Abu Açaba Dacuane ibne Abede Alcaice ibne Calada Alançari (; m. ) foi um dos primeiros habitantes de Iatrebe a converter-se ao islão. Pertencente ao ramo dos Banu Amir ibne Zuraique da tribo dos cazerajitas, participou dos Pactos de Ácaba, tomou parte da Hégira apesar de ser natural de Iatrebe e, por isso, ficou conhecido como um muhajir-ançar. Combateu nas batalhas de Badre e Uude, morrendo como mártir nesta última.

Vida

Dacuane nasceu em Iatrebe e pertencia ao ramo dos , da tribo dos cazerajitas. Figura entre os primeiros habitantes da cidade a abraçar o islão. Antes dos Pactos de Ácaba, envolveu-se numa disputa com Açade ibne Zurara, um dos principais líderes de Iatrebe, conhecido por sua inclinação ao monoteísmo. Para resolver o desacordo, ambos viajaram a Meca com a intenção de submeter a questão à arbitragem de Oteba ibne Rabia, um dos chefes dos coraixitas. Oteba advertiu-os a manter distância de Maomé, afirmando que este apenas perturbava os habitantes de Meca com suas pretensões proféticas. Entretanto, como ambos já buscavam uma religião monoteísta, decidiram encontrar-se com Maomé, ouviram a recitação do Alcorão e aceitaram sua mensagem, regressando em seguida a Iatrebe. Os dois passaram então a divulgar o islão entre seus conterrâneos, contribuindo especialmente para sua difusão entre os cazerajitas e preparando o terreno para que outros habitantes da cidade viajassem a Meca e conhecessem o profeta.

Em 620, Dacuane integrou o grupo de seis habitantes de Iatrebe que se encontrou com Maomé em Ácaba. Segundo o tradicionalista Muça ibne Uqueba, também participou dos Primeiro e Segundo Pactos de Ácaba. Após a chegada dos primeiros muajiritas a Iatrebe, tomou conhecimento da recompensa espiritual atribuída à Hégira, viajou a Meca para permanecer algum tempo junto de Maomé e regressou em seguida à cidade ao lado de um grupo de emigrantes. Por esse motivo, embora fosse natural de Iatrebe, passou a ser considerado simultaneamente um dos ançares e dos muajiritas, recebendo a designação de muajir-ançar Segundo uma tradição, durante o estabelecimento da fraternidade entre emigrantes e ançar, Maomé o tornou irmão de Muçabe ibne Omeir. Dacuane também auxiliou financeiramente os emigrantes, vendendo-lhes parte de seus bens por preços reduzidos. Entre esses negócios, Sade ibne Abi Uacas adquiriu dele, em troca de dois camelos, o poço de Sucaia, célebre pela qualidade de sua água.

Dacuane participou da Batalha de Badre e, no ano seguinte, da Batalha de Uude, na qual se distinguiu por sua dedicação. Na noite anterior ao combate, quando o exército muçulmano acampava em Xaicaine, Maomé perguntou quem se dispunha a montar guarda contra um possível ataque noturno. Dacuane respondeu afirmativamente três vezes, identificando-se sucessivamente apenas pela voz, pelo patronímico e, por fim, pela cunha. Somente então apresentou-se diante do profeta como Abu Açaba Dacuane ibne Abede Alcaice. Apreciando sua determinação, Maomé mostrou-o aos companheiros e declarou: "Se quereis ver um homem que amanhã caminhará pelos prados do Paraíso, olhai para este homem". Compreendendo que aquelas palavras anunciavam seu martírio, Dacuane voltou para casa, despediu-se da esposa e dos filhos e passou o restante da noite cumprindo a guarda que lhe fora confiada. No dia seguinte combateu em Uude, sendo morto por , que por sua vez foi morto por Ali ibne Abi Talibe, segundo a tradição preservada por Aluaquidi. Após a batalha, Abu Sufiane percorreu o campo para identificar os mortos e, ao deter-se junto ao corpo de Dacuane, foi informado de que aquele era um dos principais homens de sua tribo e um dos mais destacados muçulmanos.

Bibliografia

Categoria:Ançares Categoria:Cazerajitas Categoria:Naturais de Medina Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII