Ramatis Jacino (Porto Alegre - RS, 11 de junho de 1957) é um historiador, professor universitário e pesquisador brasileiro.Tebas, o negro escravizado que marcou a arquitetura de São Paulo. Jornal El País, 30 de junho de 2020. Atua nas áreas de História Econômica, relações raciais, escravidão no Brasil, pós-abolição e desigualdades sociais, com pesquisas voltadas principalmente à inserção da população negra no mercado de trabalho brasileiro e à formação histórica do racismo no país.Historiadores comparam PEC das Domésticas ao momento da libertação dos escravos. Jornal O Globo, 6 de abril de 2013.Movimentos negros lutaram contra o domínio português no Brasil e pelo fim da escravidão. Jornal Diário do Grande ABC, 30 de agosto de 2023.
É professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e membro do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo. Participa de atividades acadêmicas ligadas aos estudos africanos e afro-brasileiros.Personalidades negras empurraram a luta antirracista em 2023. Portal Terra, 20 de dezembro de 2023. Sua produção investiga as relações entre trabalho, economia, raça e cidadania no Brasil, especialmente a partir das transformações ocorridas após a abolição da escravidão em 1888, além do período de transição do trabalho escravo para o trabalho assalariado e as desigualdades raciais no Brasil.
Biografia
Ramatis Jacino nasceu em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, em 1957, filho do carteiro Jonathas Campos Jacino e da costureira Wanda Jacino. Ativistas políticos, o casal foi membro do Partido Comunista Brasileiro e militaram no movimento negro em Porto Alegre, nos anos 50 e 60.MEC quer acelerar expansão de pós entre docentes da educação básica. Jornal Folha de S. Paulo, 11 de maio de 2015.Ramatis Jacino - Dados Biográficos. Literafro - o portal da literatura afro-brasileira – UFMG.
Em 1972, mudou-se para São Paulo, onde desenvolveu sua trajetória profissional e acadêmica. Antes de ingressar no ensino superior, atuou como professor da rede pública estadual paulista entre 2000 e 2017.
Graduou-se em História na Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes (SP), em 2003. Em 2007, obteve o título de mestre em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, com a dissertação O trabalho do negro livre na cidade de São Paulo – 1872-1890. Posteriormente, em 2014, concluiu o doutorado pela mesma universidade com a tese O trabalho do negro na cidade de São Paulo pós-escravidão – 1890/1920, que deu origem ao livro Transição e Exclusão: o negro no mercado de trabalho em São Paulo pós-abolição (1912-1920), publicado em 2014.O negro no mercado de trabalho em São Paulo pós-abolição - 1912/1920. Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP.
Também realizou estágio de pós-doutorado no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal, em 2022, pesquisando as semelhanças entre o integralismo português e o integralismo brasileiro e a participação de negros brasileiros naquele movimento.
Pesquisas A principal linha de pesquisa de Ramatis Jacino concentra-se na história da população negra no Brasil, especialmente no período posterior à abolição da escravidão. Seus estudos procuram compreender como a passagem do trabalho escravizado para o trabalho livre ocorreu em meio a processos econômicos e sociais que mantiveram as desigualdades raciais.
Na Universidade Federal do ABC, Ramatis Jacino atua como professor e pesquisador em áreas relacionadas à economia política, desigualdade social e estudos afro-brasileiros. Participa de debates acadêmicos e públicos sobre racismo estrutural, políticas de igualdade racial e história da população negra. Também participa de cursos, palestras e eventos voltados à educação para relações étnico-raciais e à divulgação do conhecimento histórico.
Debates públicos e divulgação científica Interessado em literatura, se aproximou do grupo de escritores e escritoras negras que desde 1978 publicam anualmente livros de contos e poesias cujo título é Cadernos Negros, que posteriormente se organizaram na ONG chamada Quilombhoje, que passou a editar os livros. Teve contos publicados nos números 4, 6, 8 e 18 e na coletânea Cadernos Negros: Melhores Contos (1998).
A militância política de Ramatis se inicia em 1974, integrando grupos políticos que se opunham ao regime militar iniciado em 1964. A partir de 1977 frequentou o Centro de Cultura e Arte Negra (CECAN), uma das entidades que convocaram a manifestação de 7 de julho de 1978 que deu origem ao Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial (MNUCDR), posteriormente apenas MNU.
Ativista sindical, foi um dos fundadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT), compondo sua direção estadual entre 2006 e 2009 e presidindo o Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (INSPIR), entre 2012 e 2015, entidade que congregava centrais sindicais do Brasil, da América Latina e dos Estados Unidos.
