Fala-se de maneira geral em arquitetura art nouveau em referência à vertente arquitetónica do movimento artístico conhecido como Art Nouveau, surgido na Europa nos últimos anos do século XIX, e, em referência aos diferentes desdobramentos nacionais: de arquitetura liberty na Itália ("estilo floral"); de arquitetura modernista na Espanha e de arquitetura jugendstil na Alemanha, na Suíça e no Império Austro-Húngaro. Nesta última região, desembocou na arquitetura da Secessão Vienense. Nestes anos, um número consistente de arquitetos de todo o mundo começou a desenvolver novas soluções arquitetónicas para integrar tradições consolidadas (como, por exemplo, o românico e o gótico) às novas possibilidades tecnológicas criadas pelos avanços da revolução industrial.
Os trabalhos de Louis Sullivan em Chicago, Victor Horta em Bruxelas, Henry van de Velde na Bélgica, Antoni Gaudí em Barcelona, Otto Wagner e Joseph Maria Olbrich em Viena e Charles Rennie Mackintosh em Glasgow, entre muitos outros, podem ser considerados nesta dialética entre o velho e o novo. Já em fins do século XIX nascem na Europa tendências arquitetónicas e artísticas, como o Arts and Crafts na Inglaterra, que rompem as pontes com os critérios do passado, indo em busca de formas novas que rejeitam tanto o historicismo académico quanto o estilo pouco atraente da arquitetura do ferro do século XIX, desenvolvendo, em contrapartida, novos conceitos arquitetónicos inspirados na natureza.
Antecedentes As raízes do movimento remontam a meados do século XIX. Por ocasião da Exposição Internacional de Londres de 1851, o crítico John Ruskin manifestou-se contra a baixa qualidade da produção industrial, defendendo o regresso à criação artesanal. As ideias de Ruskin foram retomadas por William Morris, que fundou a sociedade de artistas-artesãos Morris & Co., dedicada a melhorar a qualidade dos objetos destinados às classes médias e populares. Seguindo este exemplo, surgiram nos anos 1880 numerosas associações semelhantes, reunidas no Arts and Crafts Movement, empenhado em dar forma concreta a um ideal de funcionalidade e rigor. Deste movimento fez também parte a Century Guild, fundada por Arthur Mackmurdo, autor do frontispício de uma publicação de 1883 sobre igrejas londrinas, considerado um dos primeiros exemplos do género. Em França, Léon de Laborde e Eugène Viollet-le-Duc defenderam posições próximas às de Ruskin e Morris, reclamando a valorização das artes decorativas em sentido amplo.
A redescoberta do gótico e a revalorização do seu impulso vertical foram determinantes para a génese das linhas sinuosas, ditas "em chicote", características do novo estilo, ao mesmo tempo que os artistas se inspiravam também noutros estilos históricos, como o rococó em França, e sobretudo na arte oriental, apreciada pela simplicidade e sedução das suas formas. Nesse contexto, difundiu-se com força o gosto pelo japonismo: a própria designação art nouveau deriva do nome da loja-galeria parisiense do antiquário Sigfried Bing, onde obras de artistas modernos eram expostas e vendidas ao lado de objetos de artesanato japonês.
A difusão do novo estilo foi favorecida pela circulação de revistas de arte, como The Studio em Inglaterra, Jugend em Munique, Pan em Berlim e Ver Sacrum em Viena, publicações de grafismo tipicamente art nouveau que frequentemente acolhiam contributos de poetas e escritores de vanguarda. É conhecida a afinidade entre os artistas do movimento e a literatura do fin-de-siècle, patente, por exemplo, nas citações de poetas simbolistas inseridas por Émile Gallé nas suas peças de madeira e vidro, ou na correspondência entre o texto de Salomé, de Oscar Wilde, e as ilustrações do jovem desenhador inglês Aubrey Beardsley.
O movimento retoma ainda o debate, iniciado em meados do século XIX, sobre a revalorização das chamadas "artes menores", conseguindo resgatar plenamente as artes aplicadas da posição subalterna que ocupavam havia mais de dois séculos. A aspiração dos artistas a integrar as diferentes disciplinas é particularmente visível nos edifícios, concebidos como um conjunto unitário de arquitetura e decoração; o rigor da execução e o requinte dos materiais utilizados tornaram, porém, o movimento numa arte de elite, destinada às classes abastadas, apesar da intenção social original dos seus precursores.
A Art Nouveau. Victor Horta
A maioria dos historiadores concorda que o movimento europeu para a renovação das expressões culturais nasceu na Bélgica entre 1892 e 1894; esta afirmação baseia-se na realização da Casa Tassel de Victor Horta e na casa de Paul Hankar em Bruxelas, de 1893. Os mestres do movimento belga foram Horta e Paul Hankar na arquitetura, Henry van de Velde e Gustave Serrurier-Bovy nas artes aplicadas:
Bruxelas foi a primeira cidade da Europa continental a receber a nova linguagem oriunda de Inglaterra, tornando-se nos anos 1880 um dos centros da vida artística europeia, sobretudo graças à atividade dos pintores simbolistas reunidos na Société des Vingt. A partir de 1892, a Société passou a admitir nas suas mostras também exemplares de arte decorativa, reconhecendo-lhes dignidade equivalente à das restantes formas de expressão artística.
