Os ciclones extratropicais no sul do Brasil em 2026 são uma série de ciclones extratropicais que estão atingindo a Região Sul do Brasil em 2026. Estes fenômenos são mais comuns no inverno, mas também podem ocorrer em outros meses do ano, principalmente no outono e na primavera. Ciclones extratropicais no verão são fenômenos raros, mas justamente o primeiro do ano afetou a Região Sul no início de janeiro, ocorrendo uma sequência desses sistemas entre janeiro e fevereiro.
Contexto Ciclones extratropicais são fenômenos comuns em áreas de clima temperado (latitudes médias) em todo planeta, onde ocorrem principalmente no inverno, podendo se formar também no outono e na primavera e mais raramente, no verão. A Região Sul do Brasil está no meio do caminho entre o Polo Sul e a região tropical, com grande contraste térmico, o que favorece a formação de ciclones deste tipo nesta área e nos países vizinhos.
Eventualmente, as frentes frias associadas a esses sistemas ou as bandas externas das tempestades atingem também estados da região Centro-Oeste e Sudeste.
Contexto climático Cientistas do INMET e CPTEC/INPE, com base em dados da NOAA, apontaram que 2026 pode ser um ano marcado por mais destes sistemas, porque as águas no sul do Oceano Atlântico estão mais quentes, cerca de 1.2°C acima da média, por causa do El Niño.
Ciclones São sistemas de baixa pressão atmosférica de escala sinótica com ventos rotativos e dividem-se em três tipos principais, tropicais (também chamados furacões ou tufões), extratropicais e subtropicais, classificados de acordo com sua estrutura térmica, o local onde se formam e a fonte de energia que os alimenta.
Todos os ciclones são fenômenos de grande escala atmosférica, alcançando mais de 150km de raio (; do centro até as bandas externas), e que provocam clima severo - chuva intensa, descargas elétricas, granizo e ventos fortes. A formação de tornados, eventualmente, também está associada a esses sistemas.
Ciclones extratropicais São ciclones que ocorrem nas regiões de latitudes médias e que obtêm sua energia por métodos diferentes daqueles usados por outros fenômenos ciclônicos, tais como ciclones tropicais e os ciclones polares, permitindo a sua classificação como sistemas de "núcleo frio". Algumas de suas características incluem:
é o único tipo de ciclone que tem uma frente fria associada são os únicos que podem virar um ciclone-bomba são muitas vezes associados à queda de neve no Rio Grande do Sul e Santa Catarina e a fortes nevascas nos Estados Unidos e na Europa devido aos impactos que causam na Europa, recebem nomes durantes as temporadas anuais de tempestade ciclônicas invernais (como exemplo, consultar o artigo tempestade Éowyn) ocorrem em zonas de clima temperado, se formando com o choque de massas de ar quente e massas de ar frio
Resumo da temporada +DataEstados atingidosChuvas máximas e localVentos máximos e localTornadosDanosMortesObs1 - 2 de janeiroSC9 de janeiroRS, SC, PR, SP e MS+100mm/24horas~90km/h
Ciclones notáveis
Ciclone de 2 de janeiro O primeiro ciclone extratropical se formou por volta dos dias 1 a 2 de janeiro, na costa do Sudeste, afetando também o leste de Santa Catarina. A Defesa Civil de Santa Catarina alertou para chuvas e ventos fortes desde o dis 30 de dezembro, adicionando que poderiam ocorrer temporais isolados.
Sequência de ciclones de janeiro e fevereiro No início de 2026 o Brasil registrou uma sequência atípica de quatro ciclones extratropicais em menos de um mês. Três se formaram em janeiro e o quarto começou a se estruturar na primeira semana de fevereiro, a partir do dia 4, ao longo da costa do Sul e do Sudeste. O INMET emitiu alertas para chuvas muito intensas no Centro-Sul do país a partir do dia 2 e o sistema posteriormente atingiu com mais intensidade o Mato Grosso do Sul, onde os volumes de chuva passaram de 90mm acima da média. SP, GO, MG, PR e SC também sofreram com os efeitos do ciclone.
