O Atentado nazista contra embarcações brasileiras foi uma série de ataques realizados por submarinos da Alemanha Nazista contra navios mercantes e de passageiros brasileiros durante a Segunda Guerra Mundial, principalmente entre 1942 e 1943.
Os ataques ocorreram no contexto da Batalha do Atlântico e resultaram na morte de centenas de civis e militares brasileiros, contribuindo diretamente para a entrada oficial do Brasil na guerra ao lado dos Aliados.
Contexto No início da Segunda Guerra Mundial, o Brasil manteve uma posição de neutralidade. Entretanto, sua aproximação econômica e diplomática com os Estados Unidos levou o governo brasileiro a permitir a instalação de bases aéreas aliadas no Nordeste, consideradas estratégicas para operações no Atlântico Sul.
Como resposta, submarinos da Kriegsmarine, marinha de guerra alemã, passaram a atacar embarcações que navegavam pela costa brasileira, mesmo quando transportavam passageiros civis.
Ataques Entre 15 e 19 de agosto de 1942, o submarino alemão U-507, comandado pelo capitão-tenente Harro Schacht, realizou uma série de torpedeamentos contra embarcações brasileiras que navegavam pelo litoral do Nordeste durante a Batalha do Atlântico. esquerda|miniaturadaimagem|Navio Baependi, primeira embarcação atacada, em anúncio da Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro, publicada na Revista "Vida Domestica". Na noite de 15 de agosto, o navio de passageiros Baependi foi atingido por um torpedo a cerca de 20 milhas da costa de Sergipe e afundou em poucos minutos, causando a morte de 270 pessoas, entre passageiros e tripulantes. Ainda na mesma noite, o Araraquara também foi torpedeado pelo U-507, resultando na morte de 131 pessoas.
Em 16 de agosto, o navio Aníbal Benévolo foi atacado e afundado, provocando aproximadamente 150 mortes. No dia seguinte, 17 de agosto, o Itagiba foi torpedeado no litoral baiano. Durante o resgate dos sobreviventes, o navio Arará também foi atingido por um torpedo e afundou.
A ofensiva prosseguiu até 19 de agosto, quando o U-507 encerrou sua campanha contra embarcações brasileiras e deixou a costa do país. Os torpedeamentos provocaram forte repercussão nacional, gerando manifestações populares e contribuindo decisivamente para que o Brasil declarasse guerra à Alemanha e à Itália em 22 de agosto de 1942.
Entre as embarcações atingidas estavam:
Baependi Araraquara Aníbal Benévolo Itagiba Arará
Os ataques ocorreram principalmente no litoral dos estados da Bahia e de Sergipe. Muitos passageiros eram civis, incluindo mulheres e crianças.
Consequências miniaturadaimagem|211x211px|Insígnia das Forças Expedicionárias Brasileiras (cobra fumando) A sucessão de ataques provocou forte comoção nacional. Manifestações populares ocorreram em diversas cidades brasileiras, exigindo uma resposta do governo contra as Potências do Eixo.
Em 22 de agosto de 1942, o Brasil declarou guerra à Alemanha Nazista e ao Reino da Itália, tornando-se o único país sul-americano a enviar tropas terrestres para combater na Europa durante a Segunda Guerra Mundial.
Posteriormente, foi organizada a Força Expedicionária Brasileira (FEB), que combateu na Campanha da Itália entre 1944 e 1945.
Responsáveis Grande parte dos ataques foi realizada por submarinos alemães da Kriegsmarine, especialmente o U-507, comandado por Harro Schacht, responsável pelos afundamentos ocorridos em agosto de 1942. A campanha fazia parte da estratégia alemã de interromper o transporte marítimo aliado no Atlântico.
Vítimas Os ataques contra navios brasileiros provocaram a morte de aproximadamente 1.000 brasileiros ao longo da guerra, entre passageiros, tripulantes e militares. Somente a ofensiva de agosto de 1942 resultou em mais de 600 mortos.
Legado Os atentados contra embarcações brasileiras são considerados um dos episódios mais marcantes da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. O afundamento de navios civis alterou significativamente a opinião pública brasileira e acelerou o envolvimento militar do país no conflito.
Os acontecimentos são lembrados em monumentos, museus e estudos históricos sobre a Segunda Guerra Mundial, sendo frequentemente citados como um dos principais fatores que levaram o Brasil a abandonar sua neutralidade.
Ver também
Segunda Guerra Mundial Batalha do Atlântico Força Expedicionária Brasileira Campanha da Itália Kriegsmarine U-507
Categoria:Brasil na Segunda Guerra Mundial