No Partido dos Trabalhadores (PT), no qual também atua desde a fundação, exerceu os cargos de vice-presidente do Diretório Municipal da cidade de São Paulo, foi membro do Diretório Estadual e assessor do Diretório Nacional. Como gestor público, foi Diretor da Divisão Gráfica Municipal da Prefeitura de São Paulo, entre 1989 e 1993 e entre 2001 e 2005. Na prefeitura da cidade de Santos, entre 1993 e 1996 assessorou a Companhia de Transportes Coletivos, a COHAB e a Administração Regional da Zona Noroeste.
A produção de Ramatis Jacino está inserida no campo da historiografia brasileira que interpreta a abolição da escravidão como um processo que, embora tenha encerrado juridicamente o regime escravista, não garantiu igualdade econômica e social imediata aos libertos e seus descendentes.
Obras selecionadas Livros O Branqueamento do Trabalho (2008) — obra que analisa a formação do mercado de trabalho brasileiro após a escravidão e os processos históricos associados à exclusão dos trabalhadores negros.Quem vê raça não vê gente. Revista Época, 10 de maio de 2014. Ímó – Panorama do Pensamento Negro Brasileiro (2009) — organização voltada à reflexão sobre intelectuais, movimentos e interpretações negras sobre a sociedade brasileira.ÌMÓ – Panorama do Pensamento Negro Brasileiro. Teoria e Debate – Fundação Perseu Abramo. Transição e Exclusão: o negro no mercado de trabalho em São Paulo pós-abolição (1912-1920) (2014) — estudo baseado em sua pesquisa de doutorado, sobre as condições econômicas e sociais da população negra após a abolição.Transição e o negro mercado no trabalho em São Paulo pós-abolição - 1912/1920. Google Books. Assimilados: os afrodescendentes frente aos movimentos de extrema-direita no Brasil e em Portugal (1888-1937) (2025) — obra que investiga as relações entre afrodescendentes, movimentos políticos conservadores e estratégias de inserção social no período entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX.Assimilados: os afrodescendentes frente aos movimentos de extrema-direita no Brasil e em Portugal (1888-1937). Google Books. O golpe de 2016: origens, mecanismos e consequências - escrito em parceria com os professores Eleonora Menicucci e Lincoln Secco.Professor da Universidade do ABC é cotado para ser suplente de Simone Tebet. Jornal Folha de S. Paulo, 28 de junho de 2026. Racismo nada cordial: Os mecanismos da exclusão racial e a construção ideológica que a justifica. SP: Novas Edições Acadêmicas. 2017.< Racismo nada cordial: Os mecanismos da exclusão racial e a construção ideológica que a justifica. Google Books.
Este último foi traduzido para o inglês (Racism not at all cordial), francês (Un racisme pas du tout cordial: Les mécanismes de l'exclusion raciale et la construction idéologique qui la justifie) e italiano (l razzismo non è affatto cordiale: I meccanismi dell'esclusione razziale e la costruzione ideologica che la giustifica)
Artigos
Entre seus artigos está Frente Negra, Ação Integralista e o conservadorismo como estratégia de enfrentamento ao racismo – 1930-1937, publicado na Revista de História da Universidade de São Paulo, no qual analisa as relações entre a Frente Negra Brasileira e o contexto político da década de 1930. Além desse, Jacino publicou outros artigos: Que morra o “Homem Cordial” - Crítica ao livro Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda. Revista Sakofa – USP. Frente Negra, Ação Integralista e o conservadorismo como estratégia de enfrentamento ao racismo – 1930-1937. Revista de História da USP. Da contra-hegemonia política às políticas contra-hegemônicas: as ações afirmativas para negros na sociedade brasileira (em coautoria com Marcelo Martins Silva e Sidney Jard Silva). Segregação ou miscigenação os dilemas da eugenia no Brasil nas primeiras décadas do Século XX. (Em coautoria com Weber Lopes Goes) Revista Aurora – UNESP. La (in) sostenibilidad de los megaeventos: regulación, autorregulación e injusticia ambiental del reciclaje de residuos en las principales fiestas brasileñas (Em coautoria com Dumara Regina de Lima, André Felipe Simões e Sonia Seger Pereira Mercedes). Revista Geográfica da América Central. Costa Rica. As escolhas políticas dos afrobrasileiros nas publicações de extrema-direita no Brasil e em Portugal: primeiras décadas do século XX. Revista Brasileira de História. No. 44 (96) • 2024 • Frente Negra, Ação Integralista e o conservadorismo como estratégia de enfrentamento ao racismo – 1930-1937. Revista de História, São Paulo, n. 181, p. 1–29, 2022. A gênese do nacional desenvolvimentismo e o protagonismo ambíguo de Nilo Peçanha, um negro comprometido com as oligarquias cafeeiras''. Revista Maracanan, Rio de Janeiro, Brasil, n. 41, p. 1–27, 2026.
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