Calide ibne Saíde ibne Alás (; m. ) foi um dos companheiros do profeta islâmico Maomé, pertencente ao clã Banu Omaia. Foi um dos primeiros convertidos ao islão, exerceu funções como escriba de Maomé e, posteriormente, destacou-se como comandante militar durante o califado de Abu Becre.

Vida

Calide era filho de Saíde ibne Alás, conhecido pela cúnia Abu Uaia, membro do Banu Omaia, e de Hinde binte Almuguira, pertencente aos maquezumitas. É tradicionalmente apontado como um dos primeiros convertidos ao islão. Algumas tradições afirmam que foi o quarto indivíduo a abraçar a nova religião, enquanto outras, preservadas por sua filha Ume Calide, o apresentam como o quinto convertido, depois de Ali ibne Abi Talibe, Abu Becre, Zaíde ibne Harita e Sade ibne Abi Uacas. Segundo esses relatos, sua conversão foi motivada por um sonho no qual seu pai procurava lançá-lo em um grande fogo, sendo salvo por Maomé. Após narrar a visão a Abu Becre, este aconselhou-o a procurar o profeta, diante de quem aceitou o islão. Seu pai reagiu violentamente à conversão. Mandou capturá-lo por intermédio de seus irmãos, espancou-o severamente, manteve-o durante vários dias sob o sol sem água e proibiu os demais familiares de manter qualquer contato com ele. Ao constatar que Calide não abandonaria a nova fé, expulsou-o definitivamente de casa. Até o início da Migração para a Abissínia, permaneceu junto de Maomé. Em seguida, participou da migração ao lado de sua esposa, Humaima binte Calafe, também mencionada nas fontes como Amana ou Umaima. Durante a permanência na Abissínia, onde permaneceu por mais de dez anos segundo algumas tradições, nasceram seus filhos Saíde e Ama. Atuou ainda como guardião matrimonial () de Ume Habiba por ocasião de seu casamento com Maomé.

Calide regressou posteriormente da Abissínia acompanhado de seu irmão Anre, de Jafar ibne Abi Talibe e dos demais emigrados, encontrando Maomé durante a Batalha de Caibar. Participou ainda da Unra da Compensação, da Conquista de Meca, das campanhas de Hunaine, Taife e Tabuque. Exerceu a função de escriba de Maomé, dedicando-se sobretudo a assuntos administrativos. É tradicionalmente considerado um dos primeiros escribas da revelação, sendo apontado como o primeiro a escrever a fórmula bismilá. Além de registrar parte das primeiras revelações, redigiu diversos documentos oficiais do profeta, entre eles o decreto destinado aos taquifitas, figurando, juntamente com seu irmão Abane ibne Saíde, entre os escribas mais ativos do período. Após a Conquista de Meca, comandou uma expedição de trezentos homens à região de Urana. Em seguida, Maomé encarregou-o da arrecadação do zacate entre os madijitas, na região do Iêmen.

Depois da morte de Maomé, Calide e seus irmãos Anre e Abane regressaram a Medina e declararam que não aceitariam exercer cargos administrativos para ninguém além do profeta. Calide retardou por cerca de um mês seu juramento de lealdade a Abu Becre após a sucessão deste. Sua posição fundamentava-se na convicção de que o direito ao califado cabia aos descendentes de Abede Manafe, abrangendo tanto os haxemitas quanto os abedexemecitas. Seu irmão Abane também recusou prestar juramento em solidariedade aos haxemitas, fazendo-o apenas depois que estes decidiram reconhecer Abu Becre. Na tradição histórica, especialmente a xiita, Calide figura entre os primeiros partidários de Ali ibne Abi Talibe, por entender que determinadas declarações atribuídas a Maomé indicavam Ali como o legítimo líder da comunidade muçulmana.

Em 633, Abu Becre nomeou Calide um dos comandantes da expedição enviada à Síria. As fontes divergem quanto às circunstâncias de sua morte. Segundo uma tradição, foi morto em 634 na véspera da , logo após casar-se com Ume Haquime binte Alharite. Outra tradição situa sua morte na Batalha de Ajenadaim, também em 634, enquanto um relato posterior a coloca durante a Batalha de Jarmuque, versão geralmente considerada pouco confiável. Calide teve dois filhos nascidos durante sua permanência na Abissínia: Saíde e Ama. Sua filha Ama binte Calide casou-se com Azobair ibne Alauame, com quem teve dois filhos, Anre e Calide, sendo posteriormente conhecida pela cúnia Ume Calide. Seu filho Saíde ibne Calide comandou um esquadrão durante a Batalha de Jarmuque, sendo morto juntamente com seus homens enquanto procurava assegurar a fronteira diante das tropas bizantinas.

Bibliografia

Categoria:Muajiritas Categoria:Banu Omaia Categoria:Árabes do século VII Categoria:Generais do Califado Ortodoxo Categoria:Muçulmanos envolvidos nas guerras bizantino-árabes Categoria:Maquezumitas Categoria:Unra da Compensação