Abu Almutana Alualide ibne Huceine ibne Jamal ibne Habibe Axarqui Alcutami (; m. 767, 770 ou 772), mais conhecido como Axarqui Alcutami, foi um acbari, genealogista e transmissor de poesia árabe natural de Cufa. Membro dos calbitas, destacou-se pelo conhecimento das genealogias, dos Dias dos Árabes, da poesia, da língua e da literatura, sendo caracterizado como um antiquário dedicado à preservação das tradições sobre o passado árabe. Sua reputação como conhecedor das tradições árabes levou o califa abássida Almançor a convocá-lo a Baguedade para atuar como preceptor de seu filho, o futuro califa Almadi, a quem ensinou os Dias dos Árabes, acbar e poesia. Entre os estudiosos que transmitiram seu conhecimento encontram-se Hixame ibne Maomé Alcalbi, e . Nenhuma obra independente de Axarqui é conhecida, à exceção da notícia de uma cássida sobre palavras raras, mas numerosos relatos atribuídos a ele foram preservados nas obras de autores como Aljaiz, Atabari e Almaçudi. Tornou-se particularmente conhecido como autoridade sobre as histórias relacionadas à origem dos provérbios árabes e como transmissor de antigos relatos, anedotas, histórias de amor e informações genealógicas, históricas, geográficas e lexicográficas.
Vida
Axarqui Alcutami nasceu em Cufa, onde foi criado, e pertencia à tribo dos calbitas. Tanto "Axarqui" quanto "Alcutami" eram alcunhas, sendo seu nome pessoal Alualide ibne Huceine e sua cúnia Abu Almutana. As fontes apresentam algumas variações na grafia de suas alcunhas e de seu nome, mas a forma Axarqui Alcutami é considerada a mais bem fundamentada. Durante sua formação em Cufa, estudou inclusive calam e transmitiu tradições recebidas de estudiosos como e . Dedicou-se particularmente à genealogia, aos acbar, aos Dias dos Árabes, à poesia, à língua e à literatura árabes, tornando-se um dos primeiros transmissores nesses campos. A Encyclopaedia of Islam o caracteriza, assim como seu discípulo Hixame ibne Maomé Alcalbi, sobretudo como um antiquário dedicado à preservação do passado árabe. Sua ampla erudição levou o califa abássida Almançor a convocá-lo a Baguedade para servir como preceptor de seu filho, o futuro califa Almadi. Almançor encarregou-o de instruir o príncipe nos Dias dos Árabes, nos acbar e na poesia, bem como de lhe proporcionar uma formação moral adequada.
Entre os discípulos que transmitiram informações de Axarqui encontram-se Hixame ibne Maomé Alcalbi, e . Axarqui também transmitiu cerca de dez hádices, a maioria dos quais pertencente ao gênero dos , mas não gozou de reputação favorável entre os especialistas em hádices. A Encyclopaedia of Islam ressalta, contudo, que essa avaliação decorre em parte da aplicação posterior dos critérios próprios dos tradicionalistas a um estudioso cuja atividade era fundamentalmente a de um acbari, numa época em que as diferentes modalidades de transmissão do conhecimento ainda não estavam rigorosamente separadas. Por essa razão, segundo a mesma fonte, não seria adequado avaliá-lo propriamente como um muhaddith. Axarqui, que era cego de um olho, morreu em 153 A.H. (770) ou, segundo outra data transmitida pelas fontes, em 155 A.H. (772). Há ainda uma datação de sua morte em torno de 150 A.H. (767).
Obra e legado
As fontes não mencionam nenhuma obra independente atribuída com segurança a Axarqui Alcutami. Ibne Anadim, contudo, atribui-lhe uma cássida dedicada a palavras raras (). Embora fosse conhecido como transmissor de poesia árabe antiga, não aparece associado à transmissão de nenhum divã específico, sendo provável que os versos por ele preservados estivessem inseridos nos acbar que transmitia. Grande parte do material atribuído a Axarqui sobrevive em obras de autores posteriores. Seus relatos encontram-se, entre outras, no e no , de Aljaiz, na História de Atabari e no , de Almaçudi. Esses materiais abrangem antigos relatos árabes, anedotas e histórias, particularmente narrativas amorosas, além de informações lexicográficas, genealógicas, históricas e geográficas. Um dos campos nos quais Axarqui alcançou maior autoridade foi o da origem dos provérbios e ditados árabes. Seus relatos explicavam as circunstâncias e histórias que teriam dado origem a determinados provérbios e, em vários casos, apresentavam versões diferentes das explicações transmitidas por outros autores.
Esse material foi preservado nas obras de numerosos estudiosos dos provérbios árabes, entre eles Almufadal Adabi, , Albacri, , Hâmeza de Ispaã, Almufadal ibne Salama, , , , e Azamaquexari, além do Kitāb al-Ḥayawān de Aljaiz e do de . Axarqui também era conhecido como contador de histórias, sendo descrito pelas fontes como , isto é, alguém versado em narrativas e entretenimentos noturnos. Ibne Anadim chegou a incluí-lo entre os compiladores de histórias de amor. A natureza literária de parte desse material levou estudiosos modernos a considerar que algumas de suas transmissões poderiam envolver elaboração narrativa por parte do próprio transmissor, fenômeno observado também entre outros dos primeiros acbaris. A Encyclopaedia of Islam ressalta, contudo, que essa característica não justifica classificá-lo simplesmente como falsificador, devendo seus relatos ser compreendidos no contexto das práticas de transmissão narrativa de sua época.
Bibliografia
Categoria:Calbitas Categoria:Árabes do século VIII Categoria:Pessoas do Califado Abássida