Ciclone de 7 de maio de 2026 O Inmet emitiu avisos de tempo severo para 11 estados brasileiros entre os dias 7 e 8 de maio devido à formação de um ciclone extratropical próximo à costa do Rio Grande do Sul, à sul do Uruguai. O alerta mais intenso foi o laranja, de perigo, válido para o Sul e parte de São Paulo, por causa da possibilidade de ventos fortes. No Rio Grande do Sul, a previsão apontava rajadas que podiam superar 100 km/h, além de chuva de até 100 mm por dia, granizo e risco de alagamentos e interrupções de energia. Já o alerta amarelo, de perigo potencial, indicava ventos de 40 km/h a 60 km/h para áreas de Minas Gerais, Goiás, Bahia e outros estados, com risco de pequenas intercorrências, como a queda de galhos.
Sequência de ciclones de junho O ciclone começou a se formar de uma área de baixa pressão no interior do continente (norte da Argentina/Paraguai) e se organizou sobre o oceano entre o RS e SC. Houve alerta laranja da Defesa Civil RS para as Missões, Centro, Noroeste e Norte, com previsão de chuvas e ventos fortes. O INMET emitiu alerta vermelho - de grande perigo - para tempestades, com risco de granizo grande, microexplosões e até tornados, principalmente no noroeste do RS. Durante o pico de atuação no RS, na madruga de 12 de junho, houve temporais isolados no Norte/Nordeste e chuva forte, com acumulados de 50 a 75mm no Norte, Serra e Costa Doce (69mm em Rio Pardo, 63mm em São Lourenço do Sul e 59mm em Pelotas). O Satélite GOES-19 registrou o vórtice (centro do sistema) sobre a metade Leste gaúcha.
Ciclone de 28 julho de 2026 Associado a uma frente fria intensa, trouxe neve e chuva congelada para a Serra Catarinense e Gaúcha entre 20 e 22 de julho.
Ciclone-bomba de 6 de agosto miniaturadaimagem|Região do Prata, no sul do Uruguai: possível local de formação do centro do cicloneA Defesa Civil do Rio Grande do Sul e meteorologistas, como os da Metsul, emitiram alertas no dia 5 sobre a formação de um ciclone-bomba próximo ao Rio Grande do Sul, com a Metsul alertando para um evento grave com ventos violentos e ventos ciclônicos. O "ciclone extratropical que será intenso", com possibilidade de vendavais violentos e vento ciclônico. Ventos de 100 km/ hora estavam previstos [ventos que equivalem aos de um furacão de categoria 1, praticamente].
O sistema se formou devido ao grande gradiente térmico (forte contraste entre o ar frio e o quente) provocado pelo encontro de uma massa de ar frio sobre a Argentina e uma massa de ar quente no sul do Brasil e se intensificou rapidamente (queda acentuada da pressão central em poucas horas; ciclogênese explosiva ou ciclone-bomba), com a Metsul explicando que ele se formaria perto da Rio da Prata.
O ciclone gerou rajadas de vento severas. Em Pedro Osório (RS), houve o registro da formação de um tornado, gerando danos a infraestruturas e destelhamentos. Em Montenegro, a queda de uma árvore decorrente dos vendavais provocou uma morte.
Ciclone de 20 de agosto Meteorolgistas e a Defesa Civil monitoraram uma nova área de baixa pressão que virou um ciclone extratropical próximo à costa do RS no dia 20 de agosto. Também houve alertas para a queda das temperaturas, chuvas e ventos fortes.
Ciclone de 30 de agosto As primeiras previsões meteorológicos sobre a formação do ciclone no dia 30 foram divulgadas em 25 de agosto. O portal Tempo, da rede Meteored, alertou para o tempo severo, incluindo a formação de tornados, e que o fenômeno atuaria junto a um rio atmosférico, o que levaria a chuvas volumosas. "Granizo, tornados e chuva de 200 mm deixam a região Sul em alerta", dizia o texto.
No dia 26 a Defesa Civil do RS emitiu alerta laranja para quase todo estado devido à possibilidade de queda de granizo e rajadas de vento de quase 100 km/h, com alerta especial para o final dd semana de 29 e 30 de agosto devido a chuvas volumosas de cerca de 200mm causadas pela frente semiestacionária.
