Uaxi ibne Harbe Alabexim, também conhecido como Abu Desma e Abu Harbe (; m. depois de 644), foi um companheiro de Maomé. De origem abissínia e inicialmente escravo da aristocracia coraixita de Meca, tornou-se conhecido por matar Hâmeza ibne Abede Almotalibe na Batalha de Uude antes de converter-se ao islão. Posteriormente participou da Batalha de Iamama, na qual, segundo a tradição, matou Muçailima, tornando-se uma figura marcante tanto da história inicial do islão quanto da tradição dos hádices.
Vida
Uaxi era de origem abissínia e escravo do aristocrata coraixita Jubair ibne Mutime, embora algumas tradições afirmem que teria pertencido a ou a , ou ainda ao irmão deste, Mutime. As fontes não esclarecem como chegou a Meca. Durante os preparativos para a Batalha de Uude, Jubair prometeu conceder-lhe a liberdade caso vingasse a morte de seu tio Tuaima, morto na Batalha de Badre por Hâmeza ibne Abede Almotalibe. Também a filha de Alharite ibne Anre lhe prometeu a alforria se matasse Maomé, Ali ou Hâmeza, enquanto Hinde binte Oteba, desejando vingar a morte de seus parentes em Badre, ofereceu-lhe dez moedas de ouro e todas as suas joias caso eliminasse Hâmeza. Na Batalha de Uude, Uaxi acompanhou o exército coraixita como um dos poucos escravos destacados para o combate. Durante a luta, permaneceu observando Hâmeza, escondendo-se alternadamente atrás de rochas e árvores até encontrar uma oportunidade para atacá-lo. Depois que Hâmeza matou , Uaxi lançou sua lança e o atingiu mortalmente. Em seguida aproximou-se do corpo, retirou-lhe o fígado e levou-o a Hinde, que lhe entregou as joias prometidas e mutilou o cadáver de Hâmeza e os de outros combatentes muçulmanos. Após a batalha, Jubair concedeu-lhe a liberdade, e Hinde recompensou-o também com dez moedas de ouro. Mais tarde, já muçulmano, Uaxi declarou que participara da batalha exclusivamente para obter sua liberdade, pois não via outro meio de consegui-la. Segundo a tradição, Uaxi foi o primeiro a levar a notícia do resultado da batalha a Meca, anunciando-a do alto de uma colina em Hajune. Permaneceu vivendo na cidade e participou também da Batalha da Trincheira, durante a qual matou com sua lança .
Após a Conquista de Meca, Uaxi fugiu para Taife, pois figurava entre cerca de dez pessoas excluídas da anistia geral concedida por Maomé em razão de sua reconhecida hostilidade aos muçulmanos. Quando os taquifitas decidiram enviar uma delegação a Medina, cogitou refugiar-se em Damasco, no Iêmem ou em outra região. Entretanto, ao ser informado de que Maomé concedia perdão aos que abraçassem o islão, decidiu dirigir-se a Medina, integrando a delegação de Taife ou viajando sozinho, conforme as diferentes tradições. No Mesquita do Profeta, apresentou-se diante de Maomé e converteu-se ao islão. As fontes preservam um relato detalhado do encontro entre ambos. Segundo a tradição, Uaxi manifestou receio de que seus pecados fossem graves demais para receber o perdão divino. Em resposta, Maomé recitou inicialmente o versículo , que trata do arrependimento sincero. Como Uaxi continuasse hesitante, afirmando que havia cometido um pecado comparável à descrença, Maomé respondeu com , segundo o qual Deus perdoa todos os pecados, exceto a associação de outras divindades a Ele, quando assim o deseja. Ainda insatisfeito, Uaxi observou que o versículo condicionava esse perdão à vontade divina. Maomé então recitou , que conclama os pecadores a não desesperarem da misericórdia de Deus, dissipando definitivamente suas dúvidas e levando-o a professar o islão. Após sua conversão, Maomé pediu que Uaxi narrasse como havia matado Hâmeza. O relato causou profundo pesar ao profeta, que, apesar disso, não o puniu. Apenas lhe pediu que evitasse permanecer em sua presença, pois a visão de Uaxi lhe recordava constantemente a morte de seu tio.
Depois de deixar Medina, Uaxi integrou, em 633, o exército comandado por Calide ibne Alualide enviado contra Muçailima durante a Batalha de Iamama. Segundo a tradição, matou o líder rebelde com a mesma lança utilizada contra Hâmeza. Outra versão relata que sua lança apenas derrubou Muçailima, sendo este decapitado em seguida por Abedalá ibne Zaíde ibne Ácime e . Conforme os relatos tradicionais, Uaxi costumava afirmar: "Matei o melhor dos homens e o pior dos homens", referindo-se a Hâmeza e a Muçailima, respectivamente. Posteriormente participou, ao lado de Calide, da Batalha de Jarmuque, da conquista de Damasco e da conquista de Hómece, cidade onde acabou se estabelecendo. Segundo a tradição, durante o califado de Omar , foi punido por consumir bebidas alcoólicas e, por persistir nesse comportamento, acabou excluído do registro militar. Viveu em Hómece até sua morte, ocorrida após 644, provavelmente durante o califado de Otomão . Uaxi transmitiu um pequeno número de hádices preservados, entre outras obras, no Sahih de Albucari e no Musnade de Amade ibne Hambal. Entre seus principais discípulos figuram , e seu filho Harbe. Segundo Ibne Sade, sua descendência ainda existia no , sendo também lembrado como o primeiro habitante de Hómece a usar vestes de luxo.
Bibliografia
Categoria:Império de Axum Categoria:Pessoas envolvidas nas Guerras da Apostasia Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo