Ácime ibne Omar ibne Alcatabe (; c. 628 ou 630 — ) foi um companheiro de Maomé, filho do segundo califa, Omar, e de . É particularmente conhecido por ter sido o avô materno do califa e por transmitir hádices atribuídos ao pai. Passou parte da infância sob os cuidados da mãe após o divórcio de seus pais, tornando-se ainda criança o centro de uma conhecida disputa de guarda resolvida por Abu Becre. Mais tarde foi criado por Omar, que supervisionou sua educação e providenciou seu casamento. As fontes descrevem Ácime como um homem de elevada estatura, nobre caráter, generoso e conhecido por sua eloquência e talento poético. Sua reputação moral foi frequentemente destacada pelos cronistas e transmitida juntamente com um pequeno número de hádices preservados nas principais coleções islâmicas.

Vida

Ácime nasceu provavelmente em Medina, havendo divergência entre as fontes quanto ao ano exato. Algumas situam seu nascimento por volta de 628, no sexto ano da Hégira, enquanto outras afirmam que nasceu cerca de dois anos antes da morte de Maomé, em torno de 630. Era filho de Omar e de , uma das mulheres de Medina que prestaram juramento de fidelidade a Maomé entre os primeiros muçulmanos. Após o divórcio de seus pais, passou os primeiros anos de vida sob os cuidados da mãe, que posteriormente se casou com . Quando Ácime tinha cerca de quatro anos — segundo outra tradição, oito — Omar tentou levá-lo consigo durante uma visita a . A avó materna, , opôs-se à decisão, levando o caso à apreciação do califa Abu Becre . Depois de ouvir ambas as partes, Abu Becre decidiu que a guarda deveria permanecer com a avó materna, decisão que Omar aceitou. Esse episódio tornou-se um dos precedentes clássicos da jurisprudência islâmica sobre a guarda de crianças.

Concluída a primeira infância, Ácime passou a viver sob a proteção do pai, que supervisionou sua formação e providenciou posteriormente seu casamento. Transmitiu hádices de Omar, sendo suas tradições preservadas por seus filhos, Háfece e , bem como por Urua ibne Azobair. Um de seus relatos foi incluído no Musnade de Amade ibne Hambal. As fontes descrevem Ácime como um homem alto, de compleição robusta, extremamente nobre, generoso e conhecido por jamais ofender ou falar mal de outras pessoas. Seu irmão Abedalá teria respondido a alguém que pretendia insultá-lo afirmando: "Nem eu nem meu irmão Ácime insultamos quem quer que seja", ressaltando assim sua reconhecida integridade moral. Além dessa reputação, destacou-se como poeta e orador eloquente. Ácime morreu em . Segundo a tradição preservada pelas fontes, seu irmão Abedalá manifestou profundo pesar por sua morte, recitando um verso do poeta no qual lamentava que a morte os tivesse separado em vez de permitir que continuassem vivendo — ou morrendo — juntos.

Bibliografia

Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Árabes do século VII Categoria:Filhos de Omar Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo Categoria:Poetas árabes do século VII Categoria:Aditas (coraixitas)