krysha: Mirzoyan teria oferecido proteção a Kim contra acusações criminais pelo incêndio, usando suas conexões diretas via senador Suleyman Kerimov com o próprio Vladimir Putin (que assinou pessoalmente o acordo) em troca da aquisição de uma participação de 35% na Wildberries — alegações negadas por Kim e Mirzoyan.

thumb|Logotipo da Wildberries usado desde 2023 Após a fusão de 2024 com o grupo Russ, o grupo combinado Russ Wildberries (RWB) relatou um faturamento em 2025 de 6,1 trilhões de rublos (US$ 75 bilhões). Em 2026, a fatia da Wildberries no mercado de comércio eletrônico na Rússia era de 45% (bem à frente de sua concorrente Ozon, com 32%), com relevância especial no setor de eletrônicos e varejo não alimentar. Juntas, a Wildberries e a Ozon representam cerca de 4% do produto interno bruto da Rússia, com a Wildberries possuindo uma base de clientes correspondente a aproximadamente dois terços da população adulta do país.

A empresa foi acusada pela Ucrânia de contribuir para o esforço de guerra russo, abastecendo as Forças Armadas russas com componentes para equipamentos militares aéreos utilizados no ataque a cidades ucranianas. Em seu site oficial, a Wildberries lista publicamente para venda componentes de drones, blindagens corporais, outros equipamentos militares e bens de duplo uso. Isso inclui drones, peças de drones, propulsores, microcontroladores, câmeras de vídeo, coletes à prova de balas e equipamentos de medicina de campo. Por essa razão, a empresa (que em 2022 foi a maior contribuinte da Rússia) e sua fundadora e CEO Tatyana Kim (a mulher mais rica da Rússia) já haviam sido submetidas a sanções internacionais e restrições comerciais. Um motivo adicional para transformar a Wildberries em alvo foi o fato de ela disponibilizar a maior capacidade de armazenagem da Rússia perto da linha de frente na Ucrânia; os serviços de segurança militar russos necessitavam de grande espaço logístico para armazenar e movimentar material bélico, tarefa na qual a Wildberries foi convocada a participar.

Em 7 de julho de 2026, apenas 11 dias antes do início dos ataques, a Wildberries atualizou seus termos e condições declarando que a empresa não poderia ser responsabilizada por mercadorias destruídas em eventos de "força maior", nos quais foram incluídos ataques de drones. Isso posteriormente aumentaria a indignação dos vendedores, que perderam todas as suas mercadorias quando os depósitos pegaram fogo e não receberam qualquer indenização. Mídias de negócios russas estimaram que cerca de 80% dos prédios dos armazéns e dos estoques não possuíam seguro nem pela Wildberries nem pelos vendedores varejistas.

Ataques O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy afirmou que os ataques com drones tinham como objetivo eliminar os "centros logísticos da Wildberries envolvidos no fornecimento de componentes de drones, equipamentos de navegação e outros suprimentos militares ao exército russo", além de constituírem uma resposta aos ataques russos contra cidades ucranianas.

Autoridades ucranianas afirmam que o objetivo principal das operações é interromper a logística e os suprimentos altamente necessários para as forças russas, e que um objetivo secundário é danificar a economia russa e o apoio à guerra entre a população. Em 27 de julho, Denys Shtilerman, cofundador e projetista-chefe da Fire Point, acrescentou que a parceria da Wildberries com o banco estatal russo VTB Bank a tornava um alvo estratégico primário; sendo a Wildberries a "maior tomadora de empréstimos da Rússia", seu colapso levaria à falência de diversos bancos (incluindo o VTB).

Em 18 de julho de 2026, instalações da Wildberries foram atingidas em Tambov, Oblast de Tambov, e em Elektrostal, Oblast de Moscou. Vídeos mostrando os armazéns consumidos por chamas circularam na internet. Testemunhas declararam à imprensa independente que a evacuação dos locais atingidos foi caótica. O alarme de incêndio supostamente só disparou quando as chamas já tomavam conta das instalações. Alguns gerentes teriam mantido funcionários dentro dos prédios em vez de organizar a evacuação, forçando os trabalhadores a abrir portas automáticas manualmente. Supervisores ordenaram que os trabalhadores devolvessem os leitores de código de barras antes de sair. Um integrante de um sindicato levantou a hipótese de que a evacuação foi atrasada devido ao receio de que funcionários pudessem roubar mercadorias. Especialistas declararam ao jornal Kommersant que a restauração das duas instalações poderia custar até 35,8 bilhões de rublos (US$ 457 milhões; €405 milhões), quantia que as seguradoras provavelmente não cobririam integralmente.

