O foi um cruzador rápido operado pela Marinha Imperial Japonesa e a quarta embarcação da Classe Nagara, depois do , Isuzu e Natori, e seguido pelo Kinu e . Sua construção começou em maio de 1921 no Arsenal Naval de Sasebo e foi lançado ao mar em fevereiro de 1922, sendo comissionado na frota japonesa em março do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal de sete canhões de 140 milímetros em montagens individuais, tinha um deslocamento padrão de mais de cinco mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 36 nós.
Os primeiros anos de serviço do Yura foram relativamente tranquilos, consistindo principalmente em várias patrulhas pelo litoral da China e períodos em diferentes formações. O navio bombardeou posições chinesas em 1932 após o Incidente de Mukden a fim de proporcionar suporte de artilharia para forças terrestres. A Segunda Guerra Sino-Japonesa começou em meados de 1937 e o Yura deu apoio para diversas operações em Xangai e arredores, também participando de um bloqueio naval de portos chineses. Depois disso operou no Mandato do Pacífico Sul e no Mar da China Meridional.
O Japão entrou na Segunda Guerra Mundial no final de 1941 e pelos primeiros meses o navio deu suporte para várias campanhas japonesas no Sudeste Asiático. Em abril de 1942 participou de uma incursão no Oceano Índico, durante a qual ajudou a afundar três embarcações. Perto do final do ano o Yura deu suporte para diversas operações da Campanha de Guadalcanal, estando presente inclusive na Batalha das Salomão Orientais. O navio acabou danificado por várias ondas de ataques aéreos estadunidenses em 25 de outubro perto de Guadalcanal e deliberadamente afundado.
Características
thumb|esquerda|250px|Desenho da Classe Nagara A segunda leva de três cruzadores rápidos da Classe Nagara foi autorizada pela Dieta Imperial em 12 de março de 1918, porém só foram financiados nas Estimativas Navais do Ano Fiscal de 1920. A intenção era que os navios servissem como capitânias para esquadras de contratorpedeiros e submarinos da Marinha Imperial Japonesa, atuassem como batedores de longa distância da frota de batalha e protegessem navios mercantes japoneses.
O Yura tinha 162,15 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 14,17 metros e um calado de 4,86 metros. Tinha um deslocamento padrão de toneladas e um deslocamento normal de toneladas, porém na realidade tinha um ligeiro sobrepeso e seu deslocamento real era de toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por doze caldeiras de tubos d'água Kampon que alimentavam quatro turbinas a vapor, cada uma girando uma hélice. Este sistema tinha uma potência indicada de 91,1 mil cavalos-vapor (67 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 36 nós (67 quilômetros por hora), mas durante seus testes marítimos alcançou apenas 35,2 nós (65,2 quilômetros por hora) com cavalos-vapor ( quilowatts). Carregava carvão e óleo combustível suficiente para uma autonomia de seis mil milhas náuticas (onze mil quilômetros) a catorze nós (26 quilômetros por hora). Foi construído com um hangar de hidroaviões e uma plataforma de lançamento de dez metros. Sua tripulação era normalmente formada por 37 oficiais e 413 marinheiros, mas como capitânia esses números cresciam em cinco oficiais e 22 marinheiros.
Seu armamento principal consistia em sete canhões Tipo 3º Ano de 140 milímetros em montagens individuais com escudos protetores, dois à vante da superestrutura, três à ré das chaminés e dois nas laterais da ponte de comando, um de cada lado. A defesa antiaérea tinha dois canhões Tipo 3º ano de 76 milímetros ao lado da segunda chaminé e duas metralhadoras Tipo 3 em uma plataforma entre a segunda e terceira chaminés. Também foi equipado com oito tubos de torpedo Tipo 8 de 610 milímetros montados em quatro lançadores duplos, dois em cada lateral, bem como a capacidade de carregar até 48 minas navais Nº 1 que podiam ser lançadas por dois trilhos instalados na popa. Sua blindagem consistia em um cinturão de 63,4 milímetros de espessura à meia-nau protegendo as salas de máquinas, sendo composto por uma placa interna de 25,4 milímetros e uma externa de 38 milímetros; o cinturão se conectava abaixo com o fundo duplo da embarcação e acima com um convés blindado de 28,6 milímetros de espessura.
