Um banco de sangue do cordão umbilical é uma instalação destinada ao armazenamento de sangue do cordão umbilical para utilização futura. Os bancos privados e públicos de sangue do cordão umbilical desenvolveram-se em resposta ao potencial deste sangue no tratamento de doenças do sangue e do sistema imunitário. Os bancos públicos aceitam doações que podem ser utilizadas por qualquer pessoa que delas necessite, funcionando de forma semelhante aos bancos de sangue públicos. Tradicionalmente, os bancos públicos de sangue do cordão umbilical têm sido mais amplamente aceites pela comunidade médica. Os bancos privados armazenam o sangue do cordão umbilical exclusivamente para uma eventual utilização pelo dador ou pela sua família. Nos Estados Unidos, os bancos privados cobram normalmente cerca de 2 000 dólares pela colheita e cerca de 200 dólares por ano pelo armazenamento, enquanto na Europa os preços variam consoante o mercado.

Visão geral O sangue do cordão umbilical contém células estaminais hematopoiéticas, que apenas se podem diferenciar em células sanguíneas, não devendo ser confundidas com células estaminais embrionárias ou células estaminais pluripotentes, que se podem diferenciar em qualquer tipo de célula do organismo. As células estaminais do sangue do cordão umbilical são progenitores de células sanguíneas capazes de formar glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Por esse motivo, são atualmente utilizadas no tratamento de doenças genéticas relacionadas com o sangue e o sistema imunitário, cancros e outras doenças hematológicas. O sangue do cordão umbilical é também uma fonte de células estaminais mesenquimais, que podem diferenciar-se em tecidos conjuntivos, ossos e cartilagem. Quanto à possibilidade de as células estaminais do sangue do cordão umbilical serem utilizadas para outros fins, a World Marrow Donor Association e o European Group on Ethics in Science and New Technologies afirmaram que "a possibilidade de utilizar as próprias células estaminais do sangue do cordão umbilical em medicina regenerativa é atualmente puramente hipotética". As mesmas entidades consideraram ainda que "é, por conseguinte, altamente hipotético que as células do sangue do cordão umbilical conservadas para utilização autóloga venham a ter algum valor no futuro" e que "a legitimidade dos bancos comerciais de sangue do cordão umbilical para utilização autóloga deve ser questionada, uma vez que vendem um serviço que, atualmente, não tem utilidade real no que respeita a opções terapêuticas".

Na sua declaração de política de 2017, a American Academy of Pediatrics (AAP) afirmou que o armazenamento privado rotineiro de sangue do cordão umbilical como forma de "seguro biológico" é imprudente e não é recomendado para famílias sem uma indicação médica conhecida. A AAP considera que o armazenamento dirigido, ou familiar, do sangue do cordão umbilical pode ser ponderado quando existe um familiar com uma doença potencialmente tratável por transplante de células estaminais hematopoiéticas, como certas neoplasias hematológicas, síndromes de falência da medula óssea, imunodeficiências hereditárias ou determinados distúrbios metabólicos. Nestas circunstâncias, o sangue do cordão umbilical pode constituir uma possível fonte alogénica de células estaminais para um irmão afetado. A AAP apoia a doação pública de sangue do cordão umbilical, salientando que os bancos públicos aumentam a disponibilidade de unidades de células estaminais para doentes que delas necessitam. O Institute of Medicine indicou que, em 2005, apenas tinham sido realizados 14 procedimentos deste tipo. A American Medical Association considera que o armazenamento privado deve ser ponderado apenas em circunstâncias invulgares, quando existe uma predisposição familiar para uma doença em que as células estaminais do cordão umbilical tenham indicação terapêutica. No entanto, assinala que, devido ao custo, à baixa probabilidade de utilização e à impossibilidade de acesso por terceiros, o armazenamento privado não deve ser recomendado a famílias de baixo risco. A política da Society of Obstetricians and Gynaecologists of Canada (SOGC) apoia os bancos públicos de sangue do cordão umbilical, de forma semelhante à colheita e armazenamento de outros produtos sanguíneos, ou seja, de modo altruísta e acessível a qualquer pessoa. A organização afirma ainda que o armazenamento privado só deve ser considerado em determinadas circunstâncias. Posições semelhantes foram expressas por outras organizações profissionais, incluindo a American Society for Blood and Marrow Transplantation e o American Congress of Obstetricians and Gynecologists. Os transplantes de sangue do cordão umbilical recorrem geralmente a unidades provenientes de bancos públicos, e não de bancos privados, em parte porque a maioria das doenças tratáveis exige células provenientes de um dador.

Na Europa, os bancos públicos e privados de sangue do cordão umbilical são regulados pela Diretiva da União Europeia relativa aos tecidos e células. Em Itália, o armazenamento privado do próprio sangue do cordão umbilical é restrito. Na Bélgica e em França, o armazenamento de sangue do cordão umbilical só é permitido para uso alogénico filantrópico ou dirigido, com regulamentos que limitam a conservação às necessidades terapêuticas comprovadas ou a fins altruístas. A Alemanha permite tanto bancos públicos sem fins lucrativos como bancos privados. No Reino Unido, a colheita de sangue do cordão umbilical é regulada pela Human Tissue Authority, existindo vários bancos sem fins lucrativos para uso alogénico e modelos mistos de banca pública e privada.

