A Brachyspira hyodysenteriae é uma espiroqueta Gram-negativa e anaeróbia estrita, caracterizada por uma morfologia helicoidal e motilidade periplasmática singular que lhe permite perfurar a camada de muco intestinal. Este patogénio é o agente etiológico da disenteria suína, uma doença entérica severa que afeta suínos em crescimento e terminação, colonizando exclusivamente o ceco e o cólon. No intestino grosso, a bactéria utiliza o seu potencial quimiotático e a produção de hemolisinas citotóxicas para induzir inflamação multifocal, hiperplasia de células caliciformes e necrose do epitélio superficial, bloqueando a reabsorção de sódio e água. Clinicamente, o quadro evolui de uma diarreia pastosa para uma síndrome muco-hemorrágica grave, caracterizada por fezes com sangue vivo, muco abundante e fragmentos de fibrina, o que provoca desidratação progressiva, emagrecimento marcado e um impacto severo no índice de conversão alimentar. A transmissão epidemiológica ocorre por via fecal-oral, sendo exacerbada pela capacidade de sobrevivência da espiroqueta em efluentes e fomes por várias semanas, além da vetorização mecânica por roedores e aves silvestres. O diagnóstico clínico diferencial exige a exclusão de Lawsonia intracellularis e Salmonella, sendo confirmado laboratorialmente por isolamento em ágar-sangue seletivo — revelando uma beta-hemólise forte —, imunofluorescência direta ou ensaios de PCR multiplex para deteção do gene nox. Face ao aumento global de estirpes com resistência adquirida a pleuromutilinas (como a tiamulina e valnemulina) e macrolídeos, o controlo contemporâneo rejeita a dependência antimicrobiana, priorizando programas de biossegurança estrita através do sistema de exploração descontínua, do despovoamento estratégico e do uso de ácidos orgânicos na ração para mitigar a colonização.https://www.ncbi.nlm.nih.gov/Taxonomy/Browser/wwwtax.cgi?mode=info&id=159

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