Influenciado pelos ensinamentos de Viollet-le-Duc e pelas obras de Gustave Eiffel, em particular pela torre construída para a Exposição de Paris de 1889, Horta renovou a tipologia da casa de habitação burguesa, deixando à vista o elemento metálico estrutural, tanto no interior como no exterior dos edifícios. Na Casa Tassel (1892), as linhas assimétricas "em chicote", próprias do ornamento art nouveau, expandem-se pela terceira dimensão, sobretudo na caixa de escadas de entrada, onde abóbadas de vidro decorado assentes em colunas de ferro criam um ambiente arejado e dinâmico. Já no Hôtel Solvay (1895), o emprego do ferro estende-se também à fachada, aos parapeitos e às varandas das janelas, e o interior foi concebido ao pormenor segundo uma conceção unitária de arquitetura, mobiliário e decoração, com particular atenção dada à luz proveniente das amplas janelas e da claraboia sobre a escadaria, bem como aos suportes de candeeiros modelados em formas vegetais que dissimulam as fontes de iluminação artificial. A carreira de Horta culminou na construção de um grande centro de convívio para a classe operária, a Maison du Peuple, obra singular no conjunto da arquitetura art nouveau — destinada sobretudo à alta burguesia —, cujo auditório, hoje desaparecido, exibia a estrutura metálica à vista e um contraste entre a superfície envidraçada e o metal, revelando a tentativa de Horta de simplificar e conferir escala monumental às experiências anteriores.
Outra figura importante da art nouveau belga foi Henry van de Velde, dedicado sobretudo ao desenho de mobiliário e às artes gráficas. Van de Velde partiu dos estímulos vindos de Inglaterra, reelaborando-os através de uma linha abstrata e dinâmica também presente na obra de Horta, cuja expressão máxima se encontra no cartaz Tropon, considerado uma obra-prima da cartelística art nouveau. Tal como Horta, também Van de Velde parte de um motivo bidimensional na realização de peças tridimensionais, como o mobiliário, com uma finalidade sobretudo simbólico-ornamental, patente na célebre secretária de 1898, contornada por uma elegante faixa decorativa que a torna pouco funcional.
A França Os exemplos de Horta exerceram grande influência sobre o mais importante arquiteto da art nouveau francesa, Hector Guimard, que entre os séculos XIX e XX desenvolveu uma arquitetura em que a componente decorativa é dominante. Numa das suas primeiras obras, o Castel Béranger, em Paris (1894), Guimard experimentou um tipo de interior próximo do de Horta, com amplo recurso ao ferro e ao vidro decorado, sendo o portão de entrada — em ferro forjado, com um jogo de linhas curvas livre e dinâmico — o elemento mais notável do edifício. Guimard é sobretudo conhecido pela marca que deixou no centro de Paris com as bocas de entrada e os quiosques das estações do metropolitano (1900), nas quais recorreu de novo ao ferro para criar formas "orgânicas", como as ramificações metálicas "em orquídea" de onde emergem os candeeiros elétricos.
O centro das artes decorativas art nouveau em França situava-se em Nancy, onde nasceu e trabalhou Émile Gallé (1846-1904), filho de um artesão do vidro e da cerâmica. Após estudar filosofia e botânica na sua cidade natal, Gallé deslocou-se em 1872 a Londres, onde estudou as coleções de artes aplicadas do Victoria and Albert Museum, ficando particularmente impressionado com as peças orientais. De regresso a Nancy, dedicou-se à criação de mobiliário e vidros que acompanhava pessoalmente até ao fim do processo de execução; os seus móveis, concebidos como objetos de luxo em madeiras nobres e de formas elegantes e estilizadas, eram decorados com motivos vegetais, reflexo da sua cultura botânica, e apresentavam frequentemente citações poéticas gravadas de autores contemporâneos, como Baudelaire, Rimbaud e Mallarmé, que por sua vez colecionavam as suas obras. Na última década do século, formou-se em torno de Gallé uma verdadeira escola, de que fizeram parte artistas como Eugène Vallin, Louis Majorelle e Victor Prouvé, autores de mobiliário marcado pela mesma exuberância ornamental do mestre; em Paris, por seu lado, sob a influência da galeria de Bing, desenvolveu-se uma corrente de desenho mais funcional e menos decorativo, cujos principais representantes foram Eugène Gaillard, Georges de Feure e Edward Colonna.
No domínio da arte do vidro, Gallé introduziu numerosas inovações, quase todas inspiradas em técnicas orientais, e os objetos saídos do seu ateliê, modelados à mão em formas vegetais fantasiosas, são hoje considerados e coleccionados como verdadeiras obras de arte. Graças a Gallé, Nancy tornou-se o centro da atividade vidreira francesa, onde trabalharam também os irmãos Auguste e Antonin Daum, igualmente reconhecidos pela experimentação de novas técnicas. Outro grande artista do vidro foi René Lalique, que aplicou processos de fabrico industrial à produção de objetos de luxo muito procurados, sobretudo frascos de perfume, sendo, contudo, sobretudo conhecido pela revolução que introduziu na joalharia, ao valorizar a criação e a execução da peça em detrimento do valor das próprias pedras que a compunham; as suas joias, muitas vezes formadas por pedras semipreciosas, constituem verdadeiras obras-primas de ourivesaria, com um repertório requintado de motivos vegetais, animais, poéticos e mitológicos que lhe granjearam sucesso imediato nos meios mais requintados e sucessivos triunfos em exposições internacionais.
Charles Rennie Mackintosh e o Glasgow Movement Charles Rennie Mackintosh (Glasgow, 7 de junho de 1868 – Londres, 10 de dezembro de 1928) foi um arquiteto, designer e pintor escocês. Expoente do chamado Glasgow movement, foi o nome de maior relevo da Art Nouveau no Reino Unido.