O 28 de Setembro foi um jornal de imprensa negra produzido na cidade de Bagé, região da campanha, no centro-sul do estado do Rio Grande do Sul. Foi fundado em 1937 por um grupo de lideranças da comunidade negra, composto por Delfino Menezes; José M. Pereira; Oracildo Cunha; Manoel C. Bittencourt; Juvenal da Cunha Moura; Ivo Garcia; João A. Correa; Onofre M. de Lima e José M. de Lima.

Era um jornal quinzenal com características humorísticas, noticiosas e esportivas, que circulou entre os anos de 1937 e 1939. Sua direção era vinculada a duas entidades carnavalescas de Bagé: o Bloco dos Cariocas e o Rancho Vamos de Qualquer Jeito.

A igualdade constituía o tema central do jornal e seu principal propósito político. No editorial da primeira edição, a publicação afirmava buscar o progresso “sem ódios de raça”, servindo como um espaço de afirmação para os negros em uma sociedade racializada.

O jornal registrava a vida cotidiana e social da população negra de Bagé, incluindo notícias sobre casamentos, festivais, saraus, quermesses e eventos esportivos.

O periódico foi fundamental, como parte da imprensa negra bageense para dar voz a intelectuais negros que debatiam problemas do Pós-Abolição (1913-1952), contrastando, através de sua narrativa histórica, com o silenciamento das obras dos historiadores da elite local.

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