Em 20 de julho de 2026, instalações em Koledino (ao sul de Podolsk), no Oblast de Moscou, foram atingidas.

Em 22 de julho de 2026, armazéns foram atacados em Krasnodar, Krai de Krasnodar, e em Nevinnomyssk, Krai de Stravropol.

Em 23 de julho de 2026, instalações foram atingidas em Netchayevka, Oblast de Voronej.

Em 24 de julho de 2026, locais foram atingidos em Novosaratovka (Utkina Zavod) e em Shushary, perto de São Petersburgo, no Oblast de Leningrado. Um ataque a um centro logístico da Wildberries em Tver foi relatado no mesmo dia. A Wildberries também confirmou um incêndio induzido por drone em seu armazém em Simferopol, na Crimeia ocupada pela Rússia. A essa altura, pelo menos nove armazéns da Wildberries haviam sido atingidos em 4 dias ao longo de uma semana; a empresa Data Insight estimou os prejuízos acumulados apenas em mercadorias em 170 bilhões de rublos ( US$ 2,2 bilhões; € 1,9 bilhão). Até 24 de julho, ao menos nove pessoas haviam morrido em decorrência dos ataques; sete dessas mortes ocorreram na instalação de Kotovsk em 18 de julho. Estimava-se que a Wildberries possuía mais de 200 armazéns e centros logísticos na Rússia, sendo praticamente impossível protegê-los totalmente contra drones ucranianos de baixo custo usando sistemas russos de defesa aérea caros.

Em 25 de julho, ocorreu um ataque contra um armazém da Wildberries em Ecaterimburgo. De acordo com a empresa, o prédio principal não foi atingido e as operações retornaram quatro horas depois, com imagens sugerindo que apenas o estacionamento foi atingido.

Em 29 de julho de 2026, instalações foram atingidas em Tyushevo, no Oblast de Riazan.

Em 30 de julho, dois armazéns foram atingidos no Oblast de Penza e em Sarapul, na Udmúrtia. No mesmo dia, um armazém foi atingido em Perm.

Em 31 de julho, um centro logístico e de energia da Wildberries em Volgogrado foi atingido. No mesmo dia, imagens geolocalizadas mostraram ataques com drones em um complexo industrial em Zelenodolsk, no Tartaristão, que abriga instalações da Wildberries e da Ozon. Após um segundo ataque em 5 de agosto, a Wildberries anunciou que o armazém de Zelenodolsk deixou de aceitar novas remessas e encerrou suas operações.

Em 2 de agosto, um armazém da Wildberries foi atingido por forças ucranianas em Novosemeykino, no Oblast de Samara.

Em 3 de agosto, um dos maiores armazéns da empresa no país foi atingido em Khryastovo, no Distrito de Sobinsky, Oblast de Vladimir. O serviço investigativo Vyorstka estimou que os 14 armazéns atacados até então cobriam mais de 1,5 milhão de metros quadrados fora de operação, cerca de 27% do espaço total de armazenagem da empresa.

Em 4 de agosto, um armazém em Krasny Bor, no Oblast de Leningrado, foi atacado; a empresa informou que o local havia sido evacuado preventivamente. No mesmo dia, um ataque a um armazém em Tchekhov, Oblast de Moscou, deixou cinco mortos e dez feridos. Além disso, uma terceira instalação em Tver, com 77 000 m², foi danificada por drones ucranianos.

Em 5 de agosto, drones ucranianos atingiram outro armazém da Wildberries em Aleksin, no Oblast de Tula.

Lista de ataques Existem dois tipos principais de instalações da Wildberries atingidas por drones ucranianos: Centros de distribuição (RC) para armazenamento regional de longo prazo; e Centros logísticos (SC) para triagem rápida e entrega local.