Modificações Os canhões de 76 milímetros foram substituídos entre setembro de 1933 e janeiro de 1934 por quatro metralhadoras Tipo 93 de 13,2 milímetros em duas montagens duplas, enquanto as metralhadoras de 6,5 milímetros foram substituídas por metralhadoras Lewis de 7,7 milímetros. Uma montagem quádruplas da metralhadora Tipo 93 também foi instalada na frente da ponte e o telêmetro original de 2,5 metros da ponte foi substituído por um de 3,5 metros. A Marinha Imperial percebeu em 1934 que vários de seus navios eram excessivamente pesados acima da linha de flutuação e consequentemente instáveis, assim o Yura foi modificado a partir de outubro para reduzir a quantidade de equipamentos no convés superior, encurtar o mastro do traquete e adicionar 198 toneladas de lastro. Neste mesmo período, suas caldeiras foram convertidas para queimarem apenas óleo combustível, convertendo os depósitos de carvão inferiores em tanques de óleo e os depósitos superiores em armazéns e uma sala de rádio. Seu casco foi fortalecido nas juntas entre 1936 e 1937, com placas de aço também adicionadas no convés e laterais. Um metralhadora BI de 12,7 milímetros foi instalada na ponte em julho de 1937, enquanto no ano seguinte as metralhadoras de 13,2 milímetros foram substituídas por quatro canhões antiaéreos Tipo 96 de 25 milímetros em duas montagens duplas.
O Yura realizou testes com um hidroavião de reconhecimento Yokosuka E1Y2 entre 1927 e 1928 que ficava guardado na plataforma de lançamento e era baixado para o mar para decolagem e recuperado por um guindaste instalado ao lado da ponte. Uma catapulta experimental com molas foi instalada na plataforma em 1930 para testes com um Aichi E3A1, porém vários acidentes fizeram com que fosse substituída em outubro por uma catapulta Kure Tipo 2, Modelo 2 de dezessete metros que funcionava com cordite. Seu hangar foi convertido entre 1933 e 1934 em escritórios, salas de rádio e compartimentos de armazenamento, já sua plataforma de lançamento, catapulta e guindastes foram removidos e uma catapulta giratória Kure Tipo 2, Modelo 3 de 19,4 metros foi instalada à vante do segundo mastro, entre dois canhões principais. Os mastros de poste foram convertidos em mastros de tripé com um guindaste mais forte para lidar com as aeronaves. O navio operou um hidroavião Nakajima E4N2 até o final de 1934 e depois um Kawanishi E7K.
Carreira Tempos de paz thumb|250px|O Yura no início de sua carreira Foi nomeado em homenagem ao rio Yura. Seu batimento de quilha ocorreu em 21 de maio de 1921 no Arsenal Naval de Sasebo, foi lançado ao mar em 15 de fevereiro de 1922 e comissionado em 20 de março de 1923. Se tornou em 1º de abril a capitânia da 5ª Esquadra de Cruzadores, que também tinha seus irmãos , Natori e Kinu. A 5ª e 2ª Esquadras de Cruzadores patrulharam águas chinesas entre 25 de agosto e 4 de setembro. A 5ª Esquadra, agora formada pelo Yura, Nagara e Natori, foi designada em 1º de dezembro para a 2ª Frota. A formação foi reforçada pelo cruzador rápido Sendai em maio de 1924 e em outubro fizeram um cruzeiro para Hahajima. O Yura deixou de ser a capitânia em 1º de dezembro, com a esquadra patrulhando a área perto do delta do rio Yangtzé, Tsingtao e Dairen de 25 de março a 23 de abril de 1925. A esquadra fez outro cruzeiro perto de Tsingtao a partir de 29 de março de 1926, porém o Yura voltou para Sasebo em 1º de abril. De novembro de 1926 a novembro de 1927 seu oficial comandante foi o capitão Soemu Toyoda, com o cruzador se tornando em 1º de dezembro de 1926 a capitânia da Esquadra de Submarinos. Duas semanas depois começou testes com um hidroavião Yokosuka E1Y2 e liderou sua esquadra em uma patrulha perto de Tsingtao entre 26 de março e 16 de abril de 1927 junto com a 3ª Esquadra de Cruzadores. Foi colocado na reserva em Sasebo em 1º de dezembro.