Regulação Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration regula o sangue do cordão umbilical na categoria de "células, tecidos e produtos celulares e tecidulares humanos". O Código de Regulamentos Federais ao abrigo do qual a FDA regula os bancos públicos e privados de sangue do cordão umbilical corresponde ao Título 21, Secção 1271. Vários estados, incluindo Nova Iorque, Nova Jérsia e Califórnia, exigem também acreditação. Qualquer empresa que não esteja acreditada nesses estados não está legalmente autorizada a recolher sangue do cordão umbilical nesses territórios, mesmo que esteja sediada noutro estado. Os potenciais clientes podem verificar o estado de acreditação em Nova Iorque através da lista de bancos de sangue do cordão umbilical autorizados a recolher no estado de Nova Iorque. Tanto os bancos públicos como os privados podem também obter acreditação voluntária junto da Association for the Advancement of Blood & Biotherapies (AABB) ou da Foundation for the Accreditation of Cellular Therapy (FACT). Os potenciais clientes podem consultar o estado de acreditação dos laboratórios na lista da AABB de laboratórios acreditados de sangue do cordão umbilical ou no motor de pesquisa da FACT para bancos acreditados de sangue do cordão umbilical. Outros países também têm regulamentos aplicáveis ao sangue do cordão umbilical.

Na Europa, a regulação dos bancos de sangue do cordão umbilical resulta de uma combinação de legislação da União Europeia e leis nacionais. Ao nível da União Europeia, a colheita, processamento, testagem, armazenamento e distribuição de sangue do cordão umbilical são regulados pela Diretiva relativa aos tecidos e células, Diretiva 2004/23/CE, e pelas suas diretivas de execução, que estabelecem normas de qualidade, segurança, rastreabilidade, acreditação e comunicação de acontecimentos adversos. Estas regras aplicam-se tanto aos bancos públicos como aos bancos privados que operam nos Estados-Membros da União Europeia. No entanto, a organização e a admissibilidade dos bancos familiares de sangue do cordão umbilical variam entre países. Alguns Estados promovem sistemas de doação pública, enquanto outros permitem o armazenamento familiar em condições reguladas. Em algumas jurisdições, como Itália, o armazenamento autólogo doméstico é geralmente restrito, embora a exportação para armazenamento em instalações acreditadas no estrangeiro possa ser permitida ao abrigo de disposições legais específicas.

Na sua resolução sobre a utilização do sangue do cordão umbilical, o Parlamento Europeu afirmou que os pais devem receber informação equilibrada e abrangente sobre as opções de armazenamento privado, ou familiar, e público, incluindo os seus potenciais benefícios, limitações e questões éticas.

Colheita e criopreservação A colheita do sangue do cordão umbilical ocorre depois de o cordão ter sido cortado, sendo o sangue extraído da extremidade fetal do cordão, desviando até 75 ± 23 ml do recém-nascido. O procedimento é normalmente realizado nos dez minutos posteriores ao parto. Podem ainda ser recolhidas células estaminais adicionais da placenta. Depois de o profissional de saúde recolher o sangue a partir da extremidade placentária do cordão umbilical, a placenta é enviada para o laboratório de células estaminais, onde é processada para obtenção de células adicionais. Uma colheita adequada de sangue do cordão umbilical requer pelo menos 75 ml, de modo a garantir uma quantidade suficiente de células para eventual utilização num transplante. Antes de ser armazenado para utilização futura, o sangue do cordão umbilical é submetido a testes virais, incluindo testes para VIH e hepatites B e C, bem como a tipagem tecidular para determinar o tipo de antigénios leucocitários humanos, necessária em caso de utilização alogénica. São também avaliados a contagem de células nucleadas, a viabilidade celular, o grupo sanguíneo ABO e o fator Rh, o marcador CD34 e a presença de crescimento bacteriano ou fúngico.

Após a colheita, a unidade de sangue do cordão umbilical é enviada para o laboratório, processada e depois criopreservada. Existem vários métodos de processamento de uma unidade de sangue do cordão umbilical, havendo opiniões diferentes quanto ao método mais adequado. Alguns processos separam e removem os glóbulos vermelhos, enquanto outros os mantêm. Independentemente do método utilizado, é adicionado um crioprotetor ao sangue do cordão umbilical para permitir que as células sobrevivam ao processo criogénico. Depois de a unidade ser arrefecida lentamente até -90 °C, pode ser colocada num tanque de azoto líquido, que a mantém congelada a -196 °C. O processo de congelação lenta é importante para preservar a viabilidade celular durante a congelação. Ainda não existe consenso sobre os procedimentos ideais para estas células do sangue do cordão umbilical, embora muitas estratégias de criopreservação recomendem o uso de dimetilsulfóxido (DMSO), arrefecimento lento ou controlado e descongelação rápida.

As células estaminais do sangue do cordão umbilical são atualmente utilizadas no tratamento de várias doenças potencialmente fatais, sobretudo doenças genéticas relacionadas com o sangue e o sistema imunitário, cancros e doenças hematológicas. A primeira utilização clinicamente documentada de células estaminais do sangue do cordão umbilical ocorreu em 1988, no tratamento bem-sucedido de um rapaz de seis anos com anemia de Fanconi. Nas duas décadas seguintes, o sangue do cordão umbilical passou a ser cada vez mais reconhecido como uma fonte de células estaminais utilizável em terapias com células estaminais. Posteriormente, com o desenvolvimento de técnicas mais recentes, como o transplante haploidêntico, verificou-se uma tendência de menor utilização do sangue do cordão umbilical como fonte de células estaminais.

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