The Gay Deceivers (conhecido no Brasil como Os Enganadores) é um filme estado-unidense do género comédia, escrito por Jerome Wish, realizado por Bruce Kessler, e protagonizado por Kevin Coughlin, Lawrence P. Casey, Brooke Bundy, Jo Ann Harris e Michael Greer.

Foi exibido inicialmente em Atlanta e São Francisco a 2 de julho de 1969, onde teve críticas mistas e ocorreram protestos durante o lançamento do filme.

Enredo Danny e Elliot são dois amigos que tentam escapar ao alistamento militar fingindo ser gueis. São colocados sob vigilância pelo exército e ambos têm de manter a farsa. Mudam-se para um prédio de apartamentos LGBT e tentam misturar-se com os moradores, enquanto tentam manter as suas relações amorosas com mulheres sem serem descobertos pelo exército.

Elenco

Produção Em 1968, a companhia produtora Fanfare Film comprou a história original de Gil Lasky e Abe Polsky. Inicialmente, receberam a tarefa de escrever o argumento, mas esse trabalho acabou por ficar com Jerome Wish. As rodagens principais aconteceram a 3 de março de 1969. O historiador de cinema, Vito Russo, documentou que Michael Greer não apenas escreveu o seu próprio papel, como também reescreveu o argumento em alguns trechos, tornando-o "mais engraçado e menos homofóbico do que o pretendido". O papel de Greer como o "proprietário nerd" foi tão popular entre os críticos de cinema que, após a primeira semana em cartaz, a distribuidora do filme mudou a campanha publicitária, apresentando-a como a estrela do filme. Larry Casey reclamou posteriormente que, mesmo sendo casado e com filhos, teve dificuldades para encontrar trabalho após o filme, devido à sua aparição "num filme homossexual". O filme também marcou a estreia de Candice Rialson como a "Rapariga de Biquíni".

Lançamento Originalmente, o filme estava programado para estrear a 25 de junho de 1969, mas só seria lançado a 2 de julho de 1969, nas cidades de Atlanta e São Francisco, nos Estados Unidos. Posteriormente, o filme estreou em Los Angeles a 16 de julho, e a 30 de julho na cidade de Nova Iorque. A revista Variety listou o filme entre as cinquenta estreias de maior bilheteira, entre 30 de julho de 1969 e 17 de dezembro de 1969.

Inicialmente, o filme foi proibido na Austrália devido às representações de homossexualidade. Só foi em novembro de 1971, após a reforma das leis de censura, que o filme recebeu autorização para ser exibido com a classificação R. O filme estreou na televisão por assinatura, através do canal Turner Classic Movies em 2002. Em maio de 2000, o filme foi distribuído em DVD.

Protestos Após o filme ser exibido no St. Francis Theatre de São Francisco, o Comité pela Liberdade dos Homossexuais, protestou contra a sua exibição, alegando que o filme era desrespeitoso com a comunidade guei, pois "equiparava homens homossexuais à efeminação, covardia e à priorização do interesse próprio em detrimento do dever patriótico para com o país". A revista Variety noticiou o protesto na sua edição de julho de 1969, com uma manchete tendenciosa: "Maricas protestam contra a estreia de filme homossexual em São Francisco". Um dos manifestantes disse ao jornal San Francisco Chronicle:

Recepção O crítico de cinema, Parker Tyler, disse duvidar que o filme tenha dado lucro verdadeiro e achou que foi "descartado com demasiada leviandade pelos cinéfilos". Opinou que "é uma obra autêntica do cânone guei, de alto nível no panorama homo". E prosseguiu dizendo que a comunidade homossexual "deveria legitimamente regozijar-se com ele, e lamentar apenas a falta de mais nudez genital". O autor Richard Barrios escreveu: "este foi um filme foleiro, para maiores de dezoito anos, do tipo feito para cinemas drive-in, assim que tornou-se aceitável mostrar mamas e dizer alguns palavrões". Escreveu também que "não se procuram diamantes numa mina de sal, e não se espera classe ou perspicácia em algo como este filme".

David-Alex Nahmod, do jornal Bay Area Reporter, escreveu: "este filme horrível é um ótimo exemplo do quão longe chegámos; uma farsa barata, mal escrita e realizada, que nos transforma no alvo de piadas de extremo mau gosto". Questionou ainda para quem o filme foi "destinado; é ofensivo para os homossexuais e certamente não interessaria aos heterossexuais. Afinal, a quem é que os produtores estavam a tentar atingir?" A autora, Emily Hobson, argumentou que "a maioria dos que se declararam homossexuais perante as juntas de recrutamento eram de facto gueis ou bissexuais, visto que este filme deturpou a 'resistência homossexual ao recrutamento' para fins humorísticos". A mesma comentou ainda que: "apesar disso, o filme insinuava uma consciência generalizada de uma verdade mais radical: os ativistas estavam a reformular a identidade homossexual ao posicionarem-se contra a guerra".

O crítico de cinema, Abraham H. Weiler, do jornal The New York Times, escreveu: "que, infelizmente, não é nem guei, nem enganador, apesar de abordar a nova tendência cinematográfica de fingir a homossexualidade como um artifício para evitar o alistamento militar". Criticou ainda o filme, comentando que é uma "aventura decididamente juvenil" e que "não é engraçada, nem séria". O crítico de cinema, Kevin B. Thomas, disse que o filme "é uma comédia hilariante, mas surpreendentemente inofensiva". Notou ainda que existem muitos contratempos com o falso casal homossexual, "mas em nenhum momento o humor é cruel; na verdade, o filme foi escrito de forma tão astuta e amigável que não só os homossexuais, mas também os puritanos, provavelmente não se incomodarão com a ideia".

Richard Simon, do jornal The Sacramento Union, deu palavras duras ao filme, ao dizer: "Não há muitos filmes tão dolorosos que não consiga ver até ao fim, mas Gay Deceivers é um deles". Stanley Eichelbaum, do jornal San Francisco Examiner, também não se impressou com o filme, ao relatar: "Está mal feito e mal escrito; o humor é grosseiro e forçado, e a única piada do enredo torna-se tão batida ao fim de quinze minutos que o espectador sofre mais embaraço do que os falsos gueis".

Ver também Lista de filmes com temática LGBT de 1969

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