Rita Conceição, também conhecida como "Rita Cliff", é uma antropóloga, pedagoga, ativista e fotógrafa brasileira, conhecida por suas contribuições pela causa do feminismo negro no Brasil e pela fundação das ONGs BAHia Street, criada para oferecer suporte para meninas e mulheres negras e periféricas da Bahia através da ampliação do acesso à educação e da qual é a atual diretora.
Educação e primeiros anos de vida Nascida em Salvador, capital do estado brasileiro da Bahia, e foi a primeira filha dentre 8. A mãe, Iraildes, trabalhava como empregada doméstica e o pai fora vigilante noturno. Conceição foi alfabetizada na casa de sua vizinha Maria, pois no período eram raras as escolas e creches públicas para os filhos de famílias pobres, e estudar era um privilégio para poucos. Sua mãe pagava uma quantia em dinheiro para que a vizinha a educasse, pois desejava um futuro melhor para a filha e que esta pudesse avançar nos estudos até o Ensino Superior.
Crescendo em um período complexo da história do Brasil, a Ditadura Militar, a educação de Rita sofreu a influência de estudantes, colegas e pessoas próximas que se engajavam politicamente contra o regime, incluindo sua professora e vizinha, que era ativista. Conceição apreciava a leitura, em especial de literatura brasileira, e recebeu uma bolsa de estudos durante o primeiro grau.
Ao terminar o primeiro grau, foi influenciada por amigos e professores a se unir ao movimento secundarista contra a Ditadura Militar, e passou a estudar no Colégio Central, instituição de ensino conhecida por seu histórico político nas lutas contra o regime. Lá, fez um curso de instrumentalização e participou de passeatas, vendas de jornais, e múltiplas formas de resistência política, levando adiante o espírito revolucionário e comunitário ao longo de sua vida.
Formação e fundação do BAHia Street Em 1981, Rita ingressou no curso de Ciências Sociais na Universidade Federal da Bahia, porém levou muitos anos para concluir o curso, atravessando diversas dificuldades financeiras e tendo de cuidar dos irmãos após o falecimento de sua mãe em 1984. Em 1992, Conceição recebe finalmente o diploma em Ciências Sociais com especialização em Antropologia. Anos depois, Conceição conquistaria outro diploma em Pedagogia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), e fundou a organização direcionada para a educação em 1996, em parceria com a também antropóloga Margareth Wilson, a quem conheceu em Salvador onde ambas praticavam Capoeira Angola com o mestre Jogo de Dentro. Foi durante as trocas acadêmicas e amigáveis entre as duas que surgiu a ideia de fundar o BAHia Street, que hoje oferece diversos programas pedagógicos voltados para a arte, cultura, alfabetização, idiomas, e cidadania, em busca de ampliar as perspectivas de futuro de mulheres e meninas periféricas, em especial negras, e combater a desigualdade racial e de gênero na sociedade baiana e brasileira formando lideranças negras e femininas e ocupando espaços que antes eram negados a esses grupos. Através do Programa de Potencialização da Educação, do Programa de Alfabetização, do Programa de Inclusão Digital e de outros projetos do BAHia Street, a ONG tem atuado há mais de 25 anos e já prestou auxílio há mais de 1.500 mulheres de diversas idades na região de Salvador e arredores. Além de serviços pedagógicos que buscam ampliar a educação dessas meninas, a ONG também faz distribuições de cestas básicas para suas famílias, fornecendo apoio além do campo educacional em prol da permanência e sustento de suas beneficiárias.
Premiações Por suas contribuições pelas infâncias e pela educação negra no Brasil, Conceição e o BAHia Street receberam diversos prêmios e auxílios de outras organizações a nível internacional, entre eles o reconhecimento da UNICEF The World of Children de 2008, suporte da Inter American Foundation em 2009 (organização voltada para o investimento em projetos comunitários latinos e caribenhos em prol do desenvolvimento econômico e social) e o recebimento do prêmio Lélia Gonzalez da SEPPIR (Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial) em 2014, sendo a única ONG de mulheres do estado da Bahia contemplada pela premiação neste ano.
Carreira e projetos como fotógrafa Conceição começou a fazer fotografia na década de 90, no período em que conquistou seu diploma em Ciências Sociais. Sua primeira exposição aconteceu na Igreja do Rosário dos Pretos, local construído pela Irmandade do Rosário dos Pretos no século XVIII, durante o período da escravidão, e de grande peso histórico para a população negra brasileira e baiana. Guiada pelos princípios artísticos e políticos do fotojornalismo, Conceição registrou passeatas, movimentos ativistas, manifestações e o atual presidente Luís Inácio Lula de Silva desde seus primeiros anos de campanha. Entre outros projetos e reconhecimentos está a inclusão de sua fotografia no acervo Zumví Arquivo Afro Fotográfico, criado com o objetivo de ser um "Quilombo Visual" e preservar a memória negra brasileira através das lentes e da obra de fotógrafos pretos. Participou também da exposição Gente de Quilombo, ao lado dos fotógrafos Álvaro Villela e Márcio Lima, que registra a vida em comunidades quilombolas de Barra e Bananal (Rio de Contas), Mangal Barro Vermelho (Sítio do Mato) e Rio das Rãs (Bom Jesus da Lapa), primeiros quilombos a conseguirem a titulação de suas terras.
Referências
Ver também
Feminismo Negro Organização Não Governamental (ONG) Ativismo Bahia Salvador Lélia Gonzalez Marielle Franco Erika Hilton Beatriz Nascimento Sueli Carneiro Talíria Petrone
Ligações externas
BAHia Street Zumví Arquivo Afro Fotográfico Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça
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