A embarcação foi reativada em 10 de dezembro de 1928 sob o comando do capitão Tomisaburō Otagaki, tornando-se a capitânia da 3ª Esquadra de Cruzadores da 1º Frota. A unidade fez patrulhas perto de Tsingtao, Dairen e Chinwangtao de 29 de março a 21 de abril de 1929 enquanto era escoltada pela 1ª Esquadra de Contratorpedeiros. O capitão Senzō Wada substituiu Otagaki em 1º de novembro. A esquadra visitou Darien entre março e abril do ano seguinte. O Yura foi colocado na reserva em Sasebo em 1º de dezembro de 1930, mas foi reativado em 1º de dezembro de 1931 e voltou para a 3ª Esquadra de Cruzadores, agora sob o comando do capitão Tanimoto Umataro. O Japão invadiu a Manchúria em 1931 após o Incidente de Mukden, com o Exército Imperial Japonês atacando unidades do Exército Nacional Revolucionário Chinês em Xangai e arredores em 28 de janeiro de 1932. A 3ª Esquadra de Cruzadores, formada pelo Yura e seus irmãos Naka e , foi para a área no dia seguinte. Eles bombardearam fortificações e posições chinesas em Woosung, perto dos estuários do Yangtzé e Huangpu, em 4 de fevereiro. O Yura e o cruzador rápido Yūbari deram suporte para a 9ª Divisão e continuaram a dar apoio de artilharia até partirem em 20 de março. Voltou para Sasebo e ficou meses sob reparos para danos causados pelos disparos de seus próprios canhões.
O navio permaneceu na 3ª Esquadra de Cruzadores até 20 de maio de 1933, quando os três irmãos foram transferidos para a recém formada 7ª Esquadra de Cruzadores. Seu oficial comandante foi o capitão Rokuzō Sugiyama de 15 de junho a 15 de novembro. A formação visitou portos em Formosa de 5 a 15 de julho e então fez patrulhas pelo sul da China até voltar para o Japão em 21 de agosto, em seguida participando de uma revista naval quatro dias depois em Yokohama. O Yura se tornou em 1º de novembro a capitânia da 2ª Esquadra de Submarinos, porém nesta altura estava em reformas desde setembro, com os trabalhos durando até 25 de janeiro de 1934. A esquadra visitou Tsingtao brevemente entre 27 de setembro e 5 de outubro. O navio ficou sob mais reformas até janeiro de 1935 para melhorar sua estabilidade, com o capitão Seisaku Wakabayashi tendo assumido o comando em 1º de novembro de 1934. A esquadra zarpou em 7 de fevereiro de 1935 para um cruzeiro pelas Ilhas Curilas que durou até o dia 25. O cruzador participou das Grandes Manobras da Frota Combinada entre 20 de julho e 2 de outubro. O Yura foi designado em 15 de novembro para a Esquadra de Guarda de Sasebo, formada por navios da reserva, com seu casco sendo fortalecido e seus motores consertados durante uma manutenção que ocorreu de 10 de junho de 1936 até março de 1937.
thumb|esquerda|255px|O Yura em Xangai em agosto de 1937