Ciclone de 11 de setembro Depois de uma onda polar entre 6 e 7 de setembro - nevou em cidades do RS e de SC na tarde de 6 de setembro - a Metsul alertou no dia 7 para a formação de um ciclone extratropical sobre a Argentina, com mau tempo previsto no RS nos dia 9 e 10 devido à passagem de sua frente fria associada e principalmente nos dias 11 e 12, quando o ciclone se aprofundaria - depressão profunda (termo comum nos países europeus para definirem suas tempestades invernais), com possibilidade de ciclogênese explosiva (formação de ciclone-bomba). O portal definiu a situação como "semana de alto risco".
Chuvas de mais de 200mm ocorreram no RS ao longo da semana na metade sul e faixa leste do estado. Ventos de 100 km ocorreram na costa entre 11 e 12 de setembro e de até 70km em Porto Alegre e cidades dos arredores.
Ciclone de 20 de setembro miniaturadaimagem|Enchente de São Miguel no rio Caí, na cidade de Feliz, em 21 de setembro O portal Metsul no dia 17 e o Inmet no dia 18 alertaram para a passagem de um centro de baixa pressão de oeste para leste sobre a Argentina. Segundo o Inmet a frente fria associada provocaria instabilidade na Região Sul, Mato Grosso do Sul e no sul de São Paulo . As chuvas começaram ainda no dia 20, avançando do sul-sudoeste por sobre todo o Rio Grande do Sul. Nas primeiras horas do dia 21 um alerta vermelho do Inmet estava em vigor para parte da Região do Sul do Brasil. . Chuvas fortes foram registradas e na Serra gaúcha choveu 171 mm de chuva em 6 horas levando à uma cheia do Rio Caí, que subiu rapidamente entre a noite de domingo e a manhã de segunda-feira, 21 de setembro, causando uma enchente de São Miguel. O Vale do Taquari também foi afetado. Também houve temporais com fortes ventos, principalmente na região do Chuí e Pelotas. Ocorreram rajadas de vento de 115,8 km/h em São Jerônimo, 113,7 km/h em Rio Grande, 104,1 km/h em Cerrito e 93,2 km/h em Porto Alegre. Devido aos ventos, em Pelotas um prédio desabou na rua Marcílio Dias durante a ventania da madrugada de 21 de setembro e em Cerrito uma semana depois grande parte da zona rural ainda estava sem energia elétrica. Segundo um balanço da Defesa Civil, 151 municípios tiveram algum tipo de dano e 577 mil pessoas foram afetadas.
Ciclone de 29 de setembro
Glossário
Área ou centro de baixa pressão: sistema meteorológico cujo centro apresenta uma pressão do ar menor do que a área ao redor, fazendo com que o centro "puxe" o ar externo para o centro de forma rotativa; é um ciclone
Depressão [atmosférica]: é um sinônimo de baixa pressão (meteorologia) Depressão [atmosférica] profunda: ocorre quando a pressão no centro de baixa pressão baixa ainda mais, o que aumenta a velocidade dos ventos "puxados" para seu interior Ciclone: sistema de baixa pressão cujos ventos sopram de forma rotativa Ciclone extratropical: tipo de ciclone que ocorre em áreas de clima temperado, tanto no Hemisfério Sul como no Norte do planeta Milibar: é uma unidade de medir a pressão do ar; sua abreviatura é mbar; algumas vezes também se usa hectopascais como medica (abreviatura hPa), onde 1 hectopascal é exatamente igual a 1 milibar Pressão atmosférica média: a pressão do ar normal é de 1013 a 1015 milibares, logo quando ela baixa disso, considera-se que ocorre a formação de uma área de baixa pressão - o ciclone Éowyn na Europa alcançou 941,9 mbar e o ciclone-bomba no sul do Brasil em 2020 atingiu 996 mbar
Ver também
Ciclone-bomba Tempestade Éowyn Ciclones extratropicais no sul do Brasil em 2025 Ciclones extratropicais no sul do Brasil em 2024 Ciclones extratropicais no sul do Brasil em 2023
Referências
Categoria:Ciclones extratropicais