Alonso Arias Vaca, também referido como Alonso Arias de Vaca, foi um militar, encomendero e administrador colonial espanhol, vizinho de Coro. Exerceu interinamente o cargo de governador e capitão-general da Província da Venezuela entre 1600 e 1602. Sucedeu no cargo a Gonzalo de Piña Ludueña, sendo sucedido por Alonso Suárez del Castillo.
Família
Arias Vaca pertencia a uma família proeminente da sociedade colonial de Coro. Pedro Manuel Arcaya identifica-o como filho legítimo do governador Alonso Arias de Villasinda e de sua mulher Catalina Vaca Cabeza de Vaca, corrigindo a atribuição, que considerava errada, feita por José de Oviedo y Baños, segundo a qual Arias Vaca teria sido filho do governador Alonso Bernáldez de Quirós. Segundo Arcaya, a filiação de Arias Vaca já tinha sido estabelecida por Juan Flórez de Ocáriz nas Genealogías del Nuevo Reino de Granada, e concordava com documentos inéditos consultados pelo próprio Arcaya.
Arias Vaca casou com Catalina Velásquez de Angulo, filha de Gonzalo Pérez de Angulo, governador de Cuba, deixando descendência em Coro.
Carreira em Coro
Era vizinho de Coro, onde, segundo Arcaya, talvez tivesse nascido ou para onde teria vindo ainda muito jovem. Foi proprietário de terras e de numerosos rebanhos, especialmente de éguas, na península de Paraguaná, sendo encomendero de índios. Luis Alberto Sucre descreve-o como «rico vecino y encomendero de indios en Coro», afirmando que prestou serviços militares como tenente-general e justiça-mor naquela cidade durante mais de vinte anos.
Há documentação sobre a sua actuação já antes do governo interino. Em 1590, uma comissão expedida por Diego de Osorio y Villegas a favor do capitão Diego Gutiérrez de Camargo refere Alonso Arias Vaca como tenente de governador, cuja gente deveria acompanhar Gutiérrez de Camargo às províncias dos ayamanes e ajaguas, nas serranias próximas de Coro e do rio Tocuyo, para combater índios levantados. Em 1596, o seu nome aparece entre os oficiais que assinaram, em Coro, a apresentação em cabildo do título de tenente de tesoureiro concedido a Diego Gutiérrez de Camargo.
Defesa de Coro contra Preston
Arias Vaca distinguiu-se na defesa de Coro e da sua costa durante a incursão do corsário inglês Amyas Preston, que, depois de saquear e incendiar Caracas, atacou a região de Coro. Segundo Arcaya, a versão espanhola desse episódio constava especialmente do expediente de méritos e serviços de Arias Vaca, evacuado em 1598 e conservado originalmente no Arquivo Geral das Índias.
De acordo com esse relato, quando se soube em Coro que navios inimigos estavam fundeados no porto de La Vela, Arias Vaca dirigiu-se para ali com vinte e cinco vizinhos armados de mosquetes e escopetas. Os ingleses desembarcaram, na segunda noite, quatrocentos soldados, entre mosqueteiros e piqueiros; Arias Vaca retirou-se com os seus homens, causando mortos e feridos entre os invasores, e os corianos incendiaram a ponte sobre o rio, embora sem conseguir impedir a entrada dos atacantes em Coro. Arias Vaca reuniu depois os restantes vizinhos de armas e os índios dos povos próximos, que, sob as ordens do capitão Miguel Manzanedo, perseguiram e hostilizaram os inimigos durante a retirada.
Governo interino da Venezuela
Com a morte do governador Gonzalo de Piña Ludueña, em 28 de Março de 1600, os alcaldes ordinários de Caracas assumiram provisoriamente o governo da província em 15 de Abril do mesmo ano. O Tesoro de noticias e índice general de los libros capitulares de Caracas regista Arias Vaca como sexto governador da província, de carácter interino, referindo que, em cabildo de 18 de Setembro, foi inserido um testemunho de que Alonso Arias Vaca, vizinho de Coro, tinha sido recebido em Coro como governador da província por nomeação da Real Audiência de Santo Domingo.
Arcaya atribui a nomeação a Diego Osorio de Villegas, então presidente da Audiência e capitão-general da Española, e antigo governador da Venezuela, observando que o prestígio militar e local de Arias Vaca tornou a sua escolha particularmente bem recebida em Coro. Durante a interinidade de Arias Vaca, Coro voltou a ser a cabeça da governacão. Arias Vaca ainda exercia o governo em 31 de Dezembro de 1600.
Durante o seu governo, combateu índios levantados na região do lago de Maracaibo, mas não conseguiu submetê-los. A sua administração deixou vestígios na documentação das encomiendas: em 28 de Junho de 1601 concedeu a Alonso Martín Romero uma encomienda de índios, cuja confirmação régia posterior consta de documentação reunida pelo historiador Vicente Dávila; outro traslado menciona um título de encomienda outorgado pelo governador Arias de Vaca a Pedro de Llana, referendado em Coro em 20 de Junho de 1601.
Um dos episódios mais documentados do período foi a morte, em El Tocuyo, do bispo fray Domingo de Salinas, em 21 de Junho de 1600. Arias Vaca escreveu ao rei que o bispo morrera com alguma «aceleração e violência», tendo-se dito que fora ajudado por algum veneno. O governador mandou fazer averiguação, surgindo suspeitas contra Manuel de Silva, alguazil-mor e vizinho principal de El Tocuyo; Silva foi preso e levado para a cadeia pública de Coro, mas acabou por provar a sua defesa e Arias Vaca absolveu-o da instância do juízo.
O governo de Arias Vaca foi criticado pelo seu sucessor, Alonso Suárez del Castillo, que escreveu ao rei em 1602 que, por Arias Vaca ser vizinho de Coro, a justiça tinha andado «como de compadres», especialmente nos povoados do interior da província. Sucre concorda com essa avaliação, observando que Arias Vaca não parece ter sido juiz muito estrito.
A data exacta em que terminou a sua interinidade não é clara, por faltarem as actas do cabildo de Caracas entre 10 de Julho de 1601 e 19 de Outubro de 1602. Oviedo y Baños assinala que, na primeira acta conservada de 19 de Outubro de 1602, já constava como governador Alonso Suárez del Castillo, pelo que a posse deste deve ter ocorrido no intervalo perdido. Sucre, por sua vez, concluiu por outros documentos que Suárez del Castillo tomou posse entre 25 e 30 de Julho de 1602